A ESTRADA QUE ME FEZ LÍDER: O QUE O MARKETING ME ENSINOU SOBRE ESTRUTURA, GENTE E FUTURO

A ESTRADA QUE ME FEZ LÍDER: O QUE O MARKETING ME ENSINOU SOBRE ESTRUTURA, GENTE E FUTURO

ARTIGO DE CARULINA PFINGSTAG

Existe uma ilusão persistente no mundo dos negócios, a crença de que atenção é sinônimo de sucesso. Não é. Atenção só se converte em valor quando existe estrutura, modelo de negócios sólido, coerência entre promessa e entrega, identidade clara e uma operação capaz de crescer com consistência. Sem isso, qualquer pico de visibilidade desaparece como poeira no retrovisor.

Aprendi essa lógica não nos livros, mas no caminho, ouvindo produtores, conversando com equipes, participando de reuniões técnicas, errando, ajustando e reconstruindo. Aprendi, como líder de marketing, que nenhuma estratégia sobrevive sem humildade, sem presença no campo e sem conexão verdadeira com pessoas. Marketing não é um departamento isolado, mas um centro vivo onde informação, propósito, dados e operação se encontram e ganham forma.

Ao longo dos anos, descobri que resolver com simplicidade é quase um superpoder. Em um ambiente em que muitos disputam quem complica mais, ser a pessoa que traduz, organiza e cria caminhos aderentes à realidade constrói uma confiança silenciosa. Essa confiança vale mais do que qualquer apresentação impecável. Simplicidade é direção, e direção move negócios.

Também percebi que as melhores respostas raramente nascem em reuniões formais. Elas surgem em conversas rápidas, em observações técnicas que quase passam despercebidas, em trocas espontâneas no dia a dia. A escuta ativa não é apenas uma habilidade comportamental, é uma ferramenta estratégica. Quem sabe ouvir, sabe decidir.

Esse percurso também me ensinou sobre humildade técnica. Em encontros de pesquisa e desenvolvimento ou em qualquer projeto orientado para o futuro, descobri o valor do silêncio que abre portas. Fazer perguntas sobre o que não conheço não reduz minha liderança. Pelo contrário, amplia. Permite transformar complexidade em direção e traduzir o conhecimento técnico para quem precisa executar. É assim que marketing deixa de ser espectador e se torna protagonista.

Mas a maior escola continua sendo o campo. É ali que a realidade opera. É ouvindo quem tem a chave, ou pelo menos conhece o caminho até ela, que o posicionamento ganha verdade. O campo reduz excessos teóricos e devolve clareza. Mostra onde está o valor, onde está a dor e onde está a oportunidade.

Nesse processo, descobri o poder dos encontros pequenos. Reuniões breves e informais, com poucas pessoas, são o melhor ambiente possível para decisões importantes. Sem filtros e sem formalidade excessiva, a comunicação flui, as resistências diminuem e as melhores soluções aparecem. Quando todos se sentem parte, tudo anda mais rápido e alcança distâncias maiores. O que parece pequeno, na prática, sustenta movimentos grandes.

Nenhuma área cresce sozinha. Marketing avança quando caminha junto com pesquisa, área comercial, comunicação, operação e fábrica. A ideia de que liderança é sinônimo de centralização pertence ao passado. Liderar é coordenar, integrar e orquestrar talentos.

E nessa orquestra existe um instrumento muitas vezes subestimado, a área de vendas. Vendas tem sua própria lógica, ritmo e pressão. Respeitar isso aproxima equipes, reduz ruídos e aumenta a assertividade. É impossível gerar valor sem compreender a vivência de quem está na linha de frente.

Com o tempo, aprendi também que dizer não faz parte da liderança, e esse não precisa vir com elegância, responsabilidade e humildade. Não para travar, mas para proteger. Toda estratégia exige limites claros. Um não bem comunicado é compreendido com empatia e alinhamento.

Dois aprendizados me acompanham desde então. O primeiro é o valor do inconformismo na medida certa. Existe uma inquietação boa, aquela que remove poeira, provoca perguntas e revela caminhos que ninguém estava enxergando. O excesso atrapalha, mas a ausência completa de inquietação paralisa. O segundo é olhar o futuro como ferramenta estratégica do presente. O futuro não é um lugar distante. É instrumento de decisão. O marketing que antecipa movimentos acerta antes. O que ignora o futuro reage tarde demais.

No fim, tudo converge para a mesma equação. Atenção só se transforma em valor quando existe estrutura, identidade, posicionamento consistente, narrativa clara e uma operação capaz de sustentar o crescimento. É assim que desejo vira mercado. É assim que marcas deixam de ser campanhas e passam a funcionar como sistemas vivos.

O marketing em que acredito não nasce do improviso. Nasce de pessoas. Nasce de escuta. Nasce do campo. Nasce da inquietação precisa. Nasce do futuro colocado a serviço do agora. E, acima de tudo, nasce de líderes que entendem que estruturar é tão fundamental quanto inspirar.

Só assim o que brilha permanece. Só assim a atenção se converte em valor. Só assim a marca se torna viva.

Carulina Pfingstag é engenheira agrônoma com pós-graduação em Recursos Humanos e MBAs em Liderança, Marketing, Branding, Negócios e Comunicação. Com mais de 25 anos de experiência em empresas como DuPont, BASF, Nufarm e Sipcam Nichino, liderou equipes de alta performance e projetos estratégicos no Brasil, Europa e Ásia. Atualmente, atua como consultora, palestrante e mentora, apoiando empresas e profissionais na construção de negócios e carreiras com intencionalidade, autenticidade e impacto duradouro. Conselheira formada pela Board Academy, é coautora do livro Os Conselheiros da Board Academy e membro do Comitê do Agro.

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