INDUSTRIA DA REGIÃO DE CAMPINAS APOSTA EM PLANO DE CARREIRA PARA RETER TALENTOS

INDUSTRIA DA REGIÃO DE CAMPINAS APOSTA EM PLANO DE CARREIRA PARA RETER TALENTOS

A dificuldade para contratar e manter profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios enfrentados pela indústria da região de Campinas. Pesquisa de Sondagem Industrial de Julho, apresentada na última segunda-feira (27/07) pela Regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), mostra que as empresas têm priorizado estratégias voltadas ao desenvolvimento profissional e à flexibilização das relações de trabalho para reter talentos.

De acordo com o levantamento, 43% das indústrias apontam a adoção de um plano de carreira estruturado, com perspectivas claras de crescimento profissional, como principal estratégia de retenção de colaboradores. Outros 29% investem em uma cultura de autonomia e flexibilidade, com modelos híbridos e jornadas mais flexíveis.

O incentivo à qualificação profissional, por meio de subsídios para cursos de especialização, foi citado por 14% das empresas entrevistadas. O mesmo percentual informou não possuir um programa específico para retenção de talentos. Nenhuma indústria indicou o pagamento de salários acima do mercado local como principal estratégia.

Para o diretor do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, os resultados refletem um cenário que já vinha sendo apontado nas sondagens anteriores. “Os indicadores da Sondagem de Julho mostram números já previstos em pesquisas anteriores. Há queda acentuada da produtividade, das vendas e dos lucros, diante de uma política econômica que não ajuda o empreendedor. Essa pesquisa corrobora aquilo que dissemos nos meses passados. Estamos principalmente com queda de lucro e pequeno aumento de demissões. Isso é preocupante porque os juros continuam altos, o gasto público também e tem ainda o custo Brasil”, afirmou.

Ciesp critica nova tarifa dos Estados Unidos

Durante a apresentação da pesquisa, a diretoria regional divulgou nota do Ciesp estadual contestando a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo o presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone, a justificativa apresentada pelo governo norte-americano não encontra respaldo na realidade brasileira.

“O argumento para mais essa sobretaxa é improcedente, pois o Brasil é um dos maiores signatários das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sendo aderente a 66 delas, com destaque para os pactos contra o trabalho infantil e o trabalho forçado. Além disso, temos uma das legislações trabalhistas mais rigorosas do mundo, com fiscalização intensa e punições severas.”

Na nota, o Ciesp afirma que acusações relacionadas ao trabalho forçado não podem servir de justificativa para restrições comerciais sem comprovação concreta, argumentando que esse tipo de medida prejudica a imagem internacional do Brasil e reforça a percepção de que a decisão extrapola critérios técnicos e comerciais.

A entidade também defende que o governo federal intensifique as negociações por meio da diplomacia econômica, conduzindo o diálogo com serenidade, firmeza e argumentos técnicos. Embora considere positiva a criação de linhas de crédito com juros reduzidos para empresas afetadas pelo aumento das tarifas, ressalta que medidas emergenciais não substituem a necessidade de restabelecer condições equilibradas para o comércio bilateral.

Exportações crescem e déficit comercial diminui

Os dados da Balança Comercial Regional, apresentados pelo diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp Campinas, Anselmo Riso, mostram crescimento das exportações e redução do déficit comercial no primeiro semestre de 2026.

Em junho, a região exportou US$ 328 milhões, volume 8,39% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, as exportações somam US$ 1,8 bilhão, alta de 4,6%.

As importações totalizaram US$ 1,2 bilhão em junho, crescimento de 0,77% na comparação anual. No acumulado de 2026, o volume importado alcançou US$ 6,7 bilhões, uma redução de 0,39% frente ao mesmo período do ano passado.

Com esse desempenho, o déficit da balança comercial regional ficou em US$ 964 milhões em junho, redução de 1,58% em relação a junho de 2025. No acumulado do ano, o déficit caiu 2,11%, totalizando US$ 4,9 bilhões.

A corrente de comércio exterior — soma das exportações e importações — atingiu US$ 1,6 bilhão em junho, crescimento de 2,23% sobre igual período do ano anterior. No acumulado de 2026, a corrente comercial soma US$ 8,5 bilhões, alta de 0,63%.

Campinas lidera exportações

Entre os municípios da Regional Campinas do Ciesp, Campinas respondeu pela maior participação nas exportações em junho, com 35,69% do total, seguida por Paulínia (19,44%), Sumaré (10,38%), Mogi Guaçu (8,68%), Santo Antônio de Posse (4,99%) e Valinhos (4,64%).

Nas importações, Paulínia liderou com 37,08%, seguida por Campinas (26,52%), Hortolândia (8,39%), Jaguariúna (8,33%), Sumaré (7,38%) e Valinhos (4,29%).

Os principais destinos das exportações da indústria regional em junho foram os Estados Unidos, com US$ 56,94 milhões (17,34%), seguidos por Argentina (US$ 38,9 milhões) e Colômbia (US$ 23,4 milhões).

Já as importações tiveram como principais origens a China, responsável por US$ 423,3 milhões (32,75%), seguida pelos Estados Unidos (US$ 202,52 milhões) e pela Coreia do Sul (US$ 94,97 milhões).

Atualmente, o Ciesp Campinas reúne 590 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios, que somam faturamento anual de R$ 53 bilhões e empregam 97.954 colaboradores.

Foto: José Henrique Toledo Corrêa (Diretor Ciesp-Campinas) e Anselmo Riso (Dir. Dep. Comércio Exterior – Reg. Campinas)

Crédito: Roncon & Graça Comunicações.

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