
Com foco em impulsionar a inovação no setor publicitário por meio da inteligência artificial, a empresa brasileira de mídia programática e marketing digital Zygon AdTech anunciou a criação da Zygon Venture, um braço de investimentos voltado exclusivamente ao desenvolvimento e aporte em startups especializadas em tecnologias emergentes aplicadas à publicidade.
O anúncio foi feito pelo chairman da empresa e doutor em Comunicação, Lucas Reis, como parte das comemorações pelos dez anos de atuação da companhia no mercado. A nova iniciativa surge em um cenário de expansão do ecossistema brasileiro de startups, que atualmente reúne mais de 20 mil empresas ativas, apostando, no entanto, em uma estratégia distinta da adotada pelos modelos tradicionais de venture capital.
Segundo a empresa, a Zygon Venture terá atuação concentrada e especializada, priorizando poucos investimentos estratégicos. A proposta é criar uma “venture setorial”, dedicada exclusivamente à identificação, criação e desenvolvimento de negócios inovadores para a indústria publicitária. “Partimos agora para o mapeamento de oportunidades e planejamos realizar o primeiro deal ou lançamento no primeiro semestre de 2027”, afirma Lucas Reis. De acordo com ele, a estruturação da tese de investimentos foi concluída neste primeiro semestre e envolveu uma série de estudos sobre o futuro do setor.
A nova operação será liderada pelos sócios-fundadores da Zygon AdTech, Lucas Reis, Marília Duarte, Urbano Sampaio, Jéssica Miucha e Cristiane Rebouças. O desenvolvimento da tese, do processo de seleção de oportunidades e da estratégia de investimentos contou ainda com a participação da consultora Emmeline Oliveira, profissional com experiência em projetos de inovação aberta para empresas como Natura, Vivo e Braskem.
Duas teses de investimento
A Zygon Venture nasce estruturada sobre duas frentes principais de atuação. A primeira, denominada AI Rollup, prevê a aquisição de participações em empresas tradicionais para remodelá-las com o uso de Agentic AI — ou inteligência artificial agêntica —, ampliando escala operacional e rentabilidade.
Já a segunda tese, chamada Service-as-Software, consiste na criação de novos negócios desde a sua origem, com o objetivo de operar serviços utilizando a lógica de escalabilidade típica das plataformas de software.
Ambas as estratégias estarão voltadas exclusivamente à indústria da publicidade.
Relatório sobre IA agêntica
Como uma das primeiras iniciativas da nova frente de negócios, a Zygon lançou, em junho, o relatório “Panorama de Agentic Advertising 2026”, documento que reúne análises sobre os impactos da inteligência artificial agêntica no mercado publicitário.
Segundo Lucas Reis, o estudo busca oferecer diagnósticos e cenários prospectivos, sem a pretensão de apresentar previsões definitivas.
“Esse paper não traz previsões, mas leituras de cenário com diagnósticos e prognósticos que precisarão ser atualizados à luz das mudanças de contexto. Queremos compartilhar periodicamente essas análises com o mercado”, explica.
O material sucede a pesquisa “Gospel Power – A fé que move cultura e consumo”, realizada em 2025 em parceria com a Eixo, e reúne mais de vinte fontes de dados para dimensionar o mercado publicitário, identificar vetores de transformação e avaliar os possíveis impactos da adoção da Agentic AI na publicidade.
O relatório também estabelece paralelos entre a atual revolução tecnológica e outras transformações históricas, como a eletrificação e a digitalização, destacando que, embora a automação cognitiva avance em ritmo acelerado, sua maturação plena ainda deverá demandar pelo menos uma década.
Para Reis, essa visão permite uma abordagem mais pragmática da tecnologia. “Precisamos deixar de lado a espuma do hype e focar no que efetivamente é possível extrair de valor da inteligência artificial”, afirma.
Ao contextualizar o cenário para a realidade brasileira e latino-americana, o estudo destaca ainda um desafio regional: a dependência da América Latina de tecnologias desenvolvidas no exterior. “Nossa região é consumidora líquida de serviços de tecnologia, o que faz com que não participemos da geração de valor da inovação. Queremos contribuir para mudar essa realidade”, conclui o executivo.
Foto: Chairman da Zygon e Doutor em Comunicação, Lucas Reis.
Crédito: Divulgação.