FATURAMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS CAI 0,6% EM 2014

FATURAMENTO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS CAI 0,6% EM 2014

28 de fevereiro de 2015.
A estagnação da economia brasileira
no ano passado e o nível mais fraco do consumo interno prejudicaram o
desempenho das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas, que chegaram ao
final de 2014 com queda de 0,6% no faturamento real (já descontada a inflação)
em relação a 2013. O cenário negativo também deteriorou as expectativas dos
donos de MPEs, fazendo com que o pessimismo deles quanto a economia do País e
faturamento do negócio para os próximos seis meses atingisse níveis recordes.
A receita total das MPEs em 2014 foi
de R$ 595,3 bilhões, R$ 3,9 bilhões a menos do que em 2013. Os dados são da
pesquisa mensal Indicadores Sebrae-SP.
Indústria e comércio amargaram
resultados ruins, com queda no faturamento acumulado de janeiro a dezembro de
1,8% e 5,9%, respectivamente, em relação a um ano antes. Apenas o setor de
serviços conseguiu registrar aumento – de 6,5% – na mesma comparação. O resultado
dos serviços foi beneficiado pela melhora de receita do segmento de transportes
e armazenagem, que não apresentava performance tão boa, mas contou com o
movimento para a Copa do Mundo. “Inflação relativamente alta, aumento de juros,
desvalorização cambial, piora nas condições de crédito e na confiança de
consumidores e de empresários seguraram o ritmo da atividade econômica”, afirma
o presidente do conselho deliberativo do Sebrae-SP, Paulo Skaf. “Os pequenos
negócios sentiram os efeitos dessa conjuntura e, consequentemente, seus
resultados pioraram no confronto com 2013”, completou.
Entre as regiões, o Grande ABC teve a
queda mais acentuada de faturamento, de 4,6%, no acumulado de 2014 sobre 2013.
A região, que tem presença forte de empresas do setor automotivo, sofreu com o
desempenho fraco da indústria. Na mesma comparação, as MPEs do interior de São
Paulo tiveram baixa de 1,6% no faturamento; já o município de São Paulo
apresentou crescimento de 0,8% no indicador e a Região Metropolitana ficou
praticamente estável (variação de +0,3%).
Na análise de dezembro de 2014 com
igual mês de 2013, o faturamento das MPEs paulistas variou apenas +0,2%. Na
comparação de dezembro de 2014 com novembro do mesmo ano, houve crescimento de
10,8% na receita das MPEs.
O pessoal ocupado
(sócios-proprietários, familiares, empregados e terceirizados) nas MPEs do
Estado de São Paulo aumentou 0,8% em 2014 ante 2013. A folha de salários
cresceu 3% (já descontada a inflação) e o rendimento dos empregados aumentou
0,9% em igual período.
Quanto às expectativas dos donos de
MPEs com o faturamento da empresa para os seis meses seguintes, chamam a
atenção os 16% que disseram, em janeiro, esperar piora, maior porcentual desde
maio de 2005, quando as expectativas foram introduzidas na pesquisa. Em janeiro
de 2014 eles eram 9%. A maior parcela (55%), no entanto, acredita em
estabilidade (eram 50% um ano antes) e 24% falam em melhora (31% em janeiro de
2014).
O pessimismo também é recorde quando
se trata das expectativas dos empresários em relação à economia. Em janeiro,
32% afirmaram crer em piora, o dobro de janeiro de 2014, quando 16% dos
entrevistados manifestaram esse sentimento. Os que preveem estabilidade são 46%
em janeiro de 2015 ante 51% de um ano antes. Já os que acreditam em melhora são
15% agora; eram 25% em janeiro do ano passado. “Com relação ao ambiente
interno, 2015 será um ano de ajustes promovidos pelo governo, que poderão ter
efeito restritivo sobre a atividade econômica”, afirma o diretor-superintendente
do Sebrae-SP, Bruno Caetano. “Como os pequenos negócios têm forte dependência
do mercado interno, um consumo em nível menor tende a tornar a vida das micro e
pequenas empresas mais difícil neste ano”, complementou.
O presidente do conselho deliberativo
do Sebrae-SP reforça que o planejamento torna-se ainda mais importante nesse
cenário. “Cada ação do empreendedor deve ser bem estudada para que, diante de
um quadro adverso, possa aproveitar ao máximo as oportunidades e correr menos
riscos”, diz Skaf.
A pesquisa Indicadores Sebrae-SP é
realizada mensalmente, com apoio da Fundação Seade. São entrevistados 2.716
proprietários de MPEs do Estado de São Paulo por mês. No levantamento, as MPEs
são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e
empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento
bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os dados reais apresentados foram deflacionados
pelo INPC-IBGE.
Foto 1 – Presidente do conselho deliberativo do Sebrae-SP, Paulo Skaf.
Foto 2 – Diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. 

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