MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO APONTA QUE 50% DOS ACIDENTES DE TRABALHO NÃO ENTRAM NAS ESTATÍSTICAS

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO APONTA QUE 50% DOS ACIDENTES DE TRABALHO NÃO ENTRAM NAS ESTATÍSTICAS

25 de julho de 2015.
O Brasil celebra nesta segunda feira
(27/07), o Dia Nacional de Prevenção dos Acidentes de Trabalho. Segundo o Ministério
Público do Trabalho (MPT), a região Sudeste apresenta 90% dos casos no país,
porém apenas 50% são devidamente registrados pelas empresas/funcionários,
através da abertura da Comunicação de Acidente
de Trabalho (CAT), o que pode agravar ainda mais a situação.
Para a engenheira de segurança do
trabalho e especialista em riscos industriais, Marcia Ramazzini, a data deve
ser um marco com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção e gravidade das
ocorrências. “Os programas comportamentais desenvolvidos pelas empresas devem
começar da alta direção até o chão de fábrica. Se não houver comprometimento,
não há resultados”, alerta.
Marcia Ramazzini defende que além das
empresas e dos funcionários, o governo e sociedade devem trabalhar em conjunto.
“A redução de acidentes só ocorre com a realização de um trabalho entre todos
os setores. Cada um deve fazer a sua parte e cumprir corretamente o seu papel”,
diz.
A engenheira Marcia Ramazzini também
destaca que as empresas devem cumprir e fazer cumprir a legislação vigente. “O
governo deve fiscalizar e criar leis e campanhas de conscientização. Já os
funcionários devem cumprir as regras visto que são os maiores beneficiados e
por fim, a sociedade deve se conscientizar e fiscalizar os órgãos
governamentais”, enfatiza.
A construção civil é o setor com
maior índice de acidentes. No ranking de lesões, as quedas e ferimentos nos
membros superiores (mãos) são os mais frequentes entre os trabalhadores. Já nos
casos de óbitos, os registros mostram quedas de grandes alturas e eletricidade
como principais motivos.
Os acidentes são caracterizados e
gerados através de atos inseguros quando
são causados por ações inadequadas do próprio funcionário ou condições inseguras, quando ocorre por
falta de segurança apropriada no local. Geralmente, o acidente acontece em atos
rápidos que são realizados cotidianamente. “Acidente é um evento indesejável.
Todos acham que nunca irá acontecer. Mas, as lesões podem ou não causar
afastamento. Isso se faz conforme a criticidade da ocorrência”, destaca.
Além dos danos ligados diretamente ao
trabalho, estas ocorrências podem causar complicações na vida pessoal do
colaborador. “Quando o funcionário fica afastado, ele não recebe o salário
integral e isso causa uma redução do poder aquisitivo familiar, desgaste nas
idas ao médico e realização de exames e danos emocionais”, ressalta a
engenheira.
Em caso de acidente no trabalho, o
local deve ser isolado, o funcionário deve ser encaminhado para o ambulatório
da empresa para primeiros socorros e, se necessário, ser levado imediatamente
para hospital mais próximo.
Após o acidente, exame médico e
perícia, caso seja constatada a necessidade de afastamento, os 30 primeiros
dias serão custeados pela empresa e os demais pela Previdência Social, por meio
do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
“Após retornar ao trabalho, o funcionário terá um ano de estabilidade”.
Vale ressaltar que o funcionário que
sofre uma lesão pode ser transferido para outra atividade durante o período de
recuperação. Desta forma, ele permanece na empresa evitando que fique em casa
exposto a outras ações de risco.
O Dia Nacional de Prevenção aos
Acidentes de Trabalho foi criado em 1972, pelo ministro Júlio Barata. Neste
período o Banco Mundial estava ameaçando cortar empréstimos ao Brasil em
virtude dos altos índices de acidente de trabalho. “Após 43 anos continuamos
com altos índices de acidentes. O nosso país ocupa o 4º lugar a nível mundial
levando-nos a seguinte questão: Porque a prevenção não faz parte do nosso
cotidiano? Por que não é prioridade? Evoluímos em muitos aspectos, porém, falta
muito para alcançarmos índices satisfatórios”, finaliza Marcia Ramazzini.
Foto: Engenheira de Segurança do Trabalho, Marcia Ramazzini.
Crédito: Flávio Oliveira.

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