A FORÇA DA INDÚSTRIA NO ‘DNA DE CAMPINAS’

ARTIGO DE JOSÉ HENRIQUE TOLEDO CORRÊA

A história nos conta que com a crise da economia cafeeira, a partir da década de 1930, a cidade “agrária” de Campinas assumiu uma fisionomia mais industrial e de serviços. No plano urbanístico, a cidade recebeu o Plano Prestes Maia (1938), um amplo conjunto de ações voltado a reordenar suas vocações urbanas.

Campinas passou a concentrar uma população mais significativa, constituída de migrantes e imigrantes procedentes das mais diversas regiões do estado, do País e do mundo, e que chegavam à Campinas atraídos pela instalação de um novo parque produtivo (composto de fábricas, agroindústrias e estabelecimentos diversos). Entre as décadas de 1930 e 1940, Campinas passou a vivenciar um novo momento histórico, marcado pela migração e pela multiplicação de bairros nas proximidades das fábricas, dos estabelecimentos e das grandes rodovias em implantação – Via Anhanguera, (1940), Rodovia Bandeirantes (1979) e Rodovia Santos Dumont, (década de 1980).

Exatamente no dia 22 de dezembro de 1973, chegava com meus pais e irmãos em Campinas. Jovem, vinha de Botucatu, atraído pela qualidade de ensino, que na época já era uma das marcas da urbe campineira.

Trago claramente na memória alguns dos símbolos daquela Campinas, que fascinaram de imediato, aquele menino. Símbolos de uma cidade, carinhosamente denominada Princesa D’Oeste, que já dava mostras de sua força econômica e de sua vocação industrial.

Grandes ícones de indústrias, nascidas ou instaladas em Campinas, todas elas símbolos de uma trajetória industrial que já orgulhavam as gerações passadas e ensinaram às gerações futuras. A máquina de costura gigante, o enorme botijão de gás, as indústrias de locomotivas e as de fogões, as fábricas de doces, óleos de cozinha e de macarrão e a enorme planta industrial da multinacional que oferece as mais diversas soluções de engenharia e tecnologia.

Buscando nos registros históricos ou pela memória dos leitores, outras tantas indústrias serão lembradas e enaltecidas por fazerem parte da memória afetiva de muitos, nascidos nessa terra ou que por aqui aportaram e adotaram Campinas, como fez a minha família.

Nas décadas seguintes, Campinas caminharia para se tornar o principal polo de alta tecnologia do Brasil. Esse salto tecnológico se deu graças a uma conjunção de fatores. Desde o parque de universidades, institutos e centros dedicados à pesquisa e desenvolvimento até ações de entidades de classe públicas e privadas, poder público e comunidade organizada.

Tivemos o privilégio em participar de parte dessa trajetória. Desde 1991, com a formação do grupo de jovens empresários Gênese, com as ainda incipientes, mas promissoras Rodadas de Negócios. Depois, anos seguintes, já na Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a casa da indústria, que também é parte atuante dessa trajetória do desenvolvimento econômico de Campinas.

Focando na atualidade, os números de Campinas são gigantes e atestam a sua vocação de proa no cenário nacional.  O PIB da cidade de Campinas é de US$ 18,8 bilhões. Entre as 500 maiores empresas do mundo, 50 têm filiais na Região Metropolitana de Campinas. Isso para ficarmos em apenas dois exemplos.

Nesses 249 anos de aniversário de Campinas, vem a minha memória as fotos na nossa sede de todos os nossos diretores regionais, desde a fundação da Regional Campinas do Ciesp em 1949. Todos eles contribuíram para a grandeza dessa metrópole. Foram e são ícones nos seus exemplos e ensinamentos. Responsáveis pelo crescimento desse parque industrial pujante e de todos aqueles símbolos de outrora, que tanto extasiaram aquele menino. A força da indústria está definitivamente no DNA de Campinas!

 

José Henrique Toledo Corrêa é diretor titular da Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

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