PESQUISADORA APONTA POTENCIAL ANTIMICROBIANO DA PROPÓLIS VERDE

Os extratos etanólico e concentrando da própolis verde apresentaram elevado potencial para inibir o desenvolvimento de bactérias Gram-positivas, responsáveis por doenças como gastroenterite, listeriose, meningite, infecções hospitalares e mastite bovina. Entre as bactérias inibidas pela substância estão o Bacillus cereus, Listeria monocytogenes, Staphju_678_p4_bylococcus aureus, Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis, estas duas últimas resistentes ao antibiótico Vancomicina.

O potencial da atividade antimicrobiana dos extratos foi demonstrado por um estudo da Unicamp, conduzido recentemente junto à Faculdade de En
genharia de Alimentos (FEA) pela pesquisadora Graciela Fujimoto. A autora do trabalho, desenvolvido como parte de sua tese de doutorado, caracterizou a composição e ação antimicrobiana da própolis verde. “Este tipo de própolis diferencia-se das demais, principalmente pela presença dos compostos fenólicos Artepelin C e Bacarina. São atribuídas as estas duas substâncias bioativas uma série de atividades biológicas benéficas ao organismo no combate e prevenção a doenças. Além disso, estes compostos não são encontrados em outros grupos de própolis”, revela a autora do estudo.

De acordo com Graciela Fujimoto, a própolis verde se destaca, por exemplo, pelo potencial de atividade antimicrobiana, antitumoral e antioxidante. Originária, no Brasil, do alecrim do campo, a substância é produzida por abelhas melíferas como uma proteção às colmeias contra o ataque de insetos e outros invasores. “O produto é formado quando as abelhas utilizam a saliva para coletar material de brotos, flores e plantas, transformando-os em uma resina. Na sua composição, a própolis apresenta resinas e bálsamos, ácidos graxos, óleos essenciais, pólen e outras substâncias orgânicas e minerais. A composição da própolis é dependente do tipo de vegetal de onde as abelhas coletam material para produzirem o produto. Atualmente, um estudo liderado pelo professor da Unicamp Yon Kun Park dividiu a própolis brasileira em 13 grupos, classificados especialmente de acordo com os compostos fenólicos que possuem”, explica.

A própolis utilizada nos experimentos foi coletada em um apiário credenciado à Associação de Apicultores localizado no município de Capão Bonito (SP), importante região para a produção de mel e própolis no Estado de São Paulo. “Este tipo de própolis já é comercializada, sempre com um valor agregado em relação aos demais grupos, com exceção da vermelha, que também possui fenólicos exclusivos. Normalmente, por conta do valor agregado, quando a própolis é verde, esta informação já vem declarada no rótulo da embalagem”, informa.

A pesquisa de Graciela Fujimoto foi orientada pelo professor Arnaldo Yoshiteru Kuaye, que atua no Departamento de Tecnologia de Alimentos da FEA. Da mesma unidade, houve colaboração do professor Yon Kun Park, nos estudos de caracterização da própolis. Uma parte dos experimentos foi realizada em parceria com a Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) de Capão Bonito, onde, aju_678_p4_atualmente, Graciela Fujimoto leciona no curso de graduação em Tecnologia em Agroindústria.

A autora do estudo relata que o trabalho foi delineado em três etapas. Além da caracterização sobre a composição fenólica e atividade antimicrobiana, foi avaliada a influência da própolis verde na capacidade de adesão das bactérias Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis em superfície abiótica e em aço inoxidável, bastante utilizado na indústria de alimentos.

Graciela Fujimoto situa que as bactérias Enterococcus estão presentes naturalmente em diversos produtos lácteos. Ela pondera, no entanto, que as Enterococcus são patógenos oportunistas, capazes de se associarem a outras bactérias, podendo expressar e transferir genes de virulência e de resistência a múltiplos antibióticos, como no caso da Vancomicina. “Na segunda fase do trabalho avaliamos o extrato alcóolico da própolis verde na inibição da capacidade de adesão destes microrganismos. Normalmente, quando um microrganismo vai causar uma infecção, ele tem que formar uma estrutura chamada de biofilme. Verificamos se a própolis poderia inibir essa capacidade de formação de biofilme. Seria um efeito protetor contra o microrganismo”, esclarece.

Nesta etapa, os resultados apontaram que a própolis verde se mostrou bastante eficiente: o extrato etanólico inibiu o desenvolvimento das bactérias Enterococcus resistentes à Vancomicina e também a capacidade de formação do biolfime, impedindo que os microrganismos causem um processo de infecção.

Graciela Fujimoto ressalta que, apesar do elevado potencial de atividade biológica da própolis verde, ainda não havia estudos correlacionando a ação inibitória da substância em mecanismos de adesão, como os biofilmes, em bactérias patogênicas. “Estes resultados apontam que o extrato etanólico de própolis verde pode ser uma alternativa para o tratamento contra as bactérias Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis, resistentes à Vancomicina. Além disso, abre-se a perspectiva para o desenvolvimento de medicamentos à base desse composto”, exemplifica.

Paralelamente à avaliação do extrato etanólico, a pesquisadora analisou também o extrato concentrado da própolis, não alcóolico. Neste caso, ela explica que, tanto em relação à inibição das bactérias Gram-positivas, como à formação de biofilme pelas bactérias Enterococcus, o extrato etanólico se mostrou mais eficiente do que o concentrado. “Especialmente em relação à formação de biofilme, observou-se que em determinadas concentrações o extrato concentrado promoveu maior adesão que o tratamento controle, sem a própolis. Uma possível explicação é que o extrato etanólico possui maior capacidade de penetração na célula microbiana por conta do álcool etanol, que é empregado como solvente”, diz.

Foto 1 – Pesquisadora Graciela Fujimoto.

Foto 2 – Alecrim do campo, do qual se origina a própolis verde: substância é produzida por abelhas melíferas.

Crédito: Divulgação Unicamp

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