FATURAMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS CAI 11,9% NO PRIMEIRO SEMESTRE

FATURAMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS CAI 11,9% NO PRIMEIRO SEMESTRE

19 de agosto de 2015.

As micro e pequenas empresas (MPEs)
do Estado de São Paulo amargaram um primeiro semestre de fortes perdas. O
faturamento real, já descontada a inflação, registrou queda de 11,9% na
comparação com igual período de 2014.
O resultado foi pior do que o registrado
no acumulado de janeiro a junho de 2009 (-10%) quando a economia sofria as
consequências da crise financeira internacional.
No primeiro semestre, a receita total
das MPEs paulistas foi de R$ 275,9 bilhões, o que significa R$ 37,3 bilhões a
menos do que nos seis meses iniciais de 2014.
A queda atingiu todos os setores no
semestre: os serviços viram seu faturamento recuar 13%; no comércio, a
diminuição foi de 12,2%; e na indústria, a queda na receita ficou em 8,6%. As
informações constam na mais recente pesquisa Indicadores Sebrae-SP.
Todas as regiões do Estado
registraram queda na receita. O município de São Paulo apresentou redução de
15,1% no faturamento do primeiro semestre ante o mesmo período de 2014. O
interior registrou recuo de 12,6% na receita. Observaram-se ainda quedas de
11,3% no faturamento da Região Metropolitana de São Paulo e de 11% no Grande
ABC.
No confronto de junho de 2015 com
igual mês do ano passado, os resultados também foram desanimadores para as MPEs
paulistas, que viram o faturamento cair 9,2%.   
A explicação para o desempenho
negativo generalizado está na queda do consumo, decorrente da piora na
confiança e da perda de poder de compra, tanto das famílias quanto das próprias
empresas, que consomem de outras. A atual situação da economia, com inflação
alta e aumento do desemprego, compõe o quadro. “Com menor margem de manobra
para suportar a crise, o impacto no caixa dos pequenos negócios acaba sendo
muito mais forte. Isso é preocupante, uma vez que são essas empresas que geram
emprego e renda, são importante fator de equilíbrio da nossa economia”, afirma
o presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf. “Definitivamente, estamos vivendo um dos
períodos mais turbulentos dos últimos anos. O momento não é de correr riscos.”,
diz.
O diretor superintendente do
Sebrae-SP, Bruno Caetano, ressalta a grave situação econômica atual pela qual
passa o país. “O fato de a pesquisa do Sebrae-SP detectar uma queda maior no
faturamento das micro e pequenas empresas na comparação com a época da crise
internacional, em 2009, mostra como é grave a situação econômica atual”, diz.
“Infelizmente, não há perspectiva de recuperação da economia em 2015; será um
ano em que as micro e pequenas empresas terão de trabalhar muito, apenas para
contornar a crise”, conclui Caetano.
No acumulado do ano, houve aumento de
1,3% no total de pessoal ocupado (sócios-proprietários, familiares, empregados
e terceirizados) em relação ao primeiro semestre de 2014. Em igual período, a
folha de salários paga pelas MPEs apresentou queda de 1,4%, já descontada a
inflação e o rendimento real dos empregados das MPEs ficou 1,6% menor.
A pesquisa do Sebrae-SP revela também
que, em julho, a maioria dos donos de MPEs (57%) disse acreditar em
estabilidade no faturamento de sua empresa para os seis meses seguintes. Em
julho de 2014, 59% apostavam nessa possibilidade. Os que esperam melhora são
20% ante 26% de um ano antes. Já os que preveem piora passaram de 6% em julho
de 2014 para 16% em julho deste ano.
Sobre o futuro da economia, em julho
o pessimismo é alto: 44% dos proprietários de MPEs disseram esperar piora para
os próximos seis meses. No mesmo mês do ano passado, essa era a expectativa de
22%. Há um ano, 52% falavam em estabilidade e agora 39% consideram a
possibilidade. A melhora é aguardada por 12% sobre 19% de um ano atrás.
A pesquisa Indicadores Sebrae-SP é
realizada mensalmente, com apoio da Fundação Seade. São entrevistados 2.700
proprietários de MPEs do Estado de São Paulo por mês. No levantamento, as MPEs
são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e
empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento
bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os dados reais apresentados foram deflacionados
pelo INPC-IBGE.
Foto 1 – Presidente do Sebrae-SP, Paulo Skaf. 
Foto 2 – Diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano.
Crédito: Divulgação.

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