MELHORA DO ÍNDICE DE CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL PAULISTA PODE ABRIR CAMINHO PARA REINVESTIMENTO

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas divulgou os dados referentes a sondagem industrial eferente ao mês de julho junto as suas associadas. O levantamento foi feito pelo Centro de Pesquisas Econômicas da Facamp (Faculdades de Campinas). Os resultados da sondagem industrial para o mês de julho de 2016 indicam queda na produção, que2490_Coletiva_Ciesp-Cps_Crédito_Roncon&Graça Comunicaçõesda no emprego, redução do valor de vendas, crescimento da inadimplência. Indicam também que não houve redução da utilização da capacidade instalada, apesar de ligeira melhora. Os índices são reflexo da recessão econômica que atinge o país  e obviamente se refletem nas empresas da Região Metropolitana de Campinas.  O Professor e Economista da Facamp, José Augusto Ruas, disse que há um ciclo prolongado de quedas desde o final de 2014. O pequeno e o médio empresário tem menos capacidade de lidar co essa crise prolongada. O grande empresário consegue se organizar melhor, inclusive financeiramente, para lhe dar com essa situação. O pequeno não consegue. Obviamente, parte importante dessas demissões, está vindo desse tipo de empresa”, diz.

José Augusto Ruas disse que as vendas continuam caindo para uma parte expressiva dos respondentes da pesquisa. “Eu tenho mais de 66% dos respondentes que estão ou estavam caindo. Isso vem afetando a produção na região. Na verdade, o cenário para o empresário da região é muito ruim, seja por conta do mercado interno, seja por conta do mercado externo. As vendas externas continuam muito ruins. De fato nós temos um cenário de queda de vendas, de queda de produção, o que afeta a lucratividade desse empresário na região”, afirma.

Com relação aos índices de inadimplência houve uma pequena piora nesses índices. No mês de junho  27% dos respondentes disse que esse número aumentou e em julho este percentual subiu para 32%. Para o professor José Ruas, este índice é reflexo de um cenário de vendas muito ruins, de crise e de desemprego.

O economista destacou ainda um dado que reflete a grave recessão que atinge o país com relação ao aumento do pedido de recuperação judicial das empresas. Até a metade deste ano o acumulado de pedidos de recuperação judicial de empresas já representa todo o volume de pedidos registrados em 2015. “A recuperação judicial é um processo que vem sendo ampliado no Brasil, inclusive como instrumento não só de falir as empresas, mas tentar recuperá-las. Muitas empresas tentam apresenta planos para poder se organizar e algumas tem sido bem sucedidas nesse processo. Temos estudos mostrando que isso é viável para quem consegue antecipar a recuperação judicial e começar o processo antes que a crise se estenda de maneira muito drástica, mas boa parte dos empresários já não veem outra alternativa a recorrer a esse instrumento jurídico, que é muito penoso. Eu acredito que nesse ano o número deve continuar nessa tendência e a gente vai bater um recorde histórico. Esperamos que em 2017 possa retroceder esse processo”, conclui.

Um ponto positivo é que no mês de julho houve 500 contratações.  Neste ano apenas em janeiro foram registradas 700 contratações. De lá até então só foram registradas demissões. O diretor titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho, disse que essas contratações podem ser uma sazonalidade já que os meses de julho  desde 2003 registraram apenas 4 anos com demissões. “Acredito que estamos caminhando para um caminho mais seguro. O índice de confiança do empresário industrial paulista subiu pela primeira vez depois de mais de 10 anos acima do nível histórico que é de 48,9 pontos. Ele subiu para 50,2 pontos e é o quinto aumento consecutivo nos últimos 5 meses, então demonstra que há uma vontade de reinvestir e está voltando a credibilidade no país. Como a expectativa é que limita o investimento, quando a expectativa é boa, a tendência é que os investimentos voltem. Nós estamos recebendo muito investimento estrangeiro no Brasil hoje. O Brasil tem sido apetitoso como investimento porque o país está partindo para ter um governo com mais segurança jurídica, com uma equipe econômica mais séria sem embutir ou esconder coisas, um governo com estado mais onipresente do que é hoje com mais liberdade econômica e uma economia mais liberal. Esse investimento pode ser a alavanca para fazer esse país voltar a crescer, voltar a gerar empregos e resgatar esses 12 milhões de desempregados que nós temos hoje no Brasil”, avalia.

 

Foto: Entrevista coletiva do diretor titular do Ciesp Campinas,José Nunes Filho.

Crédito: Roncon & Graça Comunicações

 

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