PESQUISA DO CIESP-CAMPINAS APONTA QUE INDÚSTRIA ESTÁ PRÓXIMA DO LIMITE

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas apresentou, nesta terça-feira (26/05), a pesquisa de sondagem e balanço de dois meses dos efeitos da pandemia da Covid-19 na indústria regional. O diretor do Ciesp-Campinas, José Nunes Filho, manifestou preocupação com os   resultados dessa pesquisa de sondagem industrial, onde 21,9% dos associados apontam para demissões em maio e outros 21,9% preveem demitir em junho. “Isso é o resultado de mais de 60 dias de isolamento social. A indústria está no seu limite e já usou todas as suas possibilidades. Cada município tem a sua característica própria e deve tomar medidas diferentes de acordo com a gravidade que a doença assume dentro do seu limite geográfico.  Somos favoráveis a uma abertura gradativa e segura de acordo com os protocolos nesses municípios, a partir de primeiro de junho”, resumiu o diretor da entidade.

Na pesquisa de Sondagem Industrial sobre os dois meses de pandemia, 73% das empresas associadas responderam que o Covid-19 afetou o volume dos negócios. Com relação as medidas de contenção de despesas, entre as principais já adotadas pelas associadas destacam-se o controle rígido dos gastos (70,7%), adoção de férias para os colaboradores (43,9%), redução da jornada de trabalho (39%), férias para os grupos de risco (31,7%) e suspensão temporária do contrato de trabalho (24,3%). A preocupação apontada nessa pesquisa, avalia a diretoria do Ciesp-Campinas, é que 21,9% apontam demissões em maio e 21,9% projetam demitir no próximo mês de junho.

Entre as ações implementadas pelo governo, 41,4% das indústrias responderam que estão utilizando as prorrogações de pagamentos para o FGTS e impostos federais. A perspectiva de queda no negócio ou no mercado de atuação nos próximos meses é esperada para 73,1% das associadas ao Ciesp-Campinas.

A Sondagem da entidade ainda aponta que 46,3% acredita na retomada dos negócios ainda em 2020, porém 51,2% avalia que isso deverá ocorrer no próximo ano. Na última questão da pesquisa, 92,6% dos respondentes afirmaram que são  favoráveis a liberação consciente do fluxo de pessoas e reabertura do comércio.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, informou que as exportações da região em abril foram de US$ 185,8 milhões e as importações US$ 694,3 milhões – respectivamente, quedas de 38,3% e 18,1%. O déficit comercial em abril foi de US$ 508,5 milhões.  A corrente de comércio exterior da região em abril/2020 foi US$ 880,2 milhões, cerca de 26,4% menor quando comparado com abril de 2019. No acumulado de janeiro a abril de 2020, o déficit da balança comercial regional é de US$ 2,2 bilhões, sendo 1,4% menor que no mesmo período de 2019.

Na avaliação de Anselmo Riso, alguns setores estão ‘sobrevivendo’, como fármaco, químico e da área de saúde. Outros como o automotivo e eletroeletrônico estão em situação mais difícil. O setor ligado a energia alternativa apresenta uma perspectiva positiva para os próximos meses. “A recuperação (da balança comercial regional) deverá ser lenta e dependendo do setor, 2020 poderá ser considerado um ano perdido, com mais reflexos no desemprego da região”, avalia.

O Ciesp-Campinas conta com 494 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 41,52 bilhões ao ano. Conjuntamente essas empresas empregam 98.894 colaboradores.

 

Foto: Diretor do Ciesp Campinas, José Nunes Filho.

Crédito: Roncon & Graça Comunicações

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