
O caso envolvendo a Fanini Invest passou a ganhar repercussão após milhares de investidores relatarem dificuldades para o cumprimento de contratos e para a restituição de valores aplicados. Os relatos concentram-se, principalmente, na forma como as ofertas de investimento eram divulgadas ao público, levantando questionamentos sobre a regularidade do modelo adotado e sua conformidade com as regras do mercado financeiro brasileiro.
De acordo com informações reunidas junto a investidores e pessoas que acompanham o caso, a Fanini Invest se apresentava como uma empresa atuante no mercado financeiro, alegando realizar investimentos em diferentes frentes, incluindo operações de day trade na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) e outras estratégias de trading. Christian Fernando Damasceno Fanini, apontado como fundador e responsável pela iniciativa, se apresentava publicamente como trader profissional e promovia oportunidades com promessa de rendimentos de até 1% ao dia — o que poderia representar retornos mensais estimados entre 30% e 40%.
Esse tipo de promessa atraiu investidores de diferentes perfis, muitos deles sem experiência prévia no mercado financeiro. A empresa tinha sede em Curitiba (PR), mas a captação de recursos teria ocorrido de forma descentralizada, com forte presença na região de Atibaia, no interior de São Paulo. Estimativas apontam que cerca de 3.000 pessoas na região teriam sido atraídas pelas propostas ao longo do tempo.
Relatos também indicam que parte das vítimas estaria ligada a uma conhecida emissora de televisão de alcance nacional, o que contribuiu para ampliar a visibilidade do caso e o volume de questionamentos públicos em torno das ofertas divulgadas. A informação tem sido mencionada por investidores e pessoas próximas ao caso, sem identificação individual dos envolvidos.
Segundo apontamentos feitos por investidores, o volume de recursos prometido ou envolvido nas propostas pode ter alcançado aproximadamente R$ 180 milhões. Parte dos investidores e analistas descreve o modelo apresentado como associado a estruturas típicas de pirâmide financeira envolvendo criptoativos, em razão da promessa de retornos elevados e da dependência contínua da entrada de novos aportes. Essa classificação, no entanto, ainda é objeto de análise.
A divulgação das propostas ocorreu por meio de plataformas digitais, eventos presenciais, cursos e treinamentos. Essa estratégia ampliou o alcance das ofertas ao público em geral e reforçou a imagem de profissionalização e legitimidade da iniciativa. Com o passar do tempo, no entanto, investidores passaram a relatar dificuldades relacionadas a pagamentos, solicitações de saque e à obtenção de informações claras sobre a destinação dos valores investidos e o funcionamento efetivo das operações anunciadas.
Para o advogado Jorge Calazans, especialista em casos envolvendo fraudes financeiras e que representa algumas das vítimas relacionadas ao caso Fanini Invest, situações como essa seguem um padrão já observado em outros episódios semelhantes. “Em cenários como esse, costuma haver a combinação de promessas de rentabilidade elevada com estruturas que se apresentam como sofisticadas e técnicas. Dependendo das circunstâncias, podem ser analisadas condutas relacionadas à captação irregular de investidores, atuação semelhante à de instituição financeira sem autorização e até hipóteses de estelionatos em sequência ou de uma estrutura próxima à de pirâmide financeira com uso de criptoativos. São aspectos que precisam ser avaliados com cautela”, afirma.
As informações reunidas até o momento têm servido de base para a adoção de medidas por parte de investidores e de seus representantes legais. Enquanto isso, os elementos relacionados às ofertas divulgadas pela Fanini Invest seguem sendo analisados no contexto do caso, que continua a gerar questionamentos sobre os limites entre estratégias de investimento, publicidade financeira e possíveis irregularidades no mercado.
Foto: Advogado Jorge Calazans.
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