CONSTRUÇÃO CIVIL SEGUE AQUECIDA EM 2025, APESAR DE DESAFIOS MACROECONÔMICOS

CONSTRUÇÃO CIVIL SEGUE AQUECIDA EM 2025, APESAR DE DESAFIOS MACROECONÔMICOS

A primeira análise da conjuntura econômica de 2025 apresentada pelo SindusCon-SP aponta para a continuidade do crescimento do setor da construção civil, apesar dos desafios macroeconômicos. Durante a Reunião de Conjuntura, conduzida pelo vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, especialistas discutiram os impactos da inflação, da taxa Selic elevada e das incertezas do cenário internacional na indústria da construção brasileira.

Segundo Zaidan, o contexto econômico ainda é nebuloso. “O cenário interno está confuso e o externo está passando por mudanças significativas, como as recentes decisões nos Estados Unidos e a influência da guerra na Ucrânia sobre a Europa. Esses fatores podem impactar diretamente a economia brasileira e a construção civil”, analisou.

Ele ainda destacou que o setor precisa acompanhar as movimentações do mercado de crédito, pois mudanças nas taxas de financiamento imobiliáio podem influenciar as decisões de investimento.

Cenário Regional: Campinas Mantém Perspectiva Positiva

Na região de Campinas, o setor de construção civil segue aquecido, conforme destacou o diretor regional do SindusCon-SP, Márcio Benvenutti. Ele atribui esse desempenho à expansão dos empreendimentos ligados ao Programa Minha Casa, Minha Vida e ao aumento de 37% na emissão de alvarás para obras nos últimos quatro anos. “A previsão é de que esse crescimento se mantenha até o primeiro semestre de 2026, impulsionado pelo ciclo de execução das obras, que dura entre 18 e 36 meses. Isso também deve gerar demanda por mais profissionais qualificados”, afirmou Benvenutti.

Ele ainda ressaltou a importância de investimentos em capacitação profissional para suprir a crescente demanda por mão de obra especializada, o que pode impulsionar cursos técnicos e parcerias com instituições de ensino.

Projeções para o Setor da Construção

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, destacou o desempenho expressivo da construção no PIB de 2024, com crescimento de 4,3%, impulsionado por ediíficações e infraestrutura. No entanto, a expectativa é de desaceleração no segundo semestre de 2025, com crescimento abaixo dos 3% projetados anteriormente, devido ao declínio do consumo das famílias e ao impacto da alta da taxa de juros. “Apesar do mercado imobiliário continuar forte, a inflação prejudicou a percepção do consumidor, o que pode afetar as vendas. Além disso, a falta de mão de obra qualificada já preocupa mais do que a demanda insuficiente”, explicou Castelo.

O financiamento imobiliário também enfrenta mudanças. Enquanto os recursos da Poupança devem diminuir, o financiamento via FGTS tende a crescer, reforçando o papel do Minha Casa, Minha Vida. Contudo, preocupações sobre eventuais mudanças nas regras dos saques do FGTS podem afetar esse cenário. A falta de previsibilidade nas regras econômicas pode impactar as decisões de investimento das construtoras.

Contradições na Política Econômica

Robson Gonçalves, professor da FGV, apontou que o crescimento da demanda das famílias foi um dos principais fatores por trás da inflação em 2024, somado às variações do dólar e dos preços internacionais de commodities. “Enquanto o Banco Central eleva a Selic para conter a demanda, os gastos do governo aumentam, criando um impasse econômico”, comparou Gonçalves.

Por outro lado, o aumento dos investimentos, principalmente na construção civil, sustentou parte do crescimento econômico. O crédito consignado do setor privado deve impulsionar o consumo, mas também elevar o endividamento das famílias. Caso o endividamento continue a crescer, medidas de controle de crédito podem ser adotadas, afetando o mercado de imóveis.

Mercado do Aço e Matérias-Primas

A indústria brasileira do aço enfrenta dificuldades para elevar os preços dos vergalhões, em parte devido ao aumento das importações chinesas. Ana Castelo ressaltou que a China começou a exportar mais aço para o Brasil, reduzindo os preços e levando a indústria siderúrgica local a pressionar por tarifas mais altas. “No curto prazo, o setor pode se beneficiar de alguma redução nos preços dos insumos, mas é necessário observar como o câmbio se comportará”, destacou Castelo. A cesta de materiais de construção deve continuar a apresentar aumentos leves, acompanhando os índices de inflação. A dependência de matérias-primas importadas poe criar flutuações nos custos impactando diretamente os orçamentos das construtoras.

Apesar dos desafios econômicos, a construção civil segue como um setor fundamental para o crescimento do Brasil em 2025. Enquanto a alta da inflação e da taxa de juros podem impactar negativamente o consumo e o crédito, programas habitacionais e a necessidade de infraestrutura devem manter o mercado ativo. A expectativa é de um ano positivo, mas com maior cautela diante das incertezas econômicas globais e internas.

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