PARKINSON – O QUE É PRECISO SABER

ARTIGO DA MÉDICA LAURA MORIYAMA 

A doença de Parkinson foi descrita em 1817 por James Parkinson, médico britânico e aos poucos apresentada como uma condição razoavelmente comum, afetando cerca de 2% dos idosos. Desta maneira, qualquer pessoa que conheça mais de 100 pessoas irá com certeza conhecer uma ou duas com Parkinson quando alcançarem certa idade. Apesar disso, ainda existe muito desconhecimento e até mesmo preconceito sobre a condição. O Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Parkinson é celebrado anualmente em 11 de abril e busca esclarecer mentes e unir esforços dos diferentes setores da sociedade em torno do tema.

A doença afeta o sistema nervoso levando a várias manifestações, dentre as quais o tremor é a mais conhecida e a bradicinesia (lentificação dos movimentos) é a mais frequente. Essa palavra vem do grego lento (bradi) e movimento (kinesia), semelhante a bradicardia (batimentos lentos do coração). A pessoa passa a andar mais devagar e pode ficar mais curvada para frente, balançando pouco os braços ao caminhar. Fala mais baixo e algumas vezes pode apresentar uma espécie de gagueira, repetindo as silabas várias vezes no começo das palavras. A face fica menos expressiva e a aparência cansada.

Ocorrem dificuldades para executar tarefas do dia a dia, como abotoar botões, lidar com utensílios domésticos e escrever. Notadamente, a letra pode ficar pequena e a assinatura pode se modificar. Essas manifestações, assim como o tremor e rigidez (endurecimento dos músculos por contração involuntária) podem ocorrer em outras doenças também, por isso esse conjunto de manifestações pode ser chamado de parkinsonismo.

Apesar de ser associada ao envelhecimento, em mais de 10% dos casos pode ocorrer antes dos 45 anos e ainda mais raramente, antes dos 21 anos. Afeta tanto os homens como as mulheres, embora existam evidências científicas mostrando que mulheres ainda tem mais dificuldade no acesso a saúde, muitas vezes recebendo diagnóstico de depressão ou fadiga, quando na verdade estão lentas devido ao parkinsonismo e poderiam melhorar com o tratamento adequado. O tratamento do Parkinson melhora significativamente a qualidade de vida e muitos portadores continuam muito produtivos por décadas após o diagnóstico.

O principal medicamento é a levodopa, que constitui a base para os principais fármacos usados na condição e está disponível tanto no SUS, como no programa Farmácia Popular, em todos os estados do Brasil. Além dela, outros medicamentos como os agonistas doparminergicos, anticolinérgicos, inibidores da enzima MAO-B e COMT e a amantadina, podem ser usados em casos selecionados.

Em todos os casos se recomenda além do acompanhamento médico também o multiprofissional, incluindo quando necessário o auxílio de preparador físico familiarizado com a condição, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista e psicólogo. O tratamento não farmacológico da condição é de extrema importância, assim como o apoio da família e da sociedade.

Infelizmente, mesmo nos dias atuais com todos os esforços de inclusão, ainda existe muito preconceito sobre a doença. O Parkinson não é contagioso e na maioria dos casos também não é genético. Muitos pacientes se sentem isolados socialmente, por terem vergonha de aparecer em público com tremores, lentificados e frequentemente parecendo mais envelhecidos, cansados e tristes do que realmente estão!

A doença causa alterações na aparência, que em uma sociedade que prima pelo esforço antienvelhecimento e por disfarçar a idade, são frequentemente motivo de baixa autoestima e isolamento social. Porém, uma quantidade muito grande de dados de pesquisa científica demonstra claramente que o isolamento social (amplamente estudado devido a pandemia) é prejudicial às funções neurológicas, e pode levar a piora dos sintomas de Parkinson.

 

Laura Moriyama é médica neurologista e atua como voluntária na Associação Campinas Parkinson (ACP)

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