GERENCIAR OS RISCOS OU PEDIR AJUDA DIVINA?

ARTIGO DO SÓCIO DA KPMG MARCELO AQUINO

Você tem noção dos riscos envolvidos em um negócio e o que pode ocorrer se não estiverem gerenciados? Correr riscos é fazer algo que pode levar a probabilidade de acontecer um resultado adverso. O risco está intimamente ligado ao futuro que não dominamos e que faz parte da nossa vida, principalmente, quando tomamos uma decisão. É claro que estamos também sujeitos aos eventos positivos como ganhar na loteria, mas normalmente associamos o risco com algo negativo. Estamos rodeados de probabilidades negativas como a de perder o emprego, bater o carro, perder um investimento, na execução de nossas profissões, entre outros. Não importa de que forma, o risco será sempre um companheiro de jornada.

Nas empresas, o cenário não é diferente. Existem inúmeros riscos que, em sua maioria, não são gerenciados adequadamente ou que não possuem qualquer tipo de gerenciamento. Normalmente, é possível enxergar a gestão do risco de crédito e de liquidez, mas a administração de outros riscos, como o de mercado, o operacional e o de imagem, muitas vezes não possui qualquer tipo de gerenciamento. Estes acabam sendo deixados à mercê de providências divinas ou das leis do acaso.

Mais de 80% das empresas de Goiás e de Brasília, que responderam à pesquisa do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), do Distrito Federal, sobre gerenciamento de riscos, alegam que os riscos de maior impacto não são aqueles ligados ao crédito. Estes, na verdade, podem ser evitados e/ou reduzidos e, para começar, não é necessária nenhuma ferramenta extraordinária, mas alguns passos são importantes. Deve-se mapear os principais riscos, incluindo os improváveis, e quantificar os possíveis impactos de perda e a probabilidade de acontecer. Por fim, é preciso decidir aceitar, reduzir ou evitá-los por meio de controles e monitorá-los frequentemente. Depois da perda, não adianta chorar pelo leite derramado ou imaginar o que poderia ter sido feito diferente. Nota-se ainda que existe um longo caminho a ser percorrido sobre a necessidade de gerenciamento de riscos, pois, ainda, de acordo com a pesquisa, mais de 60% dos respondentes alegam que falta uma cultura de gerenciamento de riscos na empresa.

Assim, recomenda-se não brincar com os riscos, principalmente com aqueles tidos como improváveis, mas como um impacto significativo. Para isso, é necessário implementar uma boa gestão de riscos, ou salvo, caso você e sua empresa tenham um bom acesso à alguma divindade, não deixem de pedir a devida proteção.

 

Marcelo Aquino é sócio da KPMG, responsável pelo escritório de Brasília.

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