CONSERVAÇÃO QUE COMEÇA PELAS PESSOAS – INICIATIVA UNE EMPRESAS E COMUNIDADES PARA PROTEGER ELEFANTES E RINOCERONTES NA ÁFRICA

CONSERVAÇÃO QUE COMEÇA PELAS PESSOAS – INICIATIVA UNE EMPRESAS E COMUNIDADES PARA PROTEGER ELEFANTES E RINOCERONTES NA ÁFRICA

Nas últimas cinco décadas, a população de elefantes africanos caiu cerca de 70%, segundo dados de organizações internacionais de conservação divulgados pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). No mesmo período, rinocerontes passaram a figurar entre as espécies mais ameaçadas do planeta, pressionados pela caça ilegal, pela perda de habitat e por desigualdades sociais profundas nas regiões onde vivem.

Os números ajudam a explicar por que a preservação da vida selvagem deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ocupar espaço relevante em debates sobre comportamento, economia e responsabilidade empresarial. É nesse contexto que se destaca o trabalho da Elephants, Rhinos & People (ERP), organização que atua em países africanos com uma abordagem que vai além da proteção dos animais.

A premissa da entidade é direta: não existe conservação possível sem cuidar das pessoas que vivem ao redor das áreas de risco. Em vez de atuar apenas no combate à caça furtiva, o ERP desenvolve projetos sociais que criam alternativas econômicas, fortalecem comunidades locais e reduzem a dependência de atividades ilegais.

Na prática, a estratégia envolve investimentos em educação, geração de renda, capacitação profissional e infraestrutura básica em regiões vulneráveis. Ao transformar a relação entre comunidades e a vida selvagem, a organização busca atuar na raiz do problema, promovendo uma mudança de comportamento sustentável, com impactos de longo prazo tanto para o meio ambiente quanto para a economia local.

A iniciativa tem atraído o apoio de lideranças empresariais que defendem um papel mais amplo das companhias na sociedade. Roberto Medeiros, CEO da EPI-USE Brasil, destaca que a participação corporativa reflete uma nova mentalidade no mundo dos negócios.

“Quando uma empresa decide apoiar projetos como este, ela não está apenas fazendo uma doação. Está assumindo a responsabilidade de contribuir para soluções estruturais, que respeitam as pessoas, o território e o futuro”, afirma.

A EPI-USE apoia a continuidade das ações do ERP por meio de doações recorrentes: 1% de toda a receita anual global da empresa é destinado ao Group Elephant, organização responsável pelo projeto. O modelo reforça uma tendência crescente entre empresas globais que passaram a incorporar o impacto social como parte essencial de sua estratégia.

Mais do que uma ação filantrópica, a parceria dialoga com um consumidor e um mercado cada vez mais atentos ao propósito das organizações e à coerência entre discurso e prática. Em um cenário de crises ambientais e sociais interligadas, iniciativas como a do ERP indicam que salvar elefantes e rinocerontes passa, necessariamente, por ouvir pessoas, mudar comportamentos e criar oportunidades onde antes havia escassez.

Ao colocar o impacto humano no centro das decisões, o projeto sugere uma redefinição do papel das lideranças empresariais e aponta para um modelo de conservação que integra desenvolvimento social e proteção ambiental como partes indissociáveis de uma mesma solução.

Foto: Roberto Medeiros, CEO da EPI-USE Brasil.

Crédito: Divulgação.

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