Pressionados por longas jornadas de plantão, remuneração considerada insuficiente por parte dos convênios e pela falta de autonomia na condução dos atendimentos, médicos de diferentes especialidades vêm buscando um novo caminho profissional: o empreendedorismo.

A transição, no entanto, exige planejamento. Para transformar competência técnica em um negócio sustentável, muitos profissionais têm recorrido a especialistas em marketing e gestão de carreira. Entre eles está Val Freire, estrategista com mais de 20 anos de experiência e atuação focada em marketing médico.
Segundo ela, o problema começa ainda na formação universitária. “O médico sai da residência como um profissional tecnicamente impecável, mas um gestor completamente leigo. Ele é jogado em um sistema que o remunera mal, consome seu tempo e o impede de praticar a medicina com a qualidade e a atenção que gostaria. O resultado é o esgotamento profissional e a sensação de que todo o esforço não é recompensado”, afirma.
A ausência de disciplinas voltadas à gestão, finanças e posicionamento de mercado deixa muitos profissionais despreparados para enfrentar um ambiente cada vez mais competitivo. Nesse contexto, o empreendedorismo surge não apenas como alternativa financeira, mas como estratégia de sobrevivência e qualidade de vida.
Um caso relatado pela estrategista ilustra esse cenário. Após ser feito refém por um paciente armado durante um plantão em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), um médico decidiu mudar radicalmente sua trajetória. Com apoio estratégico, iniciou atendimentos em um coworking. Em 18 meses, inaugurou o próprio consultório em um centro empresarial, conquistando independência financeira e maior controle sobre sua agenda.
Val Freire conduz esse processo por meio da consultoria PreparaAção, com uma metodologia chamada “2º Ato”. A proposta parte de um planejamento estratégico individualizado, que inclui metas de curto, médio e longo prazo, além de organização financeira para a transição do modelo de plantões e convênios para o atendimento particular.
A abordagem se diferencia das agências que oferecem soluções padronizadas, como pacotes de publicações em redes sociais. “Muitos médicos acreditam que marketing é apenas ter um perfil ativo no Instagram. Isso é uma visão superficial que gera frustração. O que proponho é uma mudança de mentalidade: o médico precisa se enxergar como empreendedor e seu consultório, como uma empresa. Isso envolve desde o planejamento financeiro até a criação de uma experiência de paciente que justifique o atendimento particular”, explica.
A construção de autoridade profissional, segundo a especialista, vai além de diplomas e títulos. Envolve posicionamento claro, comunicação estratégica e respeito às normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que regulamenta a publicidade médica no país.
Com o aumento do número de faculdades de medicina e a consequente ampliação da oferta de profissionais, a diferenciação tornou-se fator decisivo para quem deseja atuar de forma independente. Nesse cenário, o marketing ético e o planejamento empresarial ganham protagonismo. “Meu trabalho é transformar competência médica em autoridade sustentável. O talento não pode ser desperdiçado por falta de estratégia. Um médico que controla sua carreira, seu tempo e suas finanças não apenas vive melhor, mas também oferece um serviço de maior qualidade ao paciente. É um ciclo virtuoso onde todos ganham”, conclui Val Freire.
O movimento ainda é silencioso, mas aponta para uma mudança estrutural na forma como parte da classe médica enxerga a própria carreira — menos dependente de plantões e convênios, mais orientada à autonomia, gestão e visão de longo prazo.
Foto: Val Freire, estrategista com mais de 20 anos de experiência e atuação focada em marketing médico.
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