CANAL VERMELHO PODE PREJUDICAR EMPRESAS DE CAMPINAS

Os auditores fiscais da Receita Federal que promovem operações padrão desde julho deste ano para exigir que o governo do presidente Michel Temer cumpra com o acordo firmado em março no governo da ex-presidente Dilma Rousseff e conceda reajuste de 21,3% dividido em quatro anos e um bônus de R$ 3 mil pode radicalizar o movimento e parametrizar 99% das carga4644alta_jose-nunes-filho_ciesp_credito-roncongraca-comunicacoes-copias importadas que chegam aos portos e aeroportos brasileiros para o canal vermelho.

Dentro da Receita Federal, há canais de parametrização. Cada um deles determina uma forma de análise mediante o despacho aduaneiro. No caso de seleção para o canal vermelho, há, além da conferência documental, a conferência física da mercadoria, no qual a liberação da carga importada pode levar até 30 dias.

O diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas, José Nunes Filho, disse que a medida pode levar ao caos. “Na verdade  que o sindicato dos Auditores Fiscais está propondo e parametrizando 99% das cargas para o canal vermelho. Um canal vermelho hoje demora em torno de um mês para ser liberado. Nós teríamos um verdadeiro caos na cidade com as empresas desabastecidas, o capital de giro sumindo, pois fica parado no aeroporto com a carga retida, além disso esse armazenamento no aeroporto é pago, então é um prejuízo imenso”, diz.

O diretor do Ciesp Campinas, José Nunes Filho,  disse ainda que 90% da indústria regional depende de importação de componentes eletrônicos, mecânicos e de matérias primas farmacêuticas.  “São produtos produzidos em outros países e nós dependemos disso para tocar a nossa empresa, ao mesmo tempo que vamos atrasar as nossas exportações também porque não vamos ter matéria prima para produzir”, comenta.

O aeroporto de Viracopos chegou a ser um dos mais afetados, com demora na liberação de cargas e até perda de competitividade durante as operações padrão. O Ciesp Campinas conseguiu uma liminar para amenizar os problemas, mas ainda não há uma definição se com relação ao canal vermelho essa ordem liminar judicial será válida.

A balança comercial das empresas associadas ao Ciesp Campinas acumulou no período de janeiro a outubro US$ 2,48 bilhões em exportações e US$ 6,87 bilhões em importações, o que representa uma queda de 2,8%nas exportações e de 17,9% nas importações em comparação com igual período de 2015. O saldo comercial apresentou uma redução do déficit em 24,5%.

Na pauta exportadora  do Ciesp Campinas, a categoria de Máquinas, aparelhos mecânicos e suas partes desponta como a mais representativa no acumulado de 2016. Com US$ 394,6 milhões exportados, houve uma retração de 11,6% em relação ao mesmo período de 2015 quando chegou a US$ 446,3 milhões.

A categoria Produtos farmacêuticos exportou US$ 195,6 milhões em 2016. No ano passado o volume exportado chegou a US$ 177,3 milhões, ou seja, um crescimento de 10,3% entre os períodos.

A categoria de Produtos Plásticos e derivados foi o terceiro grupo com maior valor exportado no acumulado do ano, totalizando US$ 194, 2 milhões, o que representa um aumento de 51,4% em relação a 2015, quando o valor atingiu US$ 128,3 milhões.

 

Foto: Diretor do Ciesp Campinas, José Nunes Filho.

Crédito: Roncon & Graça Comunicações.

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