DIVERSIDADE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS JÁ É REALIDADE?

ARTIGO DE FERNANDA TOLEDO

Tema abrangente, a diversidade é a mais perfeita tradução da sociedade brasileira. Neste conceito plural, congregamos não apenas raça, mas também identidade de gênero, orientação sexual, idade, acessibilidade, questões culturais e religiosas.

Neste mês em que o tema amplia debates em torno de uma realidade transformadora em empresas de todos os portes e segmentos, é essencial refletir que na diversidade reside a convivência diária com nossas famílias, nossos amigos, vizinhos, colegas de curso e mesmo interlocutores casuais, que encontramos nas mais diversas situações e com os quais nos conectamos por um breve cumprimento.

Esta percepção nos autoriza a constatar que este mosaico diverso de atores também é participante do dia a dia das atividades e da condução dos negócios de uma empresa. Ainda nos leva a refletir sobre o entendimento que as organizações, especialmente as pequenas e médias empresas, têm a respeito da diversidade.

Estudo recente, realizado pela IBV (Institute for Business Value), identifica que as organizações comprometidas com a diversidade relatam uma taxa de crescimento de receita até 61% maior que as empresas menos diversas.

Mas o que justifica a boa performance de empresas que investem em diversidade? É comprovado que equipes diversas têm melhor desempenho, justamente porque convivem com uma variedade de perspectivas e ideias. São times formados por pessoas que vivenciaram (e vivenciam) situações diferentes e se mesclam à variedade que compõe a sociedade.

Como segundo ponto, destacamos a inovação. Quanto maior a diversidade das equipes profissionais, maior o fluxo de novas ideias. Esta pluralidade converge para pontos de vistas por vezes inusitados, mas que propiciam a inovação e as oportunidades de novos produtos e mercados. Pesquisa realizada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) destaca que empresas inclusivas relatam um aumento de 54% em criatividade, inovação e transparência.

A produtividade e o engajamento compõem o terceiro aspecto desta reflexão sobre o bom desempenho da organização diversa. Funcionários que se sentem mais valorizados, respeitados e incluídos em uma equipe tendem a ser mais engajados e produtivos. São aqueles que vestem a camisa. E isso se reflete em toda a operação da empresa.

No quarto ponto, elencamos a retenção de talentos. Há vários estudos indicando que ambientes inclusivos e diversos são mais atrativos e operam para reter bons profissionais. Estas empresas tornam-se desejadas para os que buscam recolocação, ao mesmo tempo em que mantêm satisfeitos os que já fazem parte de seus quadros.

Como última questão, abordamos os incentivos econômicos relacionados à reputação das empresas que têm postura proativa, tanto social quanto ambientalmente. Hoje em dia, há regulamentações e financiamentos que priorizam organizações conectadas a estas iniciativas, oferecendo facilidades e menores taxas que servem de suporte para o desenvolvimento da própria empresa.

A partir de todas estas ponderações, uma pergunta se faz necessária: a diversidade é realidade em sua empresa?

A linha de partida da jornada em busca de uma integração às pautas de diversidade é um diagnóstico conduzido pelas lideranças e gestores para identificar onde a empresa se posiciona no segmento em que atua e, então, definir as estratégias e ações mais adequadas para um próximo passo em direção à diversidade e ao processo de participação e inclusão.

Uma das formas de conduzir esta transformação envolve iniciativas e recursos da própria empresa. Promoção de conversas com os colaboradores e apoio da área de Recursos Humanos são mais que desejáveis no processo. A forma como as vagas são divulgadas e a etapa de seleção permitem que candidatos diversos tenham a oportunidade de acessar a organização, com chances de compor os seus quadros profissionais.

Outra maneira de obter um diagnóstico preciso e adequado é buscar uma consultoria profissional para o desenvolvimento de um plano sob medida para a empresa. Esta equipe de consultores é apta e atualizada para traçar uma estratégia bastante assertiva.

As pequenas e médias empresas, muitas vezes, não dispõem da estrutura de um corpo técnico, mas podem contar com consultores habilitados para estruturar um plano economicamente viável e alinhado aos seus propósitos.

O mundo é diverso. E empresas empenhadas em fomentar uma cultura que promova comportamentos inclusivos, empáticos e flexíveis, como mostram estudos importantes, realizados em vários países, incluindo o Brasil, conquistam lugares de honra no universo dos negócios.

 

Fernanda Toledo é sócia-proprietária e CEO da IntelliGente Consult, especializada em soluções e estratégias socioambientais para empresas e negócios. Com mais de 20 anos de experiência executiva em grandes empresas, é arquiteta e urbanista, pós-graduada em Direitos Humanos, Gestão Ambiental e Marketing. Também atua como conselheira de estratégias em organizações empresariais e do terceiro setor, promovendo práticas sustentáveis e socialmente responsáveis.

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