Na 4ª
Semana da Educação de Campinas (SP) que acontece até esta sexta-feira (08/11) e que
reúne importantes players do setor promovido pela Fundação da Federação das
Entidades Assistenciais de Campinas (Fundação Feac) e que integra o compromisso
Campinas pela Educação, foi divulgado nesta quarta feira (06/11) um estudo organizado por Maria
Helena Guimarães de Castro, diretora-executiva da Fundação SEADE (Sistema
Estadual de Análise de Dados) que aponta que um quinto dos jovens de Campinas,
na faixa de 18 a 24 anos, já é chefe de família e 60% dos campineiros nesse
grupo etário não estudam. O evento “Trocando ideias sobre ideias trocadas:
educação sob o olhar dos jovens”, realizado no SESI Amoreiras, contou com a
participação de mais de 300 jovens e adolescentes de todas as regiões do município.
Opropósito do estudo foi indicar possíveis correlações entre a situação
educacional do jovem e adolescente de Campinas com o mundo do trabalho e
eventuais causas de sua exclusão do contexto escolar. Os dados foram extraídos
de fontes como o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
e o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).
De acordo com o estudo, 15% da população de Campinas, ou mais de 170 mil
pessoas, são de jovens de 15 a 24 anos. O estudo mostrou que 86% dos jovens de
15 a 17 anos ainda moram com os pais ou outros responsáveis. Cerca de 4% dos
jovens de 15 a 17 anos já são responsáveis por seus domicílios e, entre os
jovens de 18 a 24 anos, quase 23% já são responsáveis por seus domicílios.
de situação salarial, 20% dos jovens de 15 a 17 anos vivem em famílias pobres
(até ½ salário mínimo per capita). E mais: 60% dos jovens de 15 a 17 anos vivem
em famílias com renda per capita entre ½ e 2 salários mínimos, 16% dos jovens
de 18 a 24 anos vivem em famílias pobres (até ½ salário mínimo per capita), e
53% dos jovens de 18 a 24 anos vivem em famílias com renda per capita entre ½ e
2 salários mínimos.
contexto de vulnerabilidade social e de precoce responsabilidade pela família,
60% dos jovens de 18 a 24 anos não estudam e, desses 60%, apenas metade
concluiu o ensino médio. O último Censo do IBGE, de 2010, apontou que 15% dos
jovens de Campinas de 15 a 17 anos não estudam, 65% dos jovens de 15 a 17 anos
que estudam já concluíram ensino fundamental e 26% ainda não, 58% dos jovens de
18 a 24 anos que estudam já concluíram ensino médio, mas 20% só concluíram o
ensino fundamental, metade dos jovens de 15 a 17 anos que abandonaram a escola
não chegou a concluir o ensino fundamental e 43% dos jovens de 18 a 24 anos que
não estudam têm até o ensino fundamental completo.
também apontou que, de cada 100 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental,
12 estão com atraso escolar, ou seja, com distorção entre idade e série. No
ensino médio, a distorção entre idade e série já atinge 17% dos alunos, ou
seja, de cada 100 alunos, 17 estavam com atraso escolar de dois ou mais anos.
precariedade da inserção do jovem de Campinas no mundo do trabalho é ratificada
pelo estudo, que mostrou que mais de 70% dos jovens de 15 a 17 anos já
trabalham. A taxa de desocupação entre 18 e 24 anos, de 12,5%, é o dobro da
taxa geral da população na cidade e no Brasil. Entre os jovens de 15 a 17 anos
ocupados, 30% são empregados informais, sem carteira de trabalho, o triplo da
população geral nesta mesma situação. Entre 18 e 24 anos, a informalidade
cai para 13%.
Fotos 1 e 2 – 4ª Semana da Educação de Campinas em evento realizado no Sesi Amoreiras.
Crédito: Divulgação.