EMPRESÁRIOS DO CIESP ESTÃO PREOCUPADOS COM INFLAÇÃO E ALTA CARGA TRIBUTÁRIA

O Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp) regional Campinas (SP) em parceria com o Centro de Pesquisas
Econômicas da Facamp (Faculdades de Campinas) divulgou ontem a pesquisa de
Sondagem Industrial referente  ao mês de
março junto às empresas associadas ao Ciesp Campinas.

A sondagem identificou que o principal
entrave ao investimento no Brasil apontado pela maioria das empresas diz
respeito ao excesso de impostos, com 49% dos respondentes. Outros 15%
consideram que o baixo investimento na região de Campinas é ocasionado pelas
incertezas com relação às vendas futuras face ao baixo dinamismo no mercado
interno. A concorrência com os importados foi apontada por 12% dos respondentes
e o custo do financiamento ocasionado pelas altas taxas de juros foi citado por
outros 12% dos respondentes. A carência de mão de obra qualificada foi apontada
por 6% dos industriais e outros 6|% citaram o acesso de burocracia no acesso ao
investimento.

O diretor titular do Ciesp Campinas,
José Nunes Filho, considera pertinente a preocupação dos empresários com
relação ao que foi apontado na sondagem industrial, no entanto, ele destaca
ainda que o aumento da inflação atrelado a um baixo desenvolvimento industrial
e uma retração de investimento pode representar uma equação perigosa. “Inflação
sem desenvolvimento é estagflação. O único benefício que a inflação pode trazer
é aumentar o consumo, o que não está acontecendo. Nós estamos tendo uma invasão
de produtos importados. A indústria já não tinha competitividade e com esse equívoco
de aumento da taxa selic vai tirar mais competitividade da indústria”, avalia.

Para José Nunes Filho, o governo deveria
atuar sobre o gasto público para “segurar” a inflação e não, segundo ele, punir
a sociedade e a economia brasileira aumentando a taxa de juros. “Eu não vejo
nada de positivo e nenhum horizonte otimista para os próximos meses, a não ser
manter o PIBinho d ano passado e pior: com inflação”, diz.

Nunes Filho disse ainda que o pior dessa
inflação é que uma parte muito grande dela já está indexada, principalmente na
área de serviços como escolas, transportes, concessionárias públicas e serviços
públicos em geral. “Nós podemos estar entrando num ciclo pernicioso, violento e
terrível de inflação sem crescimento. A taxa de investimento continua
baixíssima e as privatizações andam a passo de tartaruga com muita
burocracia  e não se resolvem. O
pessimismo que abate hoje o setor industrial brasileiro é muito forte e não
existe desenvolvimento  econômico sem o
desenvolvimento da indústria”, afirma.

O coordenador adjunto do centro de
pesquisas econômicas da Facamp, José Augusto Ruas, disse que os efeitos do
impacto de uma elevação da inflação são muito prolongados ao longo do tempo.
Segundo o economista a taxa de inflação vai sendo repassada  para o consumidor e para os empresários e vão
gerando encargos de dívidas maiores ao longo do tempo . “As dívidas que estão
sendo geradas a partir desse momento vão gerar pagamentos maiores ao longo dos
próximos meses e isso vai complicando a capacidade de gasto, seja do
empresário, seja do consumidor final ao longo do ano e do próximo ano. É um
impacto muito ruim para uma economia que já vem desaquecendo”, diz.

Outra preocupação do setor industrial da
região de Campinas diz respeito ao aumento do déficit comercial na região
metropolitana de Campinas (RMC). Segundo levantamento feito pelo departamento
de comércio exterior do Ciesp Campinas em parceria com a Facamp, na RMC, o
saldo deficitário no mês de fevereiro foi de US$ 504 milhões. O índice é 24,7%
superior ao mesmo mês do ano passado. Este resultado decorre principalmente da
queda das exportações, cujo valor em fevereiro desse ano foi 15% inferior ao de
janeiro e 22,2% inferior ao de fevereiro de 2012. O diretor de comércio
exterior do Ciesp Campinas, Anselmo Riso, disse que quanto mais se tem
importações menos produtos são produzidos nas indústrias brasileiras. “As
exportações estão totalmente prejudicadas, não só por causa da crise de demanda
no mercado americano e no mercado europeu, mas principalmente pela forte
concorrência dos produtos asiáticos. Eles vieram. Eles estão aí. Já não podemos
falar  mais de problemas de qualidade,
então nós falamos do problema de competitividade”, diz. 

Foto 1 – O diretor de comercio exterior do Ciesp Campinas, Anselmo Riso; o diretor titular da entidade, José Nunes Filho e o coordenador adjunto da Facamp, José Augusto Ruas, durante coletiva de imprensa.
Foto 2 – Diretor titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho.
Foto 3 – Jornalistas acompanham as explanações do Ciesp
Crédito: Roncon & Graça Comunicações 

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