AULAS ONLINE E INDEFINIÇÃO DO CALENDÁRIO ESCOLAR GERAM ANGÚSTIA PARA PAIS, FAMILIARES E CUIDADORES DE CRIANÇAS

A presença dos alunos nas escolas está entre os temas mais debatidos neste “novo normal” da Covid-19 desde o início da pandemia no Brasil. Pais, mães, familiares, educadores e demais profissionais envolvidos no desenvolvimento infantil questionam: É seguro reabrir as escolas? Como se daria o contágio entre menores de 10 anos, se não houvesse suspensão? Quais os impactos das aulas on-line para os alunos? Como adequar confinamento, trabalho home office e auxílio escolar aos pequenos? O ano letivo deveria ser suspenso?

Um universo de dúvidas que é ainda mais angustiante para famílias de alunos que apresentam transtornos de aprendizagem ou linguagem como a Dislexia, a Discalculia; as Alterações de Processo Auditivo, a Disgrafia e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Desenvolvimento de Linguagem (TDL) e autismo. “Para essas crianças a dificuldade é certamente maior uma vez que, além da perda dela mesma, tem o ambiente externo atual, que evidencia inclusive lacunas que as escolas apresentam com relação a inclusão. E também os pais passam a ter uma visão mais clara do quadro e das superações diárias de seu filho, sua filha!”, alerta a médica otorrinolaringologista pediátrica, com especialização em foniatria, Juliana Cardoso Bertoncello.

A especialista avalia ainda sobre a questão da dificuldade de linguagem. “Se muitos adultos sentem que o universo online exige mais energia na interação quando espera a resposta do outro lado (seja trabalho ou estudo), é fácil compreender que a criança que já tem uma dificuldade de linguagem pode não estar entendendo nada, porque a velocidade auditiva dela está muito ruim e isso dificulta mais”, diz.

Sendo assim, a médica acredita que o ideal neste momento é não estressar essas crianças com, por exemplo, a excessiva preocupação de um rendimento nas aulas online. “A hora é de paz, o foco tem que estar nas terapias e na tranquilidade da criança. E quando as aulas retornarem, aí sim procurar metas viáveis de desenvolvimento”, orienta. “O ambiente escolar real é bem diferente do ambiente virtual. Para a criança ter uma boa compreensão não só acadêmica ou mesmo de uma linguagem, o apoio do toque e do visual faz muita diferença. A velocidade do processamento auditivo de uma criança normal, sem atraso de linguagem, tem uma velocidade menor do que a de um adulto. Quando você está no presencial, a professora terá o toque, vai ver pela carinha se a criança entendeu a proposta, diferente quando está no ambiente virtual.” diz.

Estatísticas

De acordo com entidades médicas, as alterações da fala e da linguagem constituem o problema mais frequente no desenvolvimento infantil, com incidências que variam entre 2 a 19%, dependendo do diagnóstico. “É muito importante estarmos atentos ao desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. As vezes os atrasos de linguagem são sinais de outros diagnósticos como autismo ou uma perda auditiva”, diz Juliana.

Atenção redobrada

A médica otorrinolaringologista pediátrica, Juliana Cardoso Bertoncello avalia a postura dos pais em relação aos filhos neste período de isolamento social.  “Nesses meses de Pandemia, com o isolamento social, os pais têm permanecido mais atentos aos filhos e eu venho percebendo que estão chegando mais precocemente ao meu consultório. Por outro lado, sabemos que a escola tem o papel do estímulo e da sociabilização, da formação do vocabulário e que isso precisa ser mantido em casa, então os pais devem redobrar a atenção com relação aos sinais para as manifestações de atraso de linguagem e aprendizagem”, diz.

Embora cada criança se desenvolva em seu próprio ritmo, existe uma espécie de cronograma geral que pode servir como guia. O atraso de linguagem e fala das crianças é um dos problemas mais comuns em pré-escolares e já pode ser detectado a partir dos 2 anos de idade. Quando a criança apresenta o atraso de linguagem, ela pode se tornar agressiva, arredia e desenvolver comportamentos inadequados pela incapacidade de comunicação. “Nesta época de pandemia, ela  começará a dar pistas durante as aulas online como ficar irritada, ter pouca concentração, principalmente as menores. Por isso, as atividades devem ser muito lúdicas e a intervenção precoce é fundamental para o diagnóstico do atraso de linguagem. Se for um atraso simples devido a um estímulo simples, vamos conversar com os pais e orientar como corrigir isso na criança, ou um problema auditivo, quanto mais precoce for o atendimento melhor para evitar distúrbios maiores desde síndromes ou autismo” , explica a médica. “Muitas mães acham normal o filho não falar até os 3 anos de idade. Isso não é normal porque a criança tem que ter uma linguagem completa e desenvolvida nesta fase, formando frase”, completa.

 

Foto: Médica otorrinolaringologista pediátrica, com especialização em foniatria, Juliana Cardoso Bertoncello.

Crédito: Divulgação.

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