Quando aderiu ao Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC), em 2013, aCírculo já tratava de maneira correta os seus resíduos e, mais do que isso,
pensava em maneiras de aproveitá-los cada vez melhor. Em 2014, o movimento
trouxe para a empresa novos desafios na união entre a sustentabilidade e o
design. Deste alinhamento de temáticas com perspectivas diferentes de cada
lado, foi apresentado no final do último ano o LIX.
O fio foi desenvolvido através de resíduos da produção da empresa de Gaspar
(SC). Este material, em última instância, se tornava adubo. E aí as reflexões
da equipe e das estudantes participantes do SCMC trouxeram à tona uma pergunta:
porque ele não pode voltar a ser um fio? E podia. Depois dos estudos realizados
durante 2014, o projeto resultou num produto com uma qualidade acima da média e
totalmente sustentável – desde a matéria-prima até a coloração.
Neste ano 10 do SCMC, os profissionais podem propor uma nova temática para
estudar nos próximos meses e levar para o design camp, que ocorre em novembro,
em Florianópolis (SC) e vai reunir os associados, os estudantes e vários
especialistas para debater soluções. A Círculo decidiu seguir com o LIX e agora
vai pensar na viabilização do produto enquanto marca, público e distribuição.
De acordo com Osni de Oliveira Júnior, gerente de marketing, a ideia agora é
pensar nas estratégias para levar esse produto ao mercado. “O desafio é que o
LIX é para um público diferente do nosso habitual, mas entendemos que ele tem
muito potencial para ser um item de design para moda ou decoração”, conta.
De acordo com Junior, um dos motivos que incentivam a empresa a aderir ao SCMC foi a vontade e a necessidade de pensar em inovação. “Nos últimos anos, todos os nossos lançamentos seguiram essa linha guia e tiveram sucesso. Cerca de 70% dos grandes sucessos de hoje não existiam há quatro ou cinco anos”, comenta.A Círculo completa 78 anos em janeiro de 2016. Embora seja especialista em produtos para trabalhos manuais, a empresa percebe que o consumidor mudou. “Sabemos que hoje o nosso público está além das pessoas com mais idade, que fazem seu crochê. Há um resgate muito forte não só do patchwork, mas também do chamado handmade (feito à mão) para todos os públicos e precisamos inovar para atingir a todos esses consumidores”, afirma Junior.
Ainda de acordo com o executivo, o SCMC trouxe uma quebra de paradigmas que afetou desde a diretoria até os profissionais ligados diretamente ao produto. Segundo Junior, o movimento mudou um pouco a cultura do “não tem como fazer isso”, ou do “não dá”. “Quando convivemos com estudantes, por exemplo, nossa primeira reação é pensar que o que eles propõe é impossível, que eles não conhecem o mercado. Mas, quando pensamos naquelas ideias sob outras perspectivas e saímos na nossa zona de conforto pela primeira vez, entendemos que inovar é deixar essas frases de lado”, diz. “A equipe tem evoluído muito e tudo isso impacta no produto final”, complementa.
O SCMC está no ano 10 e reúne 18 empresas e entidades de ensino que acreditam que é possível, através da descoberta de uma identidade de moda e design, criar desejo por produtos e marcas produzidos no estado.
São elas: Altenburg, Audaces, Cia. Hering, Círculo, Coratex, Dudalina, Elaiá, Elegance, Fakini, HI Etiquetas, Karsten, Lancaster, Lepper, Loa Underwear, Marisol, Meu Móvel de Madeira, Printbag e Tecnoblu.
Foto 1: LIX foi desenvolvido para o projeto apresentado no ano 9 do SCMC.
Foto 2 – No projeto do ano 10 do SCMC, a Círculo vai estudar a comercialização do LIX.
Crédito: Divulgação.