SONDAGEM MOSTRA QUE INDÚSTRIA DA REGIÃO DE CAMPINAS PROJETA 2026 COM CAUTELA E APONTA PIORA NO CENÁRIO MACROECONÔMICO

SONDAGEM MOSTRA QUE INDÚSTRIA DA REGIÃO DE CAMPINAS PROJETA 2026 COM CAUTELA E APONTA PIORA NO CENÁRIO MACROECONÔMICO

A Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) divulgou nesta terça-feira (02/12) os resultados da Sondagem Industrial de encerramento do ano, que reúne as expectativas e percepções das 590 empresas associadas sobre seus negócios e sobre a economia brasileira em 2026.

O levantamento mostra que, apesar do otimismo moderado com o desempenho interno das empresas, prevalece um forte pessimismo em relação ao cenário macroeconômico nacional.

Expectativas para 2026: empresas mais confiantes em si do que na economia

Quando questionadas sobre o desempenho próprio em 2026 frente a 2025, apenas 9% das empresas projetam melhora e 25% acreditam que o ano será igual. Por outro lado, 33% preveem piora e a mesma proporção afirma não ter avaliação formada.

Já sobre a economia brasileira no próximo ano, o pessimismo é dominante: 58% das empresas avaliam que o cenário econômico será pior em 2026, 17% acreditam que será igual e 25% não têm opinião. Nenhuma empresa apontou perspectiva de melhora.

Para o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, o contraste entre as avaliações reflete a resiliência regional diante da instabilidade nacional. “Esses indicadores mostram que os empresários têm uma expectativa mais positiva para os seus próprios negócios do que em relação à macroeconomia. Existe a expectativa de desatar esse imbróglio econômico e político que impede que a indústria deslanche. Sente-se a garra do empresário da nossa região, que acredita mais no seu negócio. No entanto, é preciso que esses problemas se resolvam para que a indústria tenha o crescimento que sabemos que ela pode ter”, afirmou.

Atividade industrial: estabilidade na produção e queda de faturamento para parte das empresas

O volume de produção em novembro, comparado a outubro, permaneceu estável para 50% das empresas. O número de funcionários também ficou estável para 75% das associadas.

O faturamento apresentou desempenho mais heterogêneo: caiu para 33%, permaneceu igual para 25% e aumentou para 42% das empresas.

Quanto à utilização da capacidade instalada, 84% operam entre 70,1% e 100%. Já sobre investimentos para os próximos 12 meses, 42% não pretendem investir, 33% vão modernizar o maquinário e 25% ampliarão o parque fabril.

Balança comercial regional: exportações em alta, mas déficit também cresce

Na apresentação dos dados da balança comercial, o vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, informou que as exportações regionais alcançaram US$ 354,9 milhões em outubro de 2025, alta de 9,18% sobre o mesmo mês do ano anterior. O acumulado de janeiro a outubro somou US$ 3,010 bilhões, crescimento de 3,14%.

As importações, porém, seguem muito acima das vendas externas. Em outubro, atingiram US$ 1,288 bilhão, aumento de 6,58% na comparação anual. No acumulado, somaram US$ 12,247 bilhões — avanço de 17,52%.

Com isso, o déficit comercial da região chegou a US$ 933,7 milhões em outubro, 5,63% maior que no ano anterior. No acumulado, o saldo negativo é de US$ 9,237 bilhões, alta de 23,11%.

A corrente de comércio (exportações + importações) totalizou US$ 1,643 bilhão em outubro, crescimento de 7,13%. No ano, já soma US$ 15,257 bilhões, 14,37% acima de 2024.

Municípios e parceiros comerciais

Os municípios que mais exportaram em outubro de 2025 estão Campinas (32,48%), Paulínia (25,14%), Sumaré (12,93%), Mogi Guaçu (7,49%), Santo Antônio de Posse (4,05%) e Valinhos (3,36%).

Já os municípios que mais importaram estão Paulínia (41,96%), Campinas (21,31%), Hortolândia (9,61%), Sumaré (8,02%), Jaguariúna (7,27%) e Valinhos (5,95%).

Em relação aos principais destinos das exportações em outubro de 2025 foram Estados Unidos (US$ 57,61 milhões – 16,23%), Argentina (US$ 49,03 milhões – 13,81%) e Holanda (US$ 25,64 milhões – 7,22%).

As principais origens das importações em outubro de 2025 foram a China (US$ 390,65 milhões – 30,31%), Estados Unidos (US$ 174,92 milhões – 13,57%) e Índia (US$ 100,31 milhões – 7,78%).

No acumulado de 2025, EUA, Argentina e Holanda seguem como os maiores compradores dos produtos regionais, enquanto China, EUA e Índia lideram o fornecimento de itens importados.

A regional Campinas do Ciesp reúne 590 empresas distribuídas em 19 municípios, que juntas faturam R$ 53 bilhões por ano e empregam 97.954 colaboradores.

A Sondagem Industrial reafirma o dinamismo da indústria regional, mas aponta que 2026 ainda deve ser um ano desafiador, especialmente diante das incertezas econômicas nacionais.

Foto: Vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana e diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa.

Crédito: Roncon & Graça Comunicações.

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