O EFEITO PSICOLÓGICO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

COLUNA DO CEO DO GRUPO BAHIA & ASSOCIADOS JORGE BAHIA

Vamos imaginar empresas que tenham recursos a investir, empreendedores que tenham recursos a aplicar, ambos  buscando investimentos que tragam segurança no retorno.

Do outro lado temos empresas,  independente do ramo de atividade, mas que demonstram ter controle, demonstram ter orçamento equilibrado, demonstram ter planejamento não só de curto prazo, mas de médio e longo prazo, empresas que indicam ter transparência em suas análises e divulgações. Mas, também temos para análise, empresas com custos acima de suas receitas, empresas que são fartas em ideias mirabolantes para suprir necessidade de caixa, empresas cuja gestão não apresenta princípios básicos de orçamento e de administração financeira. Em qual grupo de empresas imaginamos que  os investidores escolheriam para aplicar recursos?

Agora, vamos transcender essa análise a uma questão mais macro, vamos imaginar empresas consideradas grandes potencias multinacionais, fortes investidores internacionais estudando a alocação de recursos. Imaginemos o comitê de gestão de uma grande multinacional canalizando investimentos para produção, para a geração de empregos e renda, vamos imaginar o investidor avaliando o aporte de capital, ou mesmo a aquisição de uma determinada operação na qual aplicará mais recursos investindo também  em inovação e em tecnologia.

O grupo de países parte da avaliação está ali a disposição da análise dos técnicos com todos os seus números expostos e suas perspectivas econômicas e políticas sendo fortemente ponderadas. Aonde investir? Aonde aplicar recursos?

Um desses países é interessante em termos estratégicos, mas  tem rombo previsto em suas contas públicas de R$ 139 bilhões para o ano corrente, ou seja, temos ai gastos maiores do que as receitas. Esse é um ponto de atenção para o  investidor  pois a situação, não lhe dá a devida segurança em termos de .aplicação de recursos. Essa segurança surge, por exemplo, na validação do estudo que lhe indica o rendimento e a remuneração do recursos que está investindo, a fatia do mercado que irá absorver. Mas com o país nessa situação deficitária, pode-se por exemplo, de repente, ser criado um tributo não previsto nos investimento iniciais. Esse tributo terá como finalidade cobrir parte desse déficit em contas púbicas. Poderemos ter com a mesma finalidade, o aumento de alíquotas de tributos já existentes. Poderemos ter pela associação desses dois pontos uma retração de mercado.  Essas variáveis e muitas outras, geram pontos de atenção quanto a real rentabilidade da operação e do investimento naquele local.

Podemos imaginar, também, que parte significativa desse déficit orçamentário tem origem na previdência social do país que está entre aqueles que podem recepcionar os investimentos. De um total de gastos previstos para o ano na ordem de R$ 1,438 trilhão de reais, R$ 767,8 bilhões são identificados como despesas de previdência. Elas somam muito mais do que outros recursos canalizados para setores importantes da administração pública como saúde, educação e segurança. Investiríamos nesse país?

Temos mais um detalhe, ano a ano, essa situação de déficit orçamentário se agrava mas não há qualquer movimento de solução. Investiríamos nesse país?

O mercado de consumo no país é bom, a demanda do produto a ser oferecido  é ótima, a localização geográfica é propícia para investimentos, uma série de fatores são favoráveis, mas a  insegurança quanto a rentabilidade da operação é clara. A dívida púbica tem um crescente preocupante.

Mas, temos agora uma variável nova a considerar nessa análise. O país está propondo uma reforma em sua previdência, ou seja, o cenário com relação a esse enorme déficit estará mudando. O risco  de termos soluções repentinas e mirabolantes ainda existe, mas em escala menor. A possibilidade de aumento de tributos, ou a normatização exagerada do Estado sobre as operações empresariais tende a ser mais planejada, e se necessária, com sinais preventivos claros de que ocorrerão e não com implementação repentina  voltada exclusivamente para suprir o caixa público, penalizando investimentos e planos de negócios do setor privado.

O fato desse país  não ter, ainda, Estados e Municípios, incluídos nessa proposta de reforma da previdência, é um alerta que fica atrelado a essas “mirabolâncias”  arrecadatórias, mas de qualquer forma um passo já foi dado para amenizar a questão da dívida pública dessa nação.

Mesmo que toda a implementação dessas alterações leve um tempo, é fato que houve demonstração de conhecimento sobre a necessidade de mudança, é fato que o investidor percebe que o pais candidato a receber investimentos, está mudando, que busca-se a responsabilidade em termos de administração das contas públicas.

Assim, já dá para ver esse país como possível destino de investimentos, como alavancador de propostas e ações que irão fortalecer a economia.

Tem mais um ponto que preocupa o investidor mas que em breve também estará na mira  de uma reforma, e esse ponto tem relação com a questão tributária. Vamos chegar lá, aos poucos, com alterações pontuais vamos chegar lá. Pelo volume de problemas que se apresentaram nos últimos anos não há como termos soluções rápidas, elas virão de forma programada, mas é preciso trabalho sério e a mentalidade direcionada ao bem estar do país, e não ações para quatro ou cinco anos.

 

Jorge Bahia, consultor e sócio proprietário do Grupo Bahia & Associados, bacharel em administração de empresas, contador, consultor de empresas, palestrante, professor em cursos profissionalizantes, com experiência profissional de mais de 20 anos em empresas multinacionais atuando na área fiscal, tributária, contábil e controladoria

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