REFORMA TRIBUTÁRIA: NOVE EM CADA DEZ EMPRESAS DA REGIÃO DE CAMPINAS AINDA NÃO CONCLUÍRAM ADAPTAÇÃO

REFORMA TRIBUTÁRIA: NOVE EM CADA DEZ EMPRESAS DA REGIÃO DE CAMPINAS AINDA NÃO CONCLUÍRAM ADAPTAÇÃO

Nove em cada dez empresas consultadas na região de Campinas ainda não concluíram a adaptação à Reforma Tributária. O cenário é apontado por uma pesquisa inédita realizada pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas da Região Metropolitana de Campinas (Sescon Campinas), que ouviu 113 empresas associadas entre julho e agosto de 2026. Os resultados revelam dificuldades para compreender as novas regras, avaliar os impactos financeiros e preparar as estruturas operacionais para a transição ao novo modelo de tributação.

De acordo com o levantamento, 60,2% das empresas ainda estão estudando os efeitos da reforma, enquanto 8,8% sequer iniciaram o processo de adaptação. Outras 24,8% estão com a implantação em andamento e 2,7% concluíram o planejamento. Apenas 3,5% afirmam estar totalmente adaptadas ao novo sistema.

A situação preocupa especialmente pelo perfil das organizações participantes. Segundo a pesquisa, 87,6% possuem até 50 colaboradores e, em geral, dispõem de estruturas mais enxutas para acompanhar as mudanças legislativas, revisar processos internos, capacitar equipes e implementar adequações tecnológicas.“Uma empresa que ainda não avaliou os impactos da reforma pode descobrir tarde demais que precisa rever preços, contratos, margens e até sua relação com fornecedores. Não é uma mudança restrita ao departamento fiscal. Ela pode afetar diretamente o custo da operação e a competitividade do negócio”, afirma Claudia Di Fonzo, presidente do Sescon Campinas.

Falta de clareza é o principal obstáculo

A dificuldade de compreender as novas regras aparece como o maior entrave à preparação das empresas. Para 38,9% dos entrevistados, a falta de clareza sobre a regulamentação é o principal obstáculo à adaptação. O despreparo dos clientes foi mencionado por 21,2%, enquanto a necessidade de capacitação das equipes foi apontada por 17,7%. Já 15% destacaram a falta de tempo para conduzir o processo.

A insegurança também se reflete na avaliação que os próprios empresários fazem de sua capacidade de operar sob o novo sistema. Em uma escala de zero a dez, a confiança média das empresas ficou em 5,74, indicando que ainda há dúvidas e incertezas a serem superadas antes da consolidação das mudanças.

Para Claudia Di Fonzo, a ausência de uma análise antecipada pode comprometer a saúde financeira e a competitividade dos negócios. “Na prática, muitas empresas ainda não sabem calcular como a reforma poderá afetar o preço final de seus produtos ou serviços. Sem essa análise, existe o risco de manter um preço que reduza a margem de lucro ou de repassar custos de forma inadequada e perder competitividade. Por isso, essa preparação precisa começar antes que os efeitos financeiros apareçam”, explica.

Maioria prevê aumento da carga tributária

A pesquisa também identificou preocupação com o possível impacto da reforma sobre o volume de tributos pagos pelas empresas. Para 82,3% dos participantes, a carga tributária deverá aumentar com o novo modelo.

Em relação à expectativa de simplificação do sistema, as opiniões estão divididas. Enquanto 51,3% acreditam que a reforma tornará a tributação mais simples, 48,7% não esperam essa melhoria. O resultado evidencia que quase metade das empresas consultadas ainda não está convencida de que as mudanças proporcionarão uma rotina tributária menos complexa.

As percepções registradas pelo levantamento reforçam a necessidade de ampliar o acesso a informações confiáveis e de aprofundar as análises sobre os efeitos da reforma em cada atividade econômica. Os impactos, entretanto, não serão necessariamente iguais para todas as empresas, pois dependerão de fatores como estrutura de custos, regime tributário, cadeia de fornecedores e perfil dos clientes.

Setor de serviços concentra as preocupações

Entre os segmentos econômicos, o setor de serviços foi apontado como aquele que deverá sofrer os maiores impactos da Reforma Tributária, com 96 menções dos entrevistados. A indústria, o comércio varejista e a construção civil também aparecem entre os setores mais citados.

Segundo a presidente do Sescon Campinas, a preocupação com os serviços está relacionada, principalmente, ao peso da mão de obra na estrutura de custos e à menor possibilidade de geração de créditos tributários em determinadas atividades. Ela ressalta, porém, que cada organização precisa avaliar individualmente os efeitos das mudanças.

Duas empresas que atuam no mesmo segmento podem enfrentar consequências diferentes, dependendo de suas características operacionais, da composição dos custos e do perfil de suas operações comerciais.

Nesse contexto, o contador terá papel estratégico na transição, contribuindo para interpretar as regras, elaborar cenários e identificar riscos. A participação dos empresários, contudo, será indispensável para que as análises se transformem em decisões concretas. “O contador pode apresentar cenários e identificar riscos, mas a empresa precisa fornecer informações e compreender que as decisões não serão apenas tributárias. Poderá ser necessário rever contratos, investimentos, fornecedores e estratégias de precificação. Quanto antes esse trabalho começar, menor o risco de decisões apressadas”, ressalta Claudia.

Capacitação e planejamento são essenciais

Diante dos desafios identificados, o Sescon Campinas tem promovido encontros, palestras e capacitações sobre a Reforma Tributária, com o objetivo de preparar os profissionais contábeis e ampliar sua capacidade de orientar as empresas durante o período de transição.

O levantamento indica que a adaptação ao novo sistema exige uma abordagem que vá além do cumprimento das obrigações fiscais. A revisão de contratos, a análise da formação de preços, a avaliação das margens de lucro e o planejamento financeiro passam a integrar as discussões estratégicas necessárias para reduzir riscos e preservar a competitividade.

O Sescon Campinas é um sindicato patronal que representa empresas de serviços contábeis e de assessoramento, perícias, informações e pesquisas. A entidade atua na defesa dos interesses de seus associados, na negociação de convenções coletivas das 64 categorias representadas e na promoção do desenvolvimento tecnológico, sociocultural e ético do setor.

Sua base territorial abrange 18 municípios: Campinas, Americana, Artur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Itatiba, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

Os resultados da pesquisa reforçam que a preparação para a Reforma Tributária ainda representa um desafio significativo para as empresas da região de Campinas. Com a maioria das organizações ainda em fase de estudo, a antecipação das análises e o trabalho conjunto entre empresários e profissionais contábeis serão fundamentais para orientar decisões e minimizar eventuais impactos sobre custos, preços e resultados.

Foto: Claudia Di Fonzo, presidente do Sescon Campinas.

Crédito: Divulgação.

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