
O Brasil encerrou o primeiro quadrimestre de 2025 com 23,2 milhões de empresas ativas, segundo dados do Mapa de Empresas do governo federal. Apesar do número expressivo, apenas uma parcela reduzida dessas organizações consegue se estruturar de maneira sólida para atrair investidores e sustentar o crescimento de forma consistente.
Um estudo da PwC Brasil mostra que, entre janeiro e maio de 2025, foram registradas 596 operações de fusões e aquisições (M&A), o que representa um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, a consultoria ressalta que grande parte das transações enfrenta barreiras devido à falta de preparação societária e de governança nas empresas envolvidas.
Para o investidor e mentor empresarial Marcus Varandas, fundador do EquityClub, o diferencial competitivo de uma empresa está em compreender a lógica da participação societária (equity) como base da estratégia de crescimento. “Lucro é consequência. A construção de valor é o que atrai capital, abre portas no mercado e perpetua o legado de um negócio”, afirma.
Segundo Varandas, um dos principais entraves enfrentados por empreendedores brasileiros é a ausência de uma estrutura societária clara e bem definida. “Empresas que focam apenas em lucro mensal podem até sobreviver, mas dificilmente constroem riqueza de longo prazo. A participação societária é o que dá lastro para fusões, aquisições e investimentos estratégicos”, explica.
Os números reforçam sua análise: não basta gerar faturamento, é preciso adotar métricas que expressem a criação de valor e assegurem a perenidade do negócio. “O empresário que aprende a olhar para o equity cria ativos de valor permanente, capazes de resistir a crises e atrair sócios estratégicos. É isso que diferencia quem apenas administra caixa de quem constrói patrimônio”, acrescenta.
Com experiência acumulada como empreendedor, investidor e mentor, Varandas alia prática e teoria ao orientar empresas na transformação de negócios em ativos duradouros e de impacto real. A partir dessa vivência, ele destaca cinco passos essenciais para estruturar companhias e atrair investidores:
1. Defina a participação societária desde o início: a clareza na divisão entre sócios evita conflitos futuros e oferece segurança a investidores.
2. Implemente governança de verdade: adotar práticas de transparência, compliance e controles sólidos torna a empresa mais confiável e atrativa.
3. Monitore métricas que reflitam valor: acompanhar indicadores de equity e valuation, não apenas resultados imediatos de caixa.
4. Planeje a captação de recursos: preparar a estrutura jurídica e financeira para aproveitar oportunidades de investimento.
5. Construa patrimônio e legado: pensar o equity como instrumento para transformar o negócio em um ativo duradouro, capaz de atravessar gerações.
Para o especialista, a jornada empresarial deve ser guiada por uma visão de longo prazo. “Quando o empresário entende que o verdadeiro ativo não está apenas no caixa, mas no patrimônio que constrói ao longo do tempo, ele começa a criar empresas que sobrevivem às crises, atraem sócios estratégicos e geram impacto real. Estruturar bem um negócio é preparar o terreno para que ele atravesse gerações”, conclui Varandas.
Foto: Marcus Varandas, fundador do EquityClub.
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