INDÚSTRIA DE CAMPINAS VÊ POLÍTICA TRIBUTÁRIA COMO PRINCIPAL RISCO E MANTÉM COMÉRCIO EXTERIOR EM ALTA

INDÚSTRIA DE CAMPINAS VÊ POLÍTICA TRIBUTÁRIA COMO PRINCIPAL RISCO E MANTÉM COMÉRCIO EXTERIOR EM ALTA

A indústria da região de Campinas demonstra preocupação com as mudanças no ambiente tributário e fiscal e mantém uma postura mais cautelosa em relação aos investimentos. É o que revela a Pesquisa de Sondagem Industrial de setembro do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional Campinas, apresentada na última terça-feira (22/09).

O levantamento identificou os principais impactos e riscos que podem afetar as empresas associadas nos próximos 12 a 24 meses. Para 55% das empresas participantes, as revisões na política tributária e fiscal estão entre as maiores preocupações. O grupo inclui mudanças em alíquotas, implementação de reformas na arrecadação e ajustes no ambiente fiscal do país.

Outros 18% das empresas apontaram riscos relacionados à governabilidade e à estabilidade institucional, considerando fatores como a capacidade de aprovação de pautas de interesse do setor produtivo e a previsibilidade das diretrizes dos poderes públicos. O mesmo percentual, 18%, indicou preocupação com os impactos dos ciclos eleitorais e com a volatilidade dos mercados, fatores que podem influenciar decisões de investimento e o comportamento do câmbio.

Nenhuma das empresas participantes apontou as atualizações e a eficiência regulatória, incluindo novas exigências ambientais, trabalhistas ou relacionadas à tecnologia, como um dos principais riscos. Outros 9% afirmaram não identificar impactos ou riscos relevantes no horizonte analisado.

Na avaliação do diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, os indicadores de setembro mostram uma melhora marginal da produção e da capacidade utilizada, mas esse movimento não foi acompanhado por uma evolução da lucratividade ou do apetite para novos investimentos. “Pelo contrário, ambos pioraram bastante. Combinado com custos em alta e inadimplência subindo, o quadro sugere margens espremidas e empresas produzindo mais, mas ganhando menos e mais cautelosas para investir”, afirmou.

Toledo Corrêa também destacou os alertas relacionados à política fiscal e tributária. Segundo ele, mudanças em alíquotas, reformas na arrecadação e ajustes no ambiente fiscal podem gerar impactos relevantes sobre o setor produtivo. “Dependendo do próximo governo, poderemos ter surpresas positivas ou negativas”, ressaltou.

Comércio exterior mantém crescimento no acumulado do ano

Apesar das preocupações apontadas pela indústria, os dados da balança comercial regional mostram crescimento no comércio exterior no acumulado de 2026. De acordo com o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, depois de apresentar queda nos primeiros meses do ano, a movimentação acumulada até agosto passou a registrar expansão tanto nas exportações quanto nas importações.

Em agosto, as exportações da região somaram US$ 320 milhões, alta de 4,59% em relação aos US$ 305,9 milhões registrados no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas chegaram a US$ 2,4 bilhões, crescimento de 4,97% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

As importações, por sua vez, alcançaram US$ 1,4 bilhão em agosto, aumento de 10,90% sobre agosto de 2025. No acumulado do ano, chegaram a US$ 9,6 bilhões, alta de 1,59%.

Com a diferença entre exportações e importações, o déficit comercial regional atingiu US$ 1,1 bilhão em agosto, crescimento de 12,80% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado até agosto, o déficit foi de US$ 7,1 bilhões, 0,47% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A corrente de comércio exterior — resultado da soma das exportações e importações — também apresentou crescimento. Em agosto, movimentou US$ 1,7 bilhão, alta de 9,71%. No acumulado do ano, chegou a US$ 12,1 bilhões, expansão de 2,26%.

Campinas concentra maior participação nas exportações

Entre os municípios que integram a Regional Campinas do Ciesp, Campinas liderou as exportações em agosto, com participação de 34,40% do total. Na sequência aparecem Paulínia, com 21,88%; Sumaré, com 10,51%; Mogi Guaçu, com 8,59%; e Valinhos, com 5,69%.

No fluxo de importações, Paulínia assumiu a liderança, concentrando 42,43% do total regional. Campinas respondeu por 25,65%, seguida por Sumaré, com 8,51%; Hortolândia, com 6,75%; e Jaguariúna, com 5,69%.

Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações da indústria regional em agosto, com US$ 65,90 milhões, equivalentes a 20,56% do total. A Argentina apareceu em segundo lugar, com US$ 34,76 milhões (10,85%), seguida pelo México, com US$ 16,66 milhões (5,20%).

No sentido contrário, a China foi a principal origem das importações destinadas à região, com US$ 477,85 milhões, correspondentes a 32,55% do total. Os Estados Unidos responderam por US$ 210,52 milhões (14,34%) e a Coreia do Sul por US$ 115,74 milhões (7,88%).

Base industrial reúne quase 100 mil trabalhadores

A Regional Campinas do Ciesp reúne 590 empresas associadas distribuídas por 19 municípios. Juntas, essas empresas apresentam faturamento anual de aproximadamente R$ 53 bilhões e empregam 97.954 trabalhadores.

Os dados apresentados na Sondagem Industrial de setembro mostram, portanto, um cenário marcado por movimentos distintos. Enquanto a produção e o comércio exterior apresentam sinais de crescimento, a indústria regional enfrenta pressão sobre as margens, aumento da inadimplência e maior cautela diante dos investimentos. Ao mesmo tempo, as mudanças na política tributária e fiscal aparecem como o principal fator de preocupação para as empresas nos próximos 12 a 24 meses.

Foto 1 – José Henrique Toledo Corrêa – diretor do Ciesp-Campinas.

Foto 2 – Anselmo Riso – Diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas.

Crédito: Roncon & Graça Comunicações.

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