
Campinas é percebida pelos moradores como uma cidade acolhedora, agradável e com boa qualidade de vida, embora marcada por desigualdades profundas entre regiões e grupos sociais. Essa é a principal conclusão da pesquisa “Vozes Campineiras”, realizada pela Quaest Pesquisa e Consultoria a pedido da Fundação FEAC e divulgada durante o encontro “Territórios em Movimento por cidades prósperas para todos”, no Expo Dom Pedro.
O levantamento aponta que 90% dos moradores consideram Campinas uma boa cidade para viver e 75% sentem orgulho de morar nela. Ao mesmo tempo, 65% reconhecem que a desigualdade social é um aspecto estrutural do município. Para muitos entrevistados, a prosperidade está ligada ao emprego, enquanto para mulheres e pessoas negras essa percepção está mais associada ao acesso à saúde de qualidade.
A saúde pública, aliás, é o setor que mais preocupa. Quase metade dos moradores relata dificuldades para conseguir atendimento em postos e hospitais. A população pede mais médicos, melhorias nas UPAs e nos hospitais e maior facilidade no acesso a medicamentos. Em relação à moradia, oito em cada dez campineiros afirmam que a cidade está muito cara, sobretudo pelos altos preços dos imóveis e pela falta de apoio governamental.
As desigualdades entre bairros também foram fortemente destacadas. “Os dados poderão servir para orientar políticas públicas e projetos sociais voltados para a redução das desigualdades e a promoção da prosperidade em Campinas”, afirma Graziele Silotto, gerente de Pesquisas da Quaest.
Na área da mobilidade urbana, a avaliação é mediana: 71% dos moradores classificam o sistema como bom ou razoável, mas 55% criticam a manutenção das vias. O carro ainda é o principal meio de deslocamento, seguido pelo ônibus, cuja tarifa é considerada alta por 73% dos usuários. A concentração das atividades culturais no Centro reforça a sensação de abandono em regiões periféricas.
Apesar dos desafios, o vínculo comunitário é forte: 74% dos campineiros afirmam gostar muito do bairro onde vivem. No entanto, a violência é citada como principal problema local. Embora apenas 20% se sintam muito seguros na cidade, essa sensação aumenta para 41% quando a referência é o bairro. O tráfico e o consumo de drogas são vistos como as principais causas da insegurança.
Sobre desigualdade e pobreza, a falta de oportunidades de emprego aparece como o maior problema, seguido pela falta de qualificação entre jovens. No campo da educação, 55% acreditam que Campinas não possui creches suficientes, e a falta de professores é apontada como o principal gargalo.
Um dos dados mais expressivos do estudo está na confiança entre vizinhos: 85% dos moradores dizem confiar na vizinhança, número muito superior à média nacional, de 52%. As OSCs e a igreja também aparecem como redes de apoio relevantes no cotidiano da população.
Para a Fundação FEAC, a pesquisa não se limita a um diagnóstico: ela busca orientar a construção de soluções coletivas. “Além de enxergar melhor os problemas, com dados e informações da pesquisa que é quantitativa, mas também qualitativa, a iniciativa nos impulsiona a dar as mãos e buscar soluções. Juntos, podemos construir uma cidade mais justa e próspera para todos”, afirma José Roberto Dalbem, superintendente geral da instituição.
O presidente do Conselho Curador da Fundação FEAC, Renato Nahas, reforça que o trabalho será contínuo. “Nosso objetivo é tratar tudo isso que ouvimos de forma organizada para poder transformar em um plano coordenado, respeitando as prioridades elencadas. Também queremos medir e acompanhar anualmente essa percepção dos campineiros. Esse é o índice de bem-estar da cidade de Campinas”, diz.
Com dados inéditos e abrangentes, a pesquisa “Vozes Campineiras” oferece um retrato fiel das percepções dos moradores e aponta caminhos para um futuro mais inclusivo, equilibrado e próspero para a terceira maior cidade do estado de São Paulo.
Foto: Presidente do Conselho Curador da Fundação FEAC, Renato Nahas.
Crédito: Ricardo Lima.
