VAMOS TORCER PARA TER PASSADO A FASE DO “É MELHOR SER AMIGO DA PESSOA CERTA DO QUE SER COMPETENTE E EFICIENTE”

COLUNA DO CONSULTOR DE EMPRESAS JORGE CARLOS BAHIA

Os últimos acontecimentos indicam que estamos diante de uma nova estrutura no que se aplica ao relacionamento empresa e governos. Os vários e vários casos acompanhados e divulgados pela imprensa parecem que nos colocam diante de um cenário onde identificamos um novo país. Novo no sentido de que “não adiantará mais ser amigo do rei”, é preciso ter qualidade e a mesma resultar em competência e eficiência.nova foto bahia_DSC0524

Ao ouvir a entrevista de um dos envolvidos em questões nas quais o dinheiro público foi mal gerido e a administração pública avalizou essa má gestão, foi interessante a colocação desse envolvido ao dizer que “o que está acontecendo está passando o Brasil a limpo. O Brasil que está nascendo será diferente. Você vai pedir as suas licenças, vai passar pelos procedimentos normais, transparentes e se você for melhor você ganhou e acabou a história…”

Quando associamos os fatos e acontecimentos que devem ter ficado por debaixo de tapetes na relação empresas e governos, fatos relacionados a concessão de benefícios, a escolhas ou homologações de fornecedores, a aprovações de projetos que consumiram dinheiro público, dinheiro do povo, e comparamos o que vivenciamos atualmente com a situação financeira de vários Estados e mesmo do Governo Federal e Municípios, chegamos à conclusão que ficamos por muitos e muitos anos na condição de “vou-me embora para Pasárgada, lá sou amigo do rei….”.

Torcemos muito, e devemos ter convicção que esses péssimos exemplos  de administração e de gestão do dinheiro público, se não acabaram com tudo que estamos acompanhando, estão perto do fim. É necessário que a capacidade, a qualidade, a tecnologia, a inovação e a eficiência sejam métricas de avaliação e aprovação de projetos quando temos recursos públicos envolvidos.

É necessário como foi dito “que haja transparência e que vença o melhor”. Aquele que tiver melhor resultado vencer não é nenhum desalento para os que não venceram. Pelo contrário, é a indicação do que precisa ser melhorado, do que não foi realizado com correção para se chegar lá. Isso não fica evidente e confunde qualquer avaliação quando o vencedor não é o melhor, e sim o amigo da pessoa certa.

Temos vários exemplos que demonstram que a concorrência transparente, premiando o melhor, acirra a disputa para que tenhamos mais e mais diferenciais positivos em novas concorrências. A indústria automobilística é um bom exemplo, bem como a indústria de tecnologia.  A capacidade dos nossos profissionais quanto a juntarem a evolução da indústria automobilística com a evolução da indústria de tecnologia,  causando uma saudável parceria quanto ao envolvimento de uma na outra, é o bom exemplo do que conseguimos realizar quando há seriedade e objetivos claros nos projetos e nos investimentos.

Verificamos situações em que vários Estados estão congelando ou mesmo suspendendo benefícios fiscais que tinham como objetivo captar para a sua região investimentos que fossem geradores de mão de obra qualificada, geradores de melhorias nas condições de infraestrutura pública local, captadores de novos investimentos que pudessem ser uma semente no desenvolvimento de parques industriais, parques tecnológicos ou mesmo parques logísticos.

Importante é torcer para que profissionais sérios possam assumir a coordenação desses programas de desenvolvimento que estão por todo o país, que estudos voltados a equilibrar a economia dos Estados possam ser implementados urgentemente, que as reformas da previdência e trabalhista possam ser discutidas com seriedade e com visão no bem estar do povo em momento atual e futuro, que a população – independente de sua bandeira partidária – perceba a necessidade de mudança e o momento sério que estamos passando no qual o remédio pode ser amargo mas é necessário para uma breve cura. Que administradores públicos, políticos, empresários e investidores tenham a visão do que foi comentado na entrevista acima mencionada: “você vai passar pelos procedimentos normais, transparentes, e se você for melhor, você ganhou”. Que a filosofia do levar vantagem em tudo sem competência, sem eficiência e como fruto de trabalho sério, vantagem simplesmente obtida por usufruir da proximidade com quem decide, seja definitivamente extirpada de nossa cultura política empresarial.

Temos a obrigação de acompanharmos esse momento de “transição cultural” e não mais aprovarmos e aceitarmos  o “quem indicou” mas sim o “indicado”, avaliando sua capacidade e competência. Como foi dito “o que está acontecendo está passando o Brasil a limpo. O Brasil que está nascendo será diferente”.

Jorge Carlos Bahia, bacharel em administração de empresas, contador, consultor de empresas, palestrante, professor em cursos profissionalizantes, sócio proprietário do Grupo Bahia Associados,  com experiência profissional de mais de 20 anos em empresas multinacionais atuando na área fiscal,  tributária, contábil e controladoria.

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