15 de janeiro de 2016.
ARTIGO DO PROFESSOR JOÃO BATISTA VILHENA
Muita gente já tentou provar que liderança é umtraço de personalidade, ou seja, depende exclusivamente de características
pessoais e inatas do indivíduo. Para mim essa ideia é tão ingênua como a que
leva alguns a crer que existem vendedores natos. Afinal ninguém nasce vendedor
ou líder.
Pensemos em alguém que desde criança foi estimulado
a desenvolver a arte de comunicar ideias, sempre encontrou amparo e respeito
por suas propostas inovadoras e foi incentivado a se relacionar com pessoas
diferentes. Agora compare essa pessoa à outra que passou por processo
contrário. Nunca lhe deram chance de expor o que pensava, foi duramente
criticada quanto a tudo o que propôs e jamais foi exposta a realidades
culturais diversas. Quem terá mais chances de ser um líder melhor no futuro? A
que foi oportunizada ou aquela a quem a vida negou qualquer possibilidade de
desenvolver novas habilidades e competências?
a desenvolver a arte de comunicar ideias, sempre encontrou amparo e respeito
por suas propostas inovadoras e foi incentivado a se relacionar com pessoas
diferentes. Agora compare essa pessoa à outra que passou por processo
contrário. Nunca lhe deram chance de expor o que pensava, foi duramente
criticada quanto a tudo o que propôs e jamais foi exposta a realidades
culturais diversas. Quem terá mais chances de ser um líder melhor no futuro? A
que foi oportunizada ou aquela a quem a vida negou qualquer possibilidade de
desenvolver novas habilidades e competências?
Para muitos autores a competência de liderança está
intimamente relacionada com as habilidades de comunicação e transmissão de
ideias. Existem pessoas que adquirem essas habilidades ainda muito jovens. Há
aquelas que passam a vida tentando, sem jamais serem bem sucedidas.
intimamente relacionada com as habilidades de comunicação e transmissão de
ideias. Existem pessoas que adquirem essas habilidades ainda muito jovens. Há
aquelas que passam a vida tentando, sem jamais serem bem sucedidas.
Há outros que definem liderança pela frequência com
que uma pessoa influencia ou dirige o comportamento de outros membros do grupo.
Esses afirmam que liderança “É um processo de influência orientado para a
busca de resultados que os membros do grupo julgam ser estimulantes”. Na sua
visão o processo de liderar equivale a “pilotar” a equipe; dependendo da
capacidade do líder de prever, decidir e organizar. Essa é uma visão mais
processualista, mas não é destituída de mérito se analisada pela ótica da
prática do dia-a-dia.
que uma pessoa influencia ou dirige o comportamento de outros membros do grupo.
Esses afirmam que liderança “É um processo de influência orientado para a
busca de resultados que os membros do grupo julgam ser estimulantes”. Na sua
visão o processo de liderar equivale a “pilotar” a equipe; dependendo da
capacidade do líder de prever, decidir e organizar. Essa é uma visão mais
processualista, mas não é destituída de mérito se analisada pela ótica da
prática do dia-a-dia.
Também existem os que afirmam que “Numa sociedade
cada vez mais rápida e complexa, em que a economia condiciona a maioria das
opções sociais e políticas, é importante reconhecer que fixar de forma clara
uma visão, valores e objetivos é fator decisivo para o sucesso”. Logo, o maior
desafio da liderança seria tratar problemas e questões muito diversas,
separando o essencial do acessório, sabendo ouvir e compartilhar e tendo a
coragem de tomar decisões arriscadas.
cada vez mais rápida e complexa, em que a economia condiciona a maioria das
opções sociais e políticas, é importante reconhecer que fixar de forma clara
uma visão, valores e objetivos é fator decisivo para o sucesso”. Logo, o maior
desafio da liderança seria tratar problemas e questões muito diversas,
separando o essencial do acessório, sabendo ouvir e compartilhar e tendo a
coragem de tomar decisões arriscadas.
Para mim, o aumento da performance das pessoas é um
dos maiores desafios do líder contemporâneo. E não é colocando-se do papel de
servidor que isso será possível. Inspiro-me nas ideias de David Rock
(palestrante e consultor bastante conhecido no segmento da Neuroliderança) e
afirmo categoricamente que liderar é mudar o jeito que as pessoas pensam
sobre as coisas. Trocando em miúdos, o grande segredo para liderar e conviver
com pessoas é penetrar naquilo que muitos psicólogos cognitivos chamam de
“Modelo do Iceberg”:
dos maiores desafios do líder contemporâneo. E não é colocando-se do papel de
servidor que isso será possível. Inspiro-me nas ideias de David Rock
(palestrante e consultor bastante conhecido no segmento da Neuroliderança) e
afirmo categoricamente que liderar é mudar o jeito que as pessoas pensam
sobre as coisas. Trocando em miúdos, o grande segredo para liderar e conviver
com pessoas é penetrar naquilo que muitos psicólogos cognitivos chamam de
“Modelo do Iceberg”:
O Modelo do Iceberg descreve como nossa performance
em qualquer área é condicionada pelos nossos hábitos. Esses hábitos são
orientados pelas nossas emoções, que por sua vez são dirigidas pelos nossos
pensamentos. Neste modelo, a performance e alguns hábitos são visíveis,
enquanto emoções e pensamentos permanecem “abaixo da linha d’água”. Assim
sendo, o que nós fazemos no trabalho tem origem na forma que pensamos sobre as
coisas. É por isso que, como somos originados em uma cultura na qual o mais
forte é sempre servido pelo mais fraco, fica impossível defender a ideia da
liderança servidora. Afinal ninguém desejaria ser liderado por alguém mais
fraco do que si mesmo.
em qualquer área é condicionada pelos nossos hábitos. Esses hábitos são
orientados pelas nossas emoções, que por sua vez são dirigidas pelos nossos
pensamentos. Neste modelo, a performance e alguns hábitos são visíveis,
enquanto emoções e pensamentos permanecem “abaixo da linha d’água”. Assim
sendo, o que nós fazemos no trabalho tem origem na forma que pensamos sobre as
coisas. É por isso que, como somos originados em uma cultura na qual o mais
forte é sempre servido pelo mais fraco, fica impossível defender a ideia da
liderança servidora. Afinal ninguém desejaria ser liderado por alguém mais
fraco do que si mesmo.
Estou convencido de que a maioria das organizações
vive uma crise de liderança. O esforço de encontrar talentos para preencher
posições chave nas empresas tem sido cada vez maior, mas vem produzindo
resultados muito aquém dos desejados. E como fazer para desenvolver as
potenciais lideranças da nossa empresa?
vive uma crise de liderança. O esforço de encontrar talentos para preencher
posições chave nas empresas tem sido cada vez maior, mas vem produzindo
resultados muito aquém dos desejados. E como fazer para desenvolver as
potenciais lideranças da nossa empresa?
Acredito que o desafio seja ensinar os líderes a
desenvolver o modo de pensar dos colaboradores. Isso implica em compreender que
muitas pessoas são altamente capazes, do ponto de vista individual, mas não
percebem que essa competência é valorizada pela organização. Essas pessoas
desejam trabalhar de forma mais inteligente, querem ser mais inteligentes e
estão pedindo desesperadamente que alguém as ajude a realizar esse desejo. Mas
tudo que encontram são pessoas (equivocadamente chamadas de líderes) que só
valorizam a tarefa repetitiva.
desenvolver o modo de pensar dos colaboradores. Isso implica em compreender que
muitas pessoas são altamente capazes, do ponto de vista individual, mas não
percebem que essa competência é valorizada pela organização. Essas pessoas
desejam trabalhar de forma mais inteligente, querem ser mais inteligentes e
estão pedindo desesperadamente que alguém as ajude a realizar esse desejo. Mas
tudo que encontram são pessoas (equivocadamente chamadas de líderes) que só
valorizam a tarefa repetitiva.
Se você quer realmente se desenvolver na arte de
levar pessoas a lugares e posições que elas nunca alcançariam sozinhas, ficam
aqui três dicas do David Rock:
levar pessoas a lugares e posições que elas nunca alcançariam sozinhas, ficam
aqui três dicas do David Rock:
1. O comprometimento das
pessoas só é garantido quando elas são estimuladas a pensar por si mesmas;
pessoas só é garantido quando elas são estimuladas a pensar por si mesmas;
2. As pessoas demoram um
pouco a se acostumar a ter suas próprias ideias, porque isso requer disciplina
e energia;
pouco a se acostumar a ter suas próprias ideias, porque isso requer disciplina
e energia;
3. O prazer de se descobrir
capaz de fazer mais do que pensava motiva muito mais do que qualquer tapinha
nas costas ou bonificação salarial.
capaz de fazer mais do que pensava motiva muito mais do que qualquer tapinha
nas costas ou bonificação salarial.
Sei que é
muito complicado definir o que é liderança. Já se chegou inclusive a afirmar
que “existem quase tantas definições de liderança quantas são as pessoas que
tentam defini-la”. Mas eu estou convencido – por mais que James Hunter
tente provar o contrário – que definitivamente liderar não é servir. Nem
tampouco é servir-se das pessoas para atingir objetivos pessoais.
muito complicado definir o que é liderança. Já se chegou inclusive a afirmar
que “existem quase tantas definições de liderança quantas são as pessoas que
tentam defini-la”. Mas eu estou convencido – por mais que James Hunter
tente provar o contrário – que definitivamente liderar não é servir. Nem
tampouco é servir-se das pessoas para atingir objetivos pessoais.
João Batista Vilhena é
consultor sênior do Instituto MVC. É Coordenador acadêmico do
MBA em Gestão Comercial da FGV. Já atendeu mais de 109 empresas nacionais
e multinacionais de diversos setores. Tem trinta anos de experiência
profissional, é mestre em Administração pela FGV e pós-graduado em
Marketing pela ESPM/RJ. Como palestrante participou de importantes
eventos nacionais e internacionais, é colunista de publicações e periódicos,
autor e coautor de diversos livros.
consultor sênior do Instituto MVC. É Coordenador acadêmico do
MBA em Gestão Comercial da FGV. Já atendeu mais de 109 empresas nacionais
e multinacionais de diversos setores. Tem trinta anos de experiência
profissional, é mestre em Administração pela FGV e pós-graduado em
Marketing pela ESPM/RJ. Como palestrante participou de importantes
eventos nacionais e internacionais, é colunista de publicações e periódicos,
autor e coautor de diversos livros.