ADMINISTRAR É FINA ARTE

17 de junho de 2016.
ARTIGO DO PROFESSOR ROBSON PANIAGO

Organismos vivos.
Somos todos fatias de poder atuando na modelagem universal e sendo também
transformados dentro do dinamismo incessante, porém desigual e mutável desta
força.
Das artes às leis
naturais, dos filósofos aos guerreiros, em tudo, expressões de poder em suas
mais variadas formas. Sutil ou evidente, onírico ou não, o poder parece ser a
mola mestra do mundo. Para tê-lo ou mantê-lo, nos movemos, vivemos.
Fragmentar ou unir,
oprimir ou liberar são opções na trilha do poder que envolve uma análise
acurada das necessidades do momento aliada a uma visão inteligente de futuro.
A administração, na
aplicação dos seus princípios e sob inspiração da realidade, pretende o poder
transformador de uma cultura capitalista autoritária e centralizadora, e propõe
uma maior igualdade entre capital e trabalho.
O poder, dito
opressor, monopoliza a capacidade e o direito de ir e vir, faz estagnar a ação,
a criatividade, os potenciais. O marketing participativo pode ser o prenúncio
do redimensionamento dos conceitos de poder, por ter como alvo o êxito da
produtividade sustentado pela excelência da vida do trabalhador.
Administradores sem
mentalidade participativa devem, portanto, se manter em atenção permanente com
relação às transformações do mundo para interagir em harmonia com o mesmo. Esse
estado de sintonia também significa ter em mente que o marketing participativo
tem caráter dinâmico porque atende às necessidades do momento, e não deve se
restringir a um ideal e sim responder constante e positivamente às oscilações
em torno dos conceitos de liberdade, poder, criatividade, motivação.
Como bem disse
Toffler, o poder está em constante mudança, assim como as relações humanas. As
transformações e a tão propalada globalização da economia exigem que os
executivos e empresários tenham formação diversificada e flexível.
No caso brasileiro, a
estabilidade econômica com crescimento medíocre faz com que os empresários se
vejam em dificuldades para assimilar e corresponder satisfatoriamente às
mudanças. Por outro lado, as acentuações das diferenças culturais em nível da
mão-de-obra são também empecilhos a evolução do empresariado.
É preciso haver
cumplicidade, e esta é a palavra certa, entre o empresário e o funcionário em
conjunto com a sociedade e o momento histórico que vivem, para que o poder
reinante entre as partes seja diluído. O “Pacto de Moncloa”, na Espanha, foi um
bom exemplo de como cada parcela pode ceder um pouco em prol do todo.
A busca de sucesso
numa organização que se diz participativa deve ser um exercício de humildade
por um poder democrático, honesto e ético que permeie as relações entre governo,
empresários e trabalhadores.
Desde que haja
disponibilidade, os caminhos que levam a motivação do trabalhador são vários, e
podem ir do aprendizado da análise de balanço pelos funcionários, até a
avaliação chefe-funcionário que educa no sentido de corrigir abusos de poder em
qualquer das partes.
Robson Paniago é
professor da IBE-FGV, doutor em Ciências Empresariais pela Universidad Del
Museo Social Argentino.
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