
Os trabalhadores brasileiros, especialmente das gerações mais jovens, vivem um cenário preocupante de estresse e esgotamento profissional. Dados do estudo Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, da Wellhub, revelam que mais da metade da Geração Z (55%) e dos Millennials (55%) afirma sentir aumento de estresse ano após ano. O índice é superior ao registrado entre a Geração X (47%) e os Baby Boomers (38%), nascidos entre 1946 e 1964.
O levantamento mostra ainda um quadro alarmante: nove em cada dez colaboradores relataram sintomas de burnout no último ano, e quase 40% afirmam enfrentar esse esgotamento pelo menos uma vez por semana. Para a psicóloga organizacional Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), o problema está fortemente ligado à dificuldade de estabelecer limites saudáveis nos diferentes ambientes de trabalho e de vida. “Limites saudáveis não são barreiras, mas fundamentos. Eles fortalecem a confiança, preservam a saúde e permitem que as pessoas atuem com excelência sem se desgastar”, afirma Patricia. Segundo ela, definir prioridades e identificar sinais de esgotamento são atitudes essenciais tanto para a prevenção da sobrecarga mental quanto para a manutenção da produtividade.
Diante desse cenário, o estudo aponta que trabalhadores têm buscado ações mais intencionais para preservar o bem-estar. Entre os hábitos mais citados estão a prática de exercícios físicos, adotada por 59% dos entrevistados, dormir mais cedo (56%) e passar mais tempo com a família e os amigos (47%). “Definir prioridades com propósito é fundamental. Isso inclui estabelecer horários claros para começar e terminar o trabalho — e respeitá-los”, exemplifica a especialista.
A CEO do IISP também destaca a importância de fortalecer a comunicação assertiva e reduzir ruídos nas relações profissionais, o que passa diretamente pela delegação de responsabilidades. “Dividir tarefas não é sinal de deficiência, mas de inteligência coletiva”, ressalta.
Mudanças de hábitos e criação de espaços de desconexão também são apontadas como medidas essenciais para preservar a saúde mental. Patricia lembra que as prioridades mudam ao longo do tempo e, por isso, é necessário revisar constantemente a rotina. “O corpo dá sinais claros de sobrecarga, como queda de foco, irritabilidade e fadiga. Ignorá-los pode levar a consequências mais graves”, alerta.
A especialista reforça ainda que cada indivíduo possui seu próprio ritmo e que comparações são prejudiciais. Com base nessas reflexões, ela elenca cinco ações práticas para a adoção de limites saudáveis no dia a dia:
estabelecer horários para trabalhar e descansar, e cumpri-los;
organizar tempo e energia no que realmente importa;
comunicar-se com clareza e evitar ruídos nas relações;
dividir responsabilidades;
respeitar o próprio ritmo.
Precursora do conceito de segurança psicológica no Brasil, Patricia Ansarah atua há mais de 20 anos em Recursos Humanos e como executiva em grandes empresas. Ela é fundadora do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), a primeira entidade do país dedicada exclusivamente ao tema. A organização nasceu com o propósito de apoiar empresas dispostas a transformar a forma de fazer negócios, preparando lideranças para uma gestão mais consciente, humana e sustentável, baseada na segurança psicológica como pilar para o desenvolvimento de pessoas e organizações.
Foto: Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP).
Crédito: Fernanda Nunes
