
Perder peso é apenas parte da jornada. Manter os resultados a longo prazo continua sendo um dos maiores desafios para quem busca mais saúde e qualidade de vida. O chamado “efeito sanfona”, caracterizado pela perda e recuperação repetida de peso, afeta milhões de pessoas e pode estar relacionado tanto a mecanismos biológicos do organismo quanto a fatores comportamentais e emocionais.
Segundo o médico endocrinologista e nutrólogo Dr. Vagner Chiapetti, o corpo humano possui mecanismos naturais de defesa que dificultam a manutenção da perda de peso, principalmente após dietas muito restritivas. “Quando a pessoa emagrece rápido demais, o organismo entende aquilo como uma ameaça à sobrevivência. Então, ele reduz o gasto energético e aumenta sinais de fome, criando um ambiente favorável para recuperar o peso perdido”, explica o especialista.
Dietas radicais aumentam o risco de recuperar peso
De acordo com Dr. Chiapetti, um dos principais erros cometidos por quem deseja emagrecer é recorrer a estratégias extremas que prometem resultados rápidos. Embora essas dietas possam provocar uma redução significativa do peso em pouco tempo, elas costumam ser difíceis de manter e podem favorecer o reganho posterior. “Muitas pessoas conseguem perder peso fazendo restrições severas, mas não conseguem manter esse padrão por muito tempo. Quando retomam a alimentação anterior, o organismo tende a recuperar gordura com facilidade, às vezes até acima do peso inicial”, afirma.
Além disso, dietas muito rígidas podem levar à perda de massa muscular, fator que contribui para a redução do metabolismo e torna ainda mais difícil manter o peso alcançado.
Aspectos emocionais têm papel importante
O especialista destaca que o sucesso do emagrecimento não depende apenas da alimentação ou da prática de exercícios. Questões emocionais também exercem forte influência sobre o comportamento alimentar.
Ansiedade, estresse, frustração e episódios de compulsão alimentar podem estimular o consumo excessivo de alimentos, especialmente aqueles mais calóricos e ricos em açúcar e gordura. “Não existe emagrecimento saudável sem olhar para o comportamento alimentar. Muitas vezes, a pessoa usa a comida como válvula de escape emocional, e isso precisa ser trabalhado para que os resultados sejam duradouros”, ressalta Dr. Vagner Chiapetti.
Adaptações metabólicas após o emagrecimento
Outro fator que contribui para o efeito sanfona são as mudanças metabólicas que ocorrem após a perda de peso. Segundo o endocrinologista, o organismo passa a gastar menos calorias do que antes, mesmo quando a pessoa mantém as mesmas atividades diárias. “É como se o organismo entrasse em modo de economia de energia. Por isso, manter o peso exige continuidade nos hábitos saudáveis, atividade física regular e acompanhamento adequado”, explica.
Como evitar o efeito sanfona
Para reduzir as chances de recuperar o peso perdido, o médico recomenda abandonar a busca por soluções rápidas e investir na construção de hábitos sustentáveis e duradouros.
Entre as principais orientações estão: Evitar dietas extremamente restritivas; Priorizar uma alimentação equilibrada; Manter a prática regular de exercícios físicos; Cuidar da qualidade do sono; Controlar os níveis de estresse e Buscar acompanhamento profissional individualizado.
Para o especialista, o segredo está em compreender que o emagrecimento não deve ser encarado como uma meta temporária, mas como uma mudança permanente de estilo de vida. “O emagrecimento saudável não deve ser encarado como algo temporário. É um processo contínuo de mudança de estilo de vida. Quando o paciente entende isso, as chances de manter os resultados aumentam bastante”, finaliza Dr. Vagner Chiapetti.
Foto: Médico endocrinologista e nutrólogo Dr. Vagner Chiapetti.
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