
A ausência de uma cultura preventiva continua sendo um dos principais obstáculos para que empresas brasileiras fortaleçam sua segurança eletrônica e digital. Embora as ameaças físicas e cibernéticas estejam cada vez mais presentes no ambiente corporativo, muitas organizações ainda investem em proteção apenas depois de sofrer prejuízos.
Os dados são da quarta edição do Relatório de Segurança Eletrônica – Panorama 2025 e Tendências 2026, da Avantia Tecnologia e Segurança, realizada com 105 organizações de diferentes portes e setores da economia.
Segundo o levantamento, o alto custo das soluções é apontado por 61% das empresas como a principal barreira para adoção de tecnologias integradas de segurança. Em seguida aparece a resistência cultural, mencionada por 24,8% dos entrevistados.
Apesar disso, quase metade das organizações (47,6%) reconhece que os sistemas de segurança contribuem diretamente para evitar perdas financeiras, ampliando sua função para além da proteção patrimonial. Ainda assim, 32,3% dos respondentes afirmam que a área enfrenta dificuldades internas, sendo 17,1% por falta de valorização e 15,2% pela necessidade de maior apoio de outros departamentos.
Para o diretor comercial para Área Privada da Avantia, Mario Tranche, a segurança ainda é vista por muitas empresas como despesa, e não como um investimento estratégico. “Em muitos casos, a segurança ainda é tratada como custo e não como estratégia de continuidade do negócio. Dependendo do porte da companhia e do segmento, como o de energia, o investimento pode chegar à casa dos milhões de reais, mas os prejuízos provocados pela ausência de proteção podem alcançar bilhões, especialmente diante de interrupções operacionais, sabotagem, roubo de ativos ou incidentes de grande porte”, afirma.
Setor de energia concentra riscos elevados
Entre os segmentos mais vulneráveis está o setor de energia, considerado historicamente um dos principais alvos de ataques físicos e ações criminosas.
Nas empresas de transmissão e distribuição de energia elétrica, invasões a subestações podem provocar interrupções no fornecimento, afetando milhares de consumidores e serviços essenciais. Em usinas hidrelétricas, solares e eólicas, falhas no monitoramento ou a ausência de respostas rápidas podem facilitar furtos, danos estruturais e paralisações das operações.
Já no segmento de óleo e gás, refinarias, terminais e dutos exigem monitoramento permanente devido ao elevado potencial de acidentes ambientais e riscos relacionados à integridade operacional.
Entre as principais ameaças identificadas estão furtos de cabos e cobre, roubo de equipamentos de alto valor, invasões de áreas restritas, vandalismo, espionagem industrial, acessos não autorizados a centros operacionais e ataques coordenados capazes de comprometer ativos considerados estratégicos.
Tecnologia precisa estar integrada à estratégia
Segundo Mario Tranche, apenas instalar equipamentos de segurança não é suficiente para reduzir os riscos.
“Não basta ter câmeras ou controle de acesso se não houver inteligência por trás da operação. Segurança eletrônica envolve análise de riscos, monitoramento contínuo, integração de sistemas e protocolos de resposta. Quando existe uma cultura preventiva, a empresa consegue antecipar ameaças antes que elas se transformem em crises”, destaca.
O executivo afirma que tecnologias como videomonitoramento inteligente, sensores perimetrais, controle e gestão de acesso, reconhecimento de comportamentos suspeitos, bloqueios físicos e centros integrados de operação têm se tornado fundamentais para aumentar a resiliência operacional e proteger ativos críticos.
Para ele, o maior desafio continua sendo a mudança de mentalidade das lideranças empresariais. “Muitas organizações ainda investem apenas depois de sofrer uma perda importante e, frequentemente, de forma desordenada, sem um projeto de longo prazo. No setor de energia esse comportamento é especialmente perigoso, pois envolve operações críticas que impactam diretamente a economia e a população. Segurança deve ser entendida como investimento em continuidade, confiabilidade e sustentabilidade do negócio”, conclui.
O estudo da Avantia foi realizado no fim de 2025 com representantes de empresas dos setores de tecnologia, indústria, serviços, logística, energia, construção civil, agronegócio e setor público. A pesquisa contou principalmente com a participação de CEOs, CIOs, CTOs e gestores de segurança, oferecendo um panorama sobre os desafios enfrentados pelas organizações na adoção de soluções integradas de proteção física e digital.
Foto: Diretor comercial para Área Privada da Avantia, Mario Tranche.
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