INDÚSTRIA DA RMC PREVÊ PIORA DA ECONOMIA E ALERTA PARA EFEITOS DO TARIFAÇO DOS EUA

INDÚSTRIA DA RMC PREVÊ PIORA DA ECONOMIA E ALERTA PARA EFEITOS DO TARIFAÇO DOS EUA

A indústria da Região Metropolitana de Campinas (RMC) projeta um cenário econômico mais desafiador para os próximos meses e teme efeitos diretos de um eventual aumento tarifário dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. É o que revela a pesquisa de Sondagem Industrial de julho do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional Campinas.

Segundo o levantamento, 83% das empresas associadas acreditam que a economia brasileira vai piorar nos próximos seis meses. Apenas 6% avaliam que o quadro deve permanecer como está, enquanto 11% afirmaram não ter opinião. Nenhuma companhia se mostrou otimista quanto a uma possível melhora.

Meta fiscal e custos operacionais

A sondagem também apurou a percepção das empresas sobre os riscos do não cumprimento da meta fiscal pelo governo federal. Para 67% das associadas, a consequência imediata será a alta de custos operacionais, aumento dos juros, inflação e perda de competitividade. Outros 22% projetam maior incerteza, volatilidade e dificuldade no acesso a crédito e investimentos, enquanto 11% acreditam em redução da demanda interna. Nenhuma empresa avaliou que o descumprimento não teria impactos.

Preocupação com o “tarifaço” dos EUA

Além do cenário doméstico, pesa sobre a indústria regional a ameaça do chamado “tarifaço” de 50% sobre produtos importados pelo governo norte-americano. Segundo o primeiro vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, uma sondagem interna mostrou que 64% das empresas associadas sofreriam restrições nos negócios caso a medida seja implementada.

Já o diretor do Departamento de Comércio Exterior da Regional, Anselmo Riso, destacou que as exportações para os EUA somaram US$ 338,55 milhões entre janeiro e junho deste ano, enquanto as importações chegaram a US$ 1,113 bilhão no mesmo período, resultando em déficit de US$ 775 milhões na balança comercial. “Qualquer análise definitiva ainda é prematura, já que existe expectativa de reavaliação dessa medida pelo governo dos Estados Unidos”, ponderou Riso.

Os principais produtos exportados para o mercado norte-americano pelas empresas da região incluem combustíveis e óleos minerais, caldeiras, borrachas, máquinas e equipamentos elétricos.

Comércio exterior regional em queda no saldo

Os dados da balança comercial da Regional Campinas reforçam o quadro de alerta. Em junho de 2025, as exportações somaram US$ 315,1 milhões, queda de 11% em relação a junho de 2024. No acumulado de janeiro a junho, porém, houve leve alta de 1,33%, atingindo US$ 1,734 bilhão.

Já as importações dispararam: foram US$ 1,283 bilhão em junho, alta de 29% sobre o mesmo mês do ano anterior. No semestre, o total importado foi de US$ 6,733 bilhões, crescimento de 16% frente a 2024.

O resultado foi um déficit de US$ 968 milhões em junho, 36% maior que no mesmo mês do ano passado, e um saldo negativo acumulado de US$ 4,999 bilhões no semestre, alta de 22% em relação a 2024.

A corrente de comércio exterior (soma de exportações e importações) atingiu US$ 1,598 bilhão em junho, avanço de 25% sobre 2024, e US$ 8,468 bilhões no semestre, crescimento de 12,6%.

Municípios e parceiros comerciais

Campinas e Paulínia seguem na liderança da pauta exportadora, com participações de 26,68% e 25,31%, respectivamente, seguidos por Sumaré (16,44%), Mogi Guaçu (7,21%), Santo Antônio de Posse (5,72%) e Valinhos (4,45%).

Nas importações, Paulínia responde por quase metade do volume regional (46,64%), seguida de Campinas (19,80%), Hortolândia (9,55%), Jaguariúna (7,91%), Sumaré (6,36%) e Valinhos (4,56%).

Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da RMC em junho, com US$ 56,99 milhões (18,09%), à frente de Argentina (US$ 50,58 milhões – 16,05%) e Holanda (US$ 24,75 milhões – 7,85%). Do lado das importações, a China lidera com US$ 428,76 milhões (33,41%), seguida pelos EUA (17,73%) e Índia (6,60%).

Capacidade instalada

Apesar das preocupações, o vice-diretor Valmir Caldana destacou um dado positivo: 44% das empresas associadas operaram entre 70,1% e 80% de sua capacidade instalada em julho, enquanto 17% chegaram a operar entre 80,1% e 100%.

O Ciesp-Campinas reúne 590 empresas em 19 municípios, responsáveis por um faturamento anual de R$ 53 bilhões e pela geração de quase 98 mil empregos na região.

Foto: Primeiro vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana e o diretor do Departamento de Comércio Exterior da Regional, Anselmo Riso.

Crédito: Divulgação.

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