
O crescimento do tempo de exposição a celulares, redes sociais, vídeos, jogos e outras plataformas digitais será o foco de um simpósio científico que será realizado neste sábado, dia 11 de abril, em Campinas. Com o tema “Dependências Digitais: do hábito à dependência”, o encontro acontece no auditório do Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU), na Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, e reúne especialistas de diversas áreas para discutir um problema cada vez mais presente na sociedade contemporânea.

Voltado a profissionais de saúde convidados, o simpósio propõe uma reflexão que vai além do ambiente acadêmico e clínico, abordando o impacto do uso excessivo de telas na saúde mental, nas relações familiares, no sono, na atenção, na produtividade e no comportamento social. A programação inclui debates sobre como o uso digital pode evoluir para padrões de dependência, além de discutir sinais de alerta que devem mobilizar famílias, educadores e profissionais.
Entre os temas abordados estão regulação emocional, impulsividade, ansiedade, TDAH, ausência de limites estruturados, substituição de interações presenciais e a influência do design das plataformas digitais na manutenção do uso contínuo.

Comportamento compulsivo em foco
Um dos pontos centrais do encontro é a análise clínica de que a dependência de telas pode ocorrer com frequência também em famílias de maior nível socioeconômico, onde o acesso à tecnologia é amplo e integrado à rotina. A partir desse recorte, os especialistas discutem fatores como supervisão parental, usos culturais da tecnologia e os elementos que contribuem para a transição do uso cotidiano para comportamentos compulsivos.
Programação e especialistas

O simpósio será dividido em dois blocos. Na abertura, participam o otorrinolaringologista Agrício Crespo, presidente do IOU e professor da Unicamp; o cardiologista Ary Ribeiro, com PhD pelo Instituto Karolinska; e o psiquiatra Carlos Cais, também com doutorado pela Unicamp e cofundador da Cais Curadoria e da Elibré. Este primeiro momento será dedicado à contextualização do tema e aos desafios contemporâneos no cuidado em saúde.
Na sequência, o bloco técnico reúne Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do PRO-AMITI, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo; a psicóloga Ana Beatriz Abrahão; e a psiquiatra Renata Azevedo, professora da Unicamp. As discussões se aprofundam em fatores de risco, diagnóstico, prevenção e estratégias de enfrentamento clínico e interdisciplinar.
Redes de cuidado e atenção especializada
A Cais Curadoria, uma das instituições envolvidas, atua na conexão entre profissionais de saúde com base em critérios de ética, trajetória e práticas fundamentadas em evidências. Já a Elibré se apresenta como uma clínica especializada em saúde mental, com foco em atendimento personalizado e abordagem multidisciplinar.
Ao reunir especialistas de diferentes áreas, o simpósio reforça a importância de tratar as dependências digitais como um tema de saúde pública, que exige atenção integrada e atualização constante por parte dos profissionais.
Foto 1 – Dr. Agrício Crespo, presidente do IOU e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Crédito: Claudinei Fortes.
Foto 2 – Dr. Carlos Cais, psiquiatra com PhD pela Unicamp, sócio-fundador da Cais Curadoria e da Elibré.
Foto 3 – Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do PRO-AMITI, do Instituto de Psiquiatria da USP, e do 1º Programa de Dependências Digitais do Brasil.
Foto 4 – Renata Azevedo, psiquiatra e professora livre-docente do Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Crédito: Divulgação.