
A indústria da região de Campinas enfrenta um cenário de pressão crescente provocado pelo ambiente do comércio exterior, pelos custos de produção e pela retração da atividade econômica. É o que aponta a Pesquisa de Sondagem Industrial de agosto, realizada pela Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com empresas associadas.
De acordo com o levantamento, 73% das indústrias consultadas identificam algum impacto direto relacionado às oscilações do comércio exterior. Entre os principais obstáculos apontados estão a concorrência de produtos importados de baixo custo, as barreiras às exportações e o aumento dos custos decorrentes da carga tributária e tarifária.
Para 27% das empresas participantes, a concorrência desleal com produtos importados de baixo custo é o principal obstáculo ao crescimento. Outros 18% apontaram como dificuldade as barreiras e tarifas impostas às exportações brasileiras por mercados externos. O mesmo percentual, de 18%, citou o encarecimento da produção provocado pela carga tributária e tarifária, que dificulta o fechamento de vendas.
O aumento dos custos de importação de insumos e matérias-primas considerados cruciais foi apontado por 10% das empresas como o principal entrave.
Por outro lado, 27% das empresas afirmaram não sentir impacto direto das oscilações do comércio exterior.
Na avaliação do diretor da Regional Campinas do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa, os resultados evidenciam a influência do chamado Custo Brasil sobre a competitividade da indústria regional. “O custo Brasil está implícito nessas respostas, impactando de forma direta a indústria regional”, afirmou.
José Henrique Toledo Corrêa também destacou que os resultados da Sondagem de agosto estão alinhados com tendências identificadas em levantamentos anteriores e indicam um ambiente de retração da economia. “Os indicadores dessa Sondagem mostram tendência de retração da economia. Atividade produtiva, vendas, capacidade de produção, nível de emprego, ou seja, estamos vivendo um momento tenso. Não sabemos onde vamos parar. Não há aumento de consumo, nem de compras e nem de pedidos”, acrescentou.
Exportações avançam, mas déficit permanece elevado
Os números da balança comercial da Regional Campinas do Ciesp também mostram um cenário de forte movimentação do comércio exterior, embora marcado por um elevado déficit.
Segundo o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, o ambiente internacional de negócios vem sofrendo os efeitos da crise no Oriente Médio e da guerra entre Rússia e Ucrânia. Para ele, os dados de agosto e setembro serão importantes para identificar com maior clareza a tendência do comércio exterior regional.
Em julho de 2026, as exportações da região somaram US$ 344 milhões, valor 7,75% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, as vendas externas chegaram a US$ 2,1 bilhões, alta de 5,10% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
As importações, por sua vez, totalizaram US$ 1,4 bilhão em julho, crescimento de 2,23% sobre julho de 2025. No acumulado de 2026, chegaram a US$ 8,1 bilhões, praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 0,06%.
Com isso, o déficit da balança comercial regional alcançou US$ 1,1 bilhão em julho, aumento de 0,67% na comparação anual. No acumulado do ano, o saldo negativo é de US$ 6 bilhões, redução de 1,62% em relação ao mesmo período de 2025.
A corrente de comércio exterior — soma das exportações e importações — movimentou US$ 1,8 bilhão em julho, crescimento de 3,23% sobre julho do ano passado. No acumulado de 2026, o volume chegou a US$ 10,3 bilhões, alta de 1,7%.
Campinas lidera exportações
Entre os municípios integrantes da Regional Campinas do Ciesp, Campinas liderou as exportações em julho, respondendo por 33,49% do total. Na sequência apareceram Paulínia (22,12%), Mogi Guaçu (9,60%), Sumaré (8,27%) e Hortolândia (6,84%).
No fluxo de importações, Paulínia ocupou a primeira posição, com 45,17%, seguida por Campinas (23,43%), Sumaré (9,73%), Hortolândia (7,18%) e Jaguariúna (6,57%).
Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações da indústria regional em julho, com US$ 60,05 milhões, equivalentes a 17,43% do total. A Argentina ficou em segundo lugar, com US$ 48,01 milhões (13,94%), seguida pela China, com US$ 19,01 milhões (5,52%).
No sentido inverso, a China foi a principal origem das importações, com US$ 463,75 milhões, ou 31,31% do total. Os Estados Unidos responderam por US$ 229,06 milhões (15,46%), enquanto a Índia representou US$ 121,65 milhões (8,21%).
Os dados da Sondagem Industrial e da balança comercial mostram, assim, um cenário de contrastes para a indústria da região. Enquanto as exportações mantêm trajetória de crescimento, a forte dependência de importações, o déficit comercial elevado e os impactos de tarifas, custos e concorrência internacional aumentam a pressão sobre a competitividade das empresas.
Para o Ciesp-Campinas, o comportamento dos indicadores nos próximos meses será fundamental para determinar se o movimento atual representa uma desaceleração pontual ou o início de um processo mais prolongado de retração da atividade industrial regional.
Foto: José Henrique Toledo Corrêa (Diretor do Ciesp-Campinas) e Anselmo Riso (Diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas.
Crédito: Roncon & Graça Comunicações.