AD PARTICIPA DE WORKSHOP SOBRE LOGÍSTICA PROMOVIDO PELA FIESP

AD PARTICIPA DE WORKSHOP SOBRE LOGÍSTICA PROMOVIDO PELA FIESP

28 de abril de 2016.
Dados recentes da
Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que o custo de logística no
Brasil pode ser encarecido em até 40% por conta da má qualidade das rodovias do
país. O alerta foi dado pelo diretor do Departamento de Infraestrutura
(Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ramon
Alcaraz, durante o workshop “Logística: Desafio da governança nas rodovias”,
promovido na última terça-feira (26/4), na sede da entidade, e que também
contou com a presença do especialista em riscos, seguros e garantias sobre
concessões de serviços públicos André Dabus, Diretor-Executivo da AD Corretora
de Seguros.
Na ocasião, Alcaraz
apresentou dados da CNT para exemplificar e tentar quantificar a situação
precária em que se encontram as estradas brasileiras. Segundo o diretor, o
relatório da CNT aponta que, ao final de 2015 apenas 200 mil quilômetros de
rodovia, de um total de 1,8 milhão, estavam pavimentados, mesmo sendo este
modal o mais utilizado no país (60% do transporte de mercadorias). “Para se ter
uma comparação, os Estados Unidos que usam apenas 20% dessa modalidade, possuem
5 milhões de rodovias pavimentadas. A Índia tem sete vezes mais estradas
pavimentadas do que nós (1,5 milhão), tal como a China”, comparou. “E, além
disso, o pouco que temos não está em bom estado. Apenas 30% são consideradas
boas ou ótimas pelos usuários”, completou.
O diretor afirmou
ainda que estudos mostram que seriam precisos mais de R$ 106 bilhões em
investimentos para tentar “melhorar a infraestrutura do país”. No entanto, por
que o Brasil não consegue captar esses recursos? O que devemos fazer para
atrair os investidores nacionais e internacionais?
Para o
vice-presidente da CCR, Ricardo Castanheira, a responsabilidade não é só do
governo. “Nós, o setor privado, pecamos bastante ao não nos posicionarmos em
relação ao tema. Delegamos tudo ao governo – que não demonstrou capacidade para
resolver – e nos retiramos do palco. Enquanto isso não mudar, não conseguiremos
ir para a frente”, frisou.
É preciso projetos
qualificados e sustentáveis, ele diz, com planejamento de longo prazo e com
definições certeiras sobre as necessidades do país/município/estado que irá
implementá-los. E alerta que essa etapa do processo não pode ser um
“planejamento de governo, mas tem que ser de Estado”. “Para se ter visibilidade
e atratividade temos que partir de um planejamento integrado de logística, que
priorize o projeto por valor econômico, que possa identificar o modelo de
aplicação dele, e isso só existe se o setor privado participar ativamente, não
só como investidor, mas também como usuário”, disse.
Além de concordar com
a maior participação do setor privado, defendida por Castanheira, o
Diretor-Executivo da AD Corretora de Seguros, André Dabus, também defende que
os modelos de concessão capazes de atrair mais, e melhores, investidores devem
estar apoiados no tripé “financiabilidade; mitigação de riscos e garantias”.
Ele explica que o
total descompromisso do governo federal em honrar o que vinha mantendo como
premissa, nos momentos que serviram de base para o desenvolvimento de etapas
técnicas, assusta os investidores, que vêem com total desconfiança a mudança de
regras durante, ou após, o processo licitatório. “Ao mudar a regra, o
custo aumenta, os descontos das tarifas, por exemplo, passam a não contemplar a
estrutura de capital atual. Dessa forma, como é que o investidor irá equacionar
o modelo das concessões atuais?”, questiona Dabus. “Tudo nasce ou pode morrer
no tema de matriz de riscos. Para que seja avaliado nos próximos editais e
projetos, de forma clara e transparente quais os riscos daquele contrato: os
que eu assumo; os gerenciáveis, os quais eu [investidor] posso assumir ou
transferir para um segurador; e os não gerenciáveis que, por origem, deveriam
ser suportados pelo governo”, completou.
Também presente no
workshop, a advogada e sócia da Madrona Advogados, Roseane Menezes Lohbauer,
endossou os argumentos de Dabus e afirmou que a “primeira e maior questão é
estruturação de planejamento” e que o Brasil só conseguirá fisgar a confiança
de novos investidores quando apresentar projetos bons. Para ela, a atração
independe do modelo de licitação a ser utilizado, uma vez que cada caso é
específico e deve ser pensado de acordo com os recursos e prioridades do
momento ou órgão executor. No entanto, ela alerta, é preciso uma execução
contratual muito bem definida, com “cláusulas claras, que deixem todos os participantes
com conhecimento equânime do que está sendo licitado” e com a obrigatoriedade
rígida de cumprimento das regras.

Foto: Workshop do Deinfra, da Fiesp, sobre rodovias. Da esquerda à direita: Diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), Ramon Alcaraz, Vice-Presidente da empresa de concessão de infraestrutura CCR, Ricardo Castanheira, Diretor-Executivo da AD Corretora de Seguros e Especialista em Seguros e Garantias para licitações e concessões, André Dabus e a Advogada e sócia da Madrona Advogados, Roseane Menezes Lohbauer.

Crédito: Helcio Nagamine/Fiesp.

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