ESPECIALISTA AVALIA SOBRE A MELHORA DA PERSPECTIVA DA NOTA DE CRÉDITO DO BRASIL

A agência de classificação de riscos Moody´s revisou para cima a perspectiva da nota de crédito do Brasil, nesta quarta-feira (01/05). Atualmente, o nível (rating) do país é Ba2, que indica um risco maior para investimentos estrangeiros. A instituição manteve a nota, mas mudou a perspectiva da avaliação de “estável” para “positiva”, sinalizando que pode elevar esse rating no futuro.

De acordo com o Tesouro Nacional, essa decisão é a primeira movimentação da Moody’s desde 2018, quando houve a mudança de perspectiva de negativa para estável, e “reforça a melhoria na trajetória da nota de crédito verificada desde 2023”, com a elevação do rating pela Standard & Poor’s e pela Fitch. As três instituições compõem as agências de riscos mais conceituadas do mercado.

Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos disse que esse assunto já estava parcialmente indicado pelas agências. “Desde que a S&P alterou o rating brasileiro, acredito que houve pressão sobre as demais para também fazerem ajustes. Além disso, o avanço da reforma tributária, considerada pelas próprias agências como muito positiva a médio e longo prazo para o Brasil, contribui para essa pressão. Apesar da revisão negativa na estrutura, ainda há a sensação de um esforço em direção ao equilíbrio, evitando fechar o ano com déficits e endividamento cada vez maiores”, declarou.

Segundo Gustavo Cruz, mesmo diante das tensões observadas na relação entre o Executivo e o Congresso, ainda há uma interpretação positiva, com algumas exceções. “Acredito que isso ainda não terá um impacto tão positivo nos ativos brasileiros, uma vez que o grande tema do dia é a decisão sobre os juros nos Estados Unidos e suas implicações. Mesmo que isso seja favorável ao Brasil, o desempenho na quinta e sexta-feira ainda será determinado pelos Estados Unidos. No entanto, considerando as ações das agências, o movimento ainda aponta para um viés positivo, e acredito que outras agências também poderão seguir essa tendência no futuro”, disse.

O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) da Reserva Federal (FED) dos EUA é a principal ferramenta utilizada pelo painel para informar os investidores sobre a política monetária. O documento contém o resultado da votação sobre as taxas de juros, discute as perspectivas econômicas e oferece indicativos sobre o resultado de votos futuros.

Uma indicação “dovish” pode ser tomada como negativo/bearish para o USD, quando uma indicação mais “hawkish” poderia ser tomada como positiva/bullish para o USD. “Com relação ao comunicado do FOMC, este demonstrou uma postura mais hawkish, evidenciando maior preocupação com a trajetória da inflação em comparação aos comunicados anteriores. O documento indica a ausência de avanços significativos em direção à meta de 2%, levando-me a compreender que qualquer mudança no curto prazo ou mesmo nas próximas reuniões é improvável. Parece que mesmo em caso de melhora dos indicadores, tais avanços não são considerados. A reação do mercado brasileiro ontem já foi perceptível, e possivelmente haverá uma reação ainda mais intensa no mercado externo. É claro que devemos aguardar a coletiva de imprensa de Jerome Powell para uma melhor avaliação, mas tudo indica que sua postura seguirá alinhada com as expectativas recentes do mercado em relação à redução das probabilidades de corte de juros no futuro próximo. É possível que esse cenário prevaleça, pelo menos durante o primeiro semestre, e que haja ajustes no segundo semestre, à luz do comunicado divulgado hoje. Vale ressaltar que as perspectivas do FOMC tendem a mudar a cada 45 dias, conforme sua análise do cenário evolui”, concluiu Cruz.

 

Foto: Gustavo Cruz, estrategista chefe da RB Investimentos.

Crédito: Divulgação.

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