POLÍTICA HABITACIONAL DEVE SER TRATADA COM HOMEOPATIA

POLÍTICA HABITACIONAL DEVE SER TRATADA COM HOMEOPATIA

09 de março de 2015.
ARTIGO DO PROFESSOR MARCOS FONTES

A cadeia da Construção Civil é
reconhecida como uma das maiores geradoras de empregos, renda, bens e serviços,
representando hoje em torno de 8% do PIB brasileiro. O recente período de
crescimento, notadamente nos últimos três anos (descontando 2014 que foi um ano
perdido para o setor) foi gerado preponderantemente por medidas anticíclicas
governamentais, catalisado pela ampla oferta de credito imobiliário e pela
mobilidade social das classes econômicas C, D e E.
Outras faixas de renda também tiveram
incentivos com abundante oferta de crédito, tanto para a produção quanto para o
financiamento a pessoas físicas.
A crise financeira mundial de 2008,
iniciada nos Estados Unidos, coincidentemente originada no mercado imobiliário
daquele país teve como resposta imediata um Programa de Governo aqui no Brasil
que tinha o objetivo principal de gerar emprego e renda na cadeia da Construção
Civil e que funcionou eficazmente como medida que evitaria os reflexos da
crise.
Entretanto, da literatura econômica
sempre vimos que as medidas anticíclicas são estratégias governamentais que
funcionam como “alopatia” e que, portanto devem ser prescritas por prazo
determinado, devido ao alto custo para a sociedade. Desta forma o Governo
injeta recursos em determinado setor ou Indústria com o intuito de alterar o
ciclo natural da “doença”.
Quando foi lançado, em 2009, o
Programa Minha Casa Minha Vida tinha o objetivo de atingir um milhão de
unidades e direcionar esta oferta com a prioridade para famílias que residiam
em áreas de risco. Trabalhava o gestor com uma meta inicial de 14% do déficit
habitacional de cada região. A segunda fase do programa buscou 30% como
diretriz para a diminuição do déficit municipal, levando como base o senso de
2010 do IBGE.
Quando em 2015 o Governo anuncia a
terceira fase do PMCMV, com a oferta de mais três milhões de moradia até 2018
ele informa que continuará “prescrevendo remédio alopático” para o mercado,
especificamente na Habitação Popular, principalmente se não alterar a “dosagem”
ou o subsidio oferecido principalmente na primeira faixa de renda (até R$
1.600,00).
Imaginava-se então que estas medidas
alopáticas e caríssimas para a sociedade, com subsídios chegando a 95% da
unidade pudessem resolver várias situações. O fim da crise financeira era o
principal objetivo, a melhoria das “doenças crônicas” das cidades e regiões
metropolitanas que são a proliferação das favelas e instalação de moradias
provisórias às margens dos rios. O terceiro fator seria a sustentabilidade
ambiental e outra consequência importante seria a melhoria da qualidade de vida
das famílias beneficiadas.
Apesar de não termos visto nenhum
balanço sério, sem o condão político por um lado e sem o crivo da crítica vazia
pelo outro, nenhuma das quatro situações aconteceu depois de cinco anos de
Programa. Com as áreas de risco, “enxugou-se gelo”, pois as margens dos rios
continuam com seus barracos ocupados, com raras exceções de prefeituras que
deram bons exemplos. Quanto ao fator de sustentabilidade econômica, o programa
tem inadimplência acima de 20% na Faixa 1 (renda até R$ 1.600,00) e
dificilmente o retorno das prestações poderá beneficiar outras famílias.
Um Programa que está tendo um custo
elevado, da ordem de R$ 230 bilhões de investimento até o final de 2014, sendo R$ 80 bilhões, praticamente a
fundo perdido precisa de ajustes para que saia da condição de Programa
Habitacional, de governo e temporal para uma Política Habitacional Popular
permanente e atemporal, podendo ser aperfeiçoada no tempo. Que tenha a
corresponsabilidade e contrapartidas devidas dos diversos setores
governamentais e do segundo e terceiro setor e que aceite contribuições de
investidores, transformando-o num bom negócio, sem a tutela única ou
preponderante do Estado. Não pode uma estratégia desta envergadura e
importância como política urbana ficar sob responsabilidade de Bancos
públicos. 
Com menor subsídio individual, na
ordem do dia do ministro da Fazenda, melhoria do controle do retorno e
comprometimento de todos os responsáveis no processo pode-se fazer muito mais
do que o governo está estabelecendo como meta.
Portanto, que este Programa seja
alçado à condição de Política Habitacional, como medida “homeopática”, e que a
dosagem de subsídios tenha equilíbrio financeiro e sendo justa, que tenha
retorno ao sistema. Que os governos federal, estadual e municipal, a sociedade
e o terceiro setor abracem esta política pela abrangência e sua eficácia para a
melhoria das condições de vida da sociedade. Desta forma, a cadeia da construção
civil agradece, vai continuar a gerar empregos e renda e a conta vai fechar sem
interferência elevada do governo, “alopática” e política.
Marcos Fontes é professor de Economia da IBE-FGV especialista nas áreas de Finanças e Imóveis com ênfase em crédito imobiliário e construção civil.

GRUPO RÃO INVESTE R$ 2 MILHÕES E LEVA NAJAH RÃO AO AEROPORTO SANTOS DUMONT

CENTRO MÉDICO DE CAMPINAS REÚNE ESPECIALISTAS PARA DISCUTIR AVANÇOS NO TRATAMENTO DO CÂNCER DE PRÓSTATA

FUNDAÇÃO FEAC LEVA DIVERSIDADE, INOVAÇÃO E IMPACTO SOCIAL AO CAMPINAS INNOVATION WEEK

ABRH-SP REGIONAL CAMPINAS PROMOVE ENCONTRO PARA COMPARTILHAR APRENDIZADOS DO CONARH 2026

CONSTRUSER REÚNE MAIS DE 1,5 MIL PARTICIPANTES EM CAMPINAS EM DIA DEDICADO À FAMÍLIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

INDÚSTRIA DE CAMPINAS VÊ POLÍTICA TRIBUTÁRIA COMO PRINCIPAL RISCO E MANTÉM COMÉRCIO EXTERIOR EM ALTA

DO RISCO AO RESULTADO REÚNE ESPECIALISTAS PARA DISCUTIR OS FATORES QUE SUSTENTAM O CRESCIMENTO EMPRESARIAL

INTEGRAÇÃO ENTRE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO IMPULSIONA EFICIÊNCIA DA INDÚSTRIA

PLANEJAMENTO PATRIMONIAL MODERNO EXIGE UMA VISÃO INTEGRADA

Assine nossa newsletter

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e pelo Google Política de Privacidade e Aplicam-se os Termos de Serviço.