ILUMINAR AS SOMBRAS OU ENXUGAR GELO?

COLUNA DO JORNALISTA NELSON TUCCI

O mundo não vive dias tranquilos. Ao se examinar a história das guerras (e de pequenos conflitos que muitas vezes não aparecem nas estatísticas, mas que subjugam populações inteiras, de forma cruel) vê-se que os autoproclamados animais racionais estão sempre se matando. E as guerras (grandes, pequenas, regionais, nacionais ou internacionais) normalmente são analisadas em um contexto próprio, separado.

Pois que seria bem interessante, neste momento, pararmos e fazer as contas. Crueldade e irracionalidade à parte, como quantificar as emissões de CO2 e as decorrentes do uso do diesel em uma guerra? Isto para ficarmos só nestes dois itens.

A contaminação de solo, da água e do ar somadas deve ser algo estratosférico, um verdadeiro absurdo. Ainda que fosse pequeno o veneno, embalado em frascos mais lisonjeiros, seria igualmente reprovável e pecaminoso.

Se você acha que Síria, Afeganistão, Iêmen, Mianmar, República Centro-Africana e Somália estão pacificados, é porque está lendo pouco. O absurdo que acontece na Ucrânia e agora em Israel-Palestina são apenas os mais recentes e, por isso mesmo, mais visíveis. Quantas vidas são destruídas diariamente? Arrisque um número, pesquise. Assim como a Lua, a Terra tem o seu lado sombra e, seguramente, o nosso é pior, porque se faz indecente, letal. Falta-nos luz para iluminar corações e mentes.

Se o mundo é um só, de que adianta se falar em ESG, indicadores de performance e tantas outras bobagens (dentro do significado universal de humanidade) enquanto os humanos estão se matando e destruindo uma parte do presente e do futuro do planeta?

Talvez fosse este o momento de quantificarmos o lado sombra da Terra. A permanecer resistindo e evoluindo, não demora muito e engolirá o lado sol. E sem luz não há vida. Nem a mesquinha, nem a feliz.

 

Nelson Tucci é jornalista profissional diplomado, autor de três livros sobre História do Brasil, Mercado de Capitais e Terceiro Setor (Jovem Aprendiz). Trabalha no quarto livro, sobre pessoas com Esclerose Múltipla, escreve sobre sustentabilidade e é palestrante nas horas vagas.

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