O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS ESCOLAS DE SÃO PAULO – UMA ANÁLISE CRÍTICA

ARTIGO DE EDUARDO SONA

Como jornalista com décadas de envolvimento em tecnologia e inovação, vejo a recente iniciativa do governo de São Paulo para integrar a Inteligência Artificial (IA) nas escolas públicas com uma mistura de entusiasmo e cautela. A proposta, apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas, de usar tecnologias como o ChatGPT para enriquecer o conteúdo das aulas digitais é promissora, mas também suscita preocupações significativas sobre a abordagem e a preparação dos educadores.

Na minha visão, o plano falha ao limitar o potencial da IA a uma ferramenta básica de geração de conteúdo. A IA possui capacidades expansivas que podem transformar a educação de maneira que mal começamos a explorar. A eficácia dessa tecnologia não residirá apenas em sua implementação, mas também em como ela é apresentada e integrada no dia a dia dos professores.

Percebo que muitos educadores podem ver essa mudança como uma ameaça, não por falta de visão, mas por falta de formação adequada. Um plano mais robusto de capacitação inicial poderia dissipar medos e construir uma base sólida para essa transição tecnológica. O governo deve priorizar essa formação, mostrando não apenas como a IA funciona, mas como ela pode ser um complemento valioso ao invés de um substituto.

Além disso, ignorar a resistência à tecnologia é um erro crítico. Vivemos em uma era onde a tecnologia avança a passos largos e o setor educacional não pode ficar para trás. No meu livro “Inteligência Artificial na Sala de Aula” destaco como os alunos já estão utilizando essas ferramentas fora do ambiente escolar, sugerindo uma urgência ainda maior para que os professores não só saibam usar a IA, mas também compreendam como integrar seu uso de forma pedagógica.

Outro aspecto crucial é a participação ativa dos professores no desenvolvimento e revisão dos conteúdos gerados por ela. Eles devem garantir que esses conteúdos se alinhem com os objetivos educacionais e enriqueçam verdadeiramente a experiência de aprendizagem.

Portanto, embora eu veja a introdução da IA nas escolas de São Paulo como um passo positivo, é fundamental que esse processo seja acompanhado de comunicação clara, formação adequada e um compromisso com a revisão contínua. Com essas medidas, podemos assegurar que a IA será uma aliada na educação e não uma ameaça à profissão docente.

 

Eduardo Sona é especialista em inteligência artificial e diretor da IAExpertise que é uma empresa líder no cenário da Inteligência Artificial, dedicada a transformar empresas por meio da inovação tecnológica.

 

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