ARTIGO – REMÉDIO VENCIDO NÃO VAI PARA O LIXO

Marcos Ebert
Sempre acreditei que uma das obrigações sociais que o empresário tem é, usando sua empresa, difundir conhecimento aos seus clientes e funcionários. Com esta crença, em 2004, idealizamos uma oportunidade de mostrar a importância do descarte correto das “farmácias domésticas”, assim como ajudar nesta ação.
Não há dúvida de que a destinação inadequada cria passivos ambientais, colocando em risco os recursos naturais e nossa qualidade de vida, assim como das gerações futuras. Hoje vejo que minha ideia de usar a empresa como fonte de conhecimento, oferecendo seus recursos para um mundo melhor, é possível.
Começamos a preparar nossa equipe para orientar e recolher medicamentos vencidos. Inicialmente, conscientizamos nossos funcionários da importância de não deixar medicamentos vencidos em suas residências. Esses medicamentos, além de inadequados para consumo, podem ser ingeridos indevidamente, por crianças, ou mesmo, por adultos. Segundo a Fiocruz, crianças com idade inferior a 5 anos representam 35% dos casos de intoxicação por medicamentos.
Terminada essa fase de conscientização, preparamos textos para esclarecimento sobre o tema e uniformes alusivos à campanha, para nossos funcionários. A reação dos nossos clientes foi a melhor possível. Inicialmente, se manifestaram surpresos com o que lhes era apresentado e começaram a limpar suas “farmácias domésticas”, trazendo medicamentos para o descarte adequado.
O processo completo de descarte adequado se desenvolve em duas partes. A primeira parte é desempenhada por nossos funcionários, após terem recebido treinamento para recebimento e segregação dos remédios vencidos por parte da empresa que desenvolve nossos Planos de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS).
A segunda parte é desempenhada exclusivamente pela empresa que coleta os medicamentos vencidos, transporta e armazena até o encaminhamento para o incinerador térmico e posterior remessa das cinzas para aterro sanitário regularizado. Todas as empresas que participam deste processo têm seu licenciamento ambiental em dia, sendo fiscalizadas e controladas por órgãos de Vigilância Sanitária e de Meio Ambiente.
Graças a este processo, há uma diminuição no volume que será descartado em aterro sanitário, dimensionado para não poluir lençóis freáticos, subsolo e o meio ambiente (uma tonelada de medicamentos vencidos, após incineração, pesa um quilo).
Nossa iniciativa foi sendo divulgada boca a boca, pelos nossos clientes e funcionários. Em função disso, fomos procurados por outras empresas, querendo detalhes da nossa campanha. Planejavam fazer algo semelhante. Também fomos procurados por alguns vereadores da região que manifestaram interesse em regulamentar este assunto.
A Imprensa também ajudou muito na divulgação da campanha, com reportagens e divulgando a questão dos perigos de medicamentos vencidos em casa, além da necessidade do descarte adequado. Especialistas foram ouvidos e o assunto não ficou mais restrito apenas aos nossos clientes e funcionários.
Não tenho informações de ter havido iniciativa igual, ou semelhante, anterior à nossa, porém, independentemente do pioneirismo da nossa iniciativa, para nós ficou a certeza de poder influenciar por um futuro melhor.
Foi muito gostoso acompanhar o comportamento e adesão dos clientes ao longo da campanha, que participaram ativamente, trazendo para descarte os seus medicamentos vencidos. Desde então, a grande maioria dos clientes adquiriu o hábito do descarte ecologicamente adequado dos seus remédios vencidos ou fora de uso.
Normalmente, para fazer uma compra na nossa empresa, o cliente, que não quiser usar a internet ou nossa Central de Atendimento, necessita de duas idas a uma das nossas lojas. Uma para fazer a encomenda, levando a receita médica, e outra para retirar a sua medicação. Na primeira ida, o cliente tomava conhecimento da campanha, e na segunda ida, ele trazia um monte de remédios vencidos para o descarte. Hoje, já não acontece mais isto. Nossos clientes, às vezes, levam uma ou duas caixinhas de remédio para descarte adequado. Eles, além de saberem que não é bom deixar remédio em casa, sabem que há uma maneira adequada de descartá-lo.
Desde o início da campanha até agora, recolhemos aproximadamente 1500 kg de medicamentos vencidos. Nossos clientes e funcionários hoje já sabem como, e porque, descartar adequadamente medicamentos vencidos.
Influenciamos positivamente no comportamento das pessoas. Descobrimos que podemos fazer o papel daquele passarinho que tentava ajudar a apagar um incêndio na floresta. Ah, se cada um fizesse a sua parte.
Marcos Ebert é empresário e proprietário da rede de farmácias Fórmula & Cia., de Campinas.
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