PESQUISA TRAÇA PERFIL DO SETOR SUCROENERGÉTICO



Marco Conejero



Uma pesquisa elaborada pela PwC Brasil em parceria com o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e de Bio eletricidade (CEISE Br) junto a representantes da indústria de base, fornecedores de cana-de-açúcar, profissionais de usinas e prestadores de serviço, entre outros, de diversas regiões do Brasil ligados à cadeia sucroenergética apontou a necessidade de  incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas e industriais, a melhoria da malha logística e facilidade de acesso ao crédito governamental como alguns dos fatores essenciais para o crescimento do setor.
Com relação à produção da cana-de-açúcar, os respondentes apontaram que um dos fatores mais importantes para o sucesso da atividade está relacionado à sua gestão, o que envolve adoção de boas práticas agrícolas, como rotação de culturas, controle biológico e adubação balanceada, e qualidade das operações no campo envolvendo preparo do solo, plantio, calagem, adubação, tratos culturais, colheita, entre outros. A produtividade, por exemplo, foi apontada por 23% dos entrevistados como o fator mais importante de sucesso.
O gerente da PwC Brasil e coordenador do Agribusiness Research Center, Marco Conejero, disse que destacar a produtividade da cana-de-açúcar como o mais importante fator de sucesso é um reflexo claro do choque que foi a safra de 2011 e 2012. “A quebra de safra provocada pela queda na produtividade dos canaviais, em grande parte envelhecidos, mostra que é preciso direcionar mais investimentos para a área agrícola, para que o setor continue crescendo”, aponta.
O levantamento mostrou ainda os fatores limitantes com relação a produção da cana-de-açúcar. Entre os principais fatores, 28% apontaram a flutuação no preço dos insumos e custos de produção. A taxa de renovação nos canaviais foi citada por 15%. A capacitação da mão-de-obra foi apontada por 14% e o acesso ao crédito por 10%. O Novo Código Florestal, por exemplo, aparece como um dos itens menos preocupantes.
O presidente do CEISE, Adézio Marques disse que os entrevistados apontaram que, para ter qualidade na área agrícola, é preciso mais acesso ao crédito para ampliar a capacidade de plantio e a qualidade na cana. “Eles também indicam que é preciso maior interação com Universidades, centros de formação profissional e Institutos de Pesquisa para aumentar o acesso à mão de obra capacitada”, destaca.
Com relação à produção industrial de açúcar, etanol e bioeletricidade, o estudo aponta que o fator mais importante para o sucesso da atividade é a eficiência industrial com 32%, seguida pelo relacionamento com fornecedores e parceiros para 13% e a qualidade da matéria-prima do campo, ou seja, a cana-de-açúcar foi indicada por 13% dos entrevistados.
Além disso, o controle das perdas, a qualidade da mão-de-obra e o controle e automação dos processos também foram citados como muito importantes, o que significa que a indústria está buscando, cada vez mais, a otimização de seus processos para evitar perdas, falhas e aumentar o seu rendimento.
Entre os fatores limitantes para o crescimento industrial do setor, o endividamento foi apontado por 24% e aparece como fator mais limitante para o crescimento da indústria, seguido pela profissionalização, citado por 14%. Gargalos na infraestrutura e logística também preocupam a indústria, já que o custo dos seus produtos e a competitividade estão diretamente ligado a esses fatores.
No que diz respeito ao mercado, o estudo apontou que, para obter sucesso na comercialização do açúcar, etanol e bioeletricidade, as usinas do setor precisam, primeiro, adotar boas práticas de governança corporativa, utilizar mecanismos de gerenciamento de preços e riscos e manter relacionamento sólido com distribuidores e clientes.
Para a comercialização do açúcar, o estudo mostra que o fator mais limitante ao crescimento do segmento é a infraestrutura para exportação, apontada por 40% dos respondentes. “Os gargalos de infraestrutura encarecem muito a logística do açúcar brasileiro, ameaçando a competitividade do produto no exterior. Por isso, a concorrência com outros países também apareceu como uma preocupação. A volatilidade do preço e a demanda internacional incerta também foram citadas, uma vez que dificultam o crescimento deste mercado”, ressalta Conejero.
Com relação ao etanol, a tributação aparece como o principal fator limitante já que, de acordo com o estudo, a carga tributária excessiva inviabiliza em muitos estados o abastecimento com etanol hidratado. “O congelamento do preço da gasolina é uma barreira para o consumo de etanol, uma vez que ao atingir a paridade de 70% do preço, o consumidor migra para a gasolina gerando um descompasso entre a oferta e a demanda. Além disso, as barreiras internacionais ao nosso produto, principalmente as não-tarifárias, também são limitantes, além da concentração das distribuidoras e o tão discutido marco regulatório”, completa Marques.
Já na área da bioeletricidade, o preço do MWh pago pelos leilões públicos, o acesso ao crédito para expansão de projetos e a dificuldade de acesso à rede demonstram que esse mercado ainda está longe da maturidade.  “Se de um lado é preciso que o setor sucroenergético entenda melhor como funciona o mercado de energia elétrica brasileiro, do outro falta regulamentação específica para o setor, já que hoje a biomassa compete igualmente com outras fontes de energia renovável, que têm custo de produção mais barato. Em um ano seco, há um enorme potencial para a utilização dessa fonte na rede elétrica brasileira, mas fica claro que esse mercado precisa ser olhado com mais atenção pelo governo”, finaliza Conejero.
A pesquisa foi realizada entre os meses de março e maio de 2012 pela PwC Brasil, por meio do seu Centro de Pesquisa em Agronegócios, e CEISE Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e de Bioeletricidade), com apoio do portal Sucrotrends, que disponibilizou o questionário online. O estudo endereçou o respondente a classificar, segundo a sua opinião, o grau de importância de diversos temas pré-selecionados para o sucesso ou limitação do crescimento da atividade do setor sucroenergético no Brasil. A pesquisa contou com a participação de 120 pessoas de diferentes perfis. A PwC foi a responsável pela elaboração do questionário, análise e apresentação dos resultados finais; a operacionalização ficou a cargo do CEISE Br e da Sucrotrends.
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