CRISE HIDRICA VOLTA A SER ALVO DE PREOCUPAÇÃO DO SETOR INDUSTRIAL NA REGIÃO DE CAMPINAS

O fantasma da crise hídrica, ocorrida em 2015, volta a preocupar sete anos depois, diante do cenário de poucas chuvas e redução no nível dos reservatórios. Essa questão voltou a ser discutida junto às empresas associadas ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas.

A Sondagem Industrial elaborada e divulgada pelo Ciesp Campinas referente ao mês de junho aponta que, 36% das empresas se manifestaram ‘muito preocupadas com os seus reflexos na atividade industrial e possível aumento nos custos’, enquanto 52% delas se disseram ‘pouco preocupadas’ e 12% responderam ‘não ter preocupação’. Na avaliação do vice-diretor do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, a preocupação existe com a falta de água e de energia, que pode repercutir na atividade industrial, embora as indústrias, a partir da última crise energética, passaram a adotar diversas medidas para redução de consumo e outras alternativas, como o reúso da água nas suas atividades produtivas. José Henrique especifica ações pontuais que são importantes. “Você tem que ter ações pontuais. Tem que preservar a nascente do rio, reflorestamento e comprar energia. A necessidade faz surgirem as soluções, mas praticamente é investimento público, pois são obras de grande porte”, diz.

Ele também mencionou a possibilidade da realização de campanhas para redução do uso da água, como adotadas pelo Ciesp em 2015, em situações semelhantes. “Na época da crise hídrica em 2015, o Ciesp distribuiu redutores produzidos pelo Senai, então a gente fez essa opção em massa de redutores para colocar até dentro de casa no chuveiro, na pia e no jardim. São ações efetivas que ajudam a diminuir o consumo de água”, conta.

José Henrique Toledo Corrêa também reforça sobre os mecanismos adotados  pelas empresas. “Especificamente,  Campinas, depende  da barragem de Pedreira e de Amparo. Muitas empresas criaram mecanismos e dispositivos para poder racionalizar o consumo da água. Tem atividades produtivas que consomem muita água. A gente te a Ambev que capta água do rio Jaguari e transforma cerveja e refrigerante, então o consumo é alto. Não tem como você fazer refrigerante e cerveja sem água, mas alguns processos industriais gerado através da capacidade de inovação do ser humano permite que desenvolva novos processos com diminuição do consumo de água”, destaca. ” Muitas empresas preocupadas principalmente com o custo de energia  investiram em energia fotovoltaica e se prepararam há algum tempo.para isso”, completa.

Outros dados da sondagem

O vice-diretor do Ciesp Campinas revelou que a Sondagem Industrial apresentou indicadores positivos. O volume de produção cresceu para 36% das empresas e o faturamento aumentou para 52% das respondentes. Outros indicadores dessa Sondagem Industrial, como número de funcionários e níveis de inadimplência e endividamento se mantiveram relativamente inalterados em relação ao mês de maio. O nível de utilização da capacidade instalada, na faixa entre 50,1% e 80%, aumentou em relação ao mês anterior, para 64% das indústrias respondentes.

Toledo Corrêa, acredita que os números positivos tendem a se manter nos próximos meses, também por conta do aumento da vacinação da população contra a Covid-19. “A ampliação de investimento somente se dará afinco quando a gente tiver  um controle maior da doença”, reforça.

A Sondagem revelou ainda que os custos das matérias-primas se mantém elevados. Aumentaram para 81% das empresas, em relação ao mês anterior. Já os custos de energia, água e transporte aumentaram para 57% das empresas respondentes.

Balança Comercial Regional

O Ciesp Campinas apresentou os números da Balança Comercial Regional. Em maio de 2021 o valor exportado foi de US$ 235,7 milhões, 31,2% maior que em maio de 2020. Já as importações, no mesmo mês, foram de US$ 990,3 milhões, 43,3% maior do que em maio do ano passado. O saldo em maio de 2021 foi negativo em US$ 754,6 milhões, 47,6% maior do que o registrado em maio de 2020.

A corrente de comércio exterior regional, que é a soma das exportações e importações, em maio de 2021 foi de US$ 1,226 bilhão, 40,8% maior que no mesmo mês do ano passado.

Em maio os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem: Campinas, Paulínia, Sumaré, Mogi Guaçu e Santo Antônio de Posse. Já os municípios que mais importaram foram: Paulínia, Campinas, Jaguariúna, Hortolândia e Sumaré.

O Ciesp-Campinas conta com 494 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 41,52 bilhões ao ano. Conjuntamente essas empresas empregam 98.894 colaboradores.

 

Foto: Apresentação da Sondagem Industrial.

Crédito: Divulgação.

 

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