O IMPACTO DAS OLIMPÍADAS E A BUSCA PELO EQUILÍBRIO ENTRE SOCIAL E AMBIENTAL

ARTIGO DO SÓCIO-DIRETOR DA BDO MAURO AMBRÓSIO

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O Brasil e o Rio de Janeiro já fazem contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de agosto. Mas no momento em que a capital fluminense se candidatou para sediar a competição, um dos objetivos traçados para minimizar os impactos gerados foi a neutralização da emissão do gás carbônico. Porém com os avanços nas discussões sobre as mudanças climáticas, os indicadores foram revistos. Com isso, a Rio 2016 traçou como objetivo implementar ações para reduzir a emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE), focando nos benefícios a longo prazo, ou seja, durante e posteriormente ao evento.

A Rio 2016 estabeleceu em contrato com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a elaboração de quatro relatórios que demonstram os impactos ambientais em todas as suas vertentes, incluindo os socioculturais e econômicos que o evento trará para o país, principalmente para a cidade.

Para recepção das Olimpíadas, a cidade do Rio de Janeiro teve que se adaptar para comportar este evento de grande porte e de proporção global, o que causou algumas insatisfações pelo fato de determinadas obras terem ocasionado desmatamento e corte de mata nativa em Áreas de Proteção Ambiental (APA). Um dos exemplos mais polêmicos foi a construção do campo de Golfe Olímpico, assentado sobre uma área de Zona de Conservação de Vida Silvestre (ZVS). De acordo com o relatório denominado Abraçando Mudanças, foram realizadas alterações no projeto, para que os danos fossem mitigados, além da coibição para que não houvesse avanços sobre a mata nativa. Para isto, foram restaurados cerca de 44 hectares de mata nativa.

Em relação a outras vertentes, devido às fontes de energia no Brasil serem consideradas renováveis, a Rio 2016 decidiu focar na melhoria da eficiência energética, aproveitando ao máximo as vantagens locais e uma rede de energia mais limpa. No que tange à água, houve também a preocupação com as águas das praias, baías e lagoas, que aumentaram substancialmente após o Rio de Janeiro ter sido escolhido como sede.

Isto requer um comprometimento tanto do governo estadual, quanto do governo municipal em prol do saneamento ambiental e da recuperação das águas, como da baía de Guanabara, que ainda não está compatível com “padrões olímpicos” – um contraponto à lagoa Rodrigo Freitas, que já demonstra os primeiros resultados de recuperação, mas ainda não apresenta uma situação ideal.

O comitê da Rio 2016 iniciou diálogo com possíveis prestadores de serviços, tal como a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB) para enumerar resultados da indústria de reciclagem, compostagem e biodigestão no Rio de Janeiro. Desde 2014 o Comitê da Rio 2016 já está trabalhando na inclusão de cooperativas de reciclagem para melhorar a destinação final dos resíduos.

Na realização das compras dos materiais, a Rio 2016 adotou critérios sustentáveis buscando identificar a origem da matéria prima e o ciclo de utilização de cada produto, já considerando a serventia dos mesmos no pós-olimpíadas.

Assim, num âmbito geral, apesar de o Rio de Janeiro ser uma cidade bastante desenvolvida, conhecida pelos brasileiros e estrangeiros por suas belezas naturais, apresenta prós e contras para receber este megaevento. Como exemplos positivos, estão melhorias no transporte local, geração de empregos no parque olímpico, além de investimentos tanto nos atletas que irão competir, quanto na qualificação dos prestadores de serviços.

Problemas como os da poluição da Baía de Guanabara prejudicam a qualidade do local, da água, a saúde dos atletas e posteriormente da população no entorno. Pode ocasionar também aumento da violência na cidade devido à desigualdade social, além de elevar os gastos nas contas públicas.

Visto isso, em qualquer dos cenários apresentados, haverá pontos positivos e negativos a serem constatados. Entretanto, é necessário que haja preocupação cada vez maior com o equilíbrio dos três aspectos: social, ambiental e econômico.

 

Mauro Ambrósio é sócio-diretor da BDO para a área de sustentabilidade.

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