APÓS CAMINHONEIROS, AS TRANSPORTADORAS DE CARGA TAMBÉM DEVEM PARAR AS RODOVIAS DO BRASIL?

APÓS CAMINHONEIROS, AS TRANSPORTADORAS DE CARGA TAMBÉM DEVEM PARAR AS RODOVIAS DO BRASIL?

05 de março de 2015.
ARTIGO DE VALDIR SANTOS
Convivemos recentemente com um movimento de greve que causou transtornos
à sociedade em todo o Brasil. O movimento grevista dos caminhoneiros citava a
alta dos preços dos combustíveis, dos pedágios e dos valores dos tributos sobre
o transporte como fatores das ações. Após
a Presidente Dilma sancionar a Lei dos Caminhoneiros sem veto, este
ato funcionou como um acordo
entre governo e caminhoneiros
 
para o desbloqueio de rodovias no país.
Nos anos 80 e 90, novas paralisações de
transportadores autônomos bloquearam estradas em vários estados e vias
expressas das grandes cidades brasileiras, causando desabastecimento em alguns
setores. No vizinho Chile do socialista Salvador Allende, a greve dos
caminhoneiros no final de 1972 foi mais longe: ajudou a desestabilizar o país e
abriu o caminho para o golpe militar que derrubou, no ano seguinte, o
presidente eleito democraticamente. Em meio ao movimento pró-Impeachment da Presidente Dilma, que terá seu
ápice em 15 de março de acordo com as mobilizações em redes sociais, não
acredito que este tenha sido o objetivo dos grevistas, por um simples motivo:
temos realmente um cenário obscuro no transporte rodoviário brasileiro.
Chamamos
a atenção, porém, para que não sejam esquecidos os empresários do setor de
transporte, pois além de todas as dificuldades são os geradores de emprego
deste grande segmento no Brasil. Os problemas citados pelos autônomos afetam
diretamente as empresas de transportes.
Nos últimos anos, a
maioria das transportadoras ficou sem condições de investimentos com tanto
aperto que sofreram, enfim, SUCATEARAM NOSSAS FROTAS E O PIOR: TRATARAM AS
TRANSPORTADORAS COMO SE FOSSEM CAMINHONEIROS AUTÔNOMOS (a comparação não pode
ser realizada, pois, com todo o respeito, os caminhoneiros autônomos possuem
somente – na maioria das vezes – apenas um caminhão).
Esqueceram, portanto, a grande
quantidade de empregados nas operações, além da própria estrutura que deve ser
mantida para o serviço de transporte, entre tantos outros fatores.
Devemos
também parar as rodovias para sermos reconhecidos como empresários geradores de
riquezas, de divisas e de empregos para o Brasil?
Valdir Santos 
é Presidente da Transportadora ASA EXPRESS

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