SONDAGEM REVELA DIFICULDADES DAS INDÚSTRIAS DE CAMPINAS

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) regional Campinas apresentou mais uma pesquisa de sondagem industrial referente ao mês de maio elaborada em parceria com as Faculdades de Campinas (Facamp). O levantamento apresenta números que evidenciam as dificuldades pelas quais passa a indústria da Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Com relação as graves dificuldades enfrentadas pelo setor industrial, a Sondagem mostra que boa parte dos indicadores analisados apresentou estabilidade. São os casos dos indicadores de mão de obra, investimento, vendas, lucratividade, inadimplência e custos de produção. Nestes, a maioria dos respondentes assinalou estabilidade ou permaneceu inalterado.
Estes números podem sugerir que a situação da indústria da região, para a maioria dos consultados, deixou de piorar. No entanto, somente o desempenho da indústria, a ser captado nas próximas pesquisas, poderá indicar se isso se trata de uma tendência ou uma percepção momentânea.
O diretor titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho, disse que o mês de maio deste ano foi o pior dos últimos anos. “Nós não tivemos nenhuma recuperação da economia regional no setor industrial. Nós continuamos com os problemas crônicos da falta de competitividade na indústria que está gerando um processo de desindustrialização e continuo afirmando que o Brasil hoje nessa área é um doente terminal que está sendo tratado com Band-Aid e Melhoral”, diz.
Apesar disso, José Nunes Filho, que a expectativa é de que a economia mundial se recupere e que a economia brasileira também se recupere gerando um pouco mais de riqueza interna para que as pessoas possam voltar a consumir. “O que está acontecendo hoje é que o povo não tem mais condições de consumir porque o nível de endividamento da população já é muito alto. Quem tinha que comprar bens de uso duráveis como linha branca e linha automobilística já compraram e não vão comprar mais, então não tem como estimular a economia através do mesmo. Nós temos que estimular através da produção, aumentando a competitividade, gerando mais empregos de qualidade e não subempregos. Quando você gera empregos de qualidade você tem mais renda circulando e tem um consumo sustentável, o que não acontece hoje”, analisa.
A sondagem industrial do Ciesp Campinas e da Facamp revelou que a análise da composição das importações sugere um aumento na porcentagem de respondentes que passaram a importar matérias-primas em 2012 quando se compara com o mesmo período do ano passado. Com efeito, em maio de 2011, 71,4% dos respondentes da Sondagem importaram matéria-prima, ante 75,0% registrado em 2012. Além disso, os resultados apontam um significativo aumento relativo na importação de componentes, partes e peças e de produtos industrializados. Os percentuais passaram de 9,5%, em abril de 2011, para 15,0%, no mesmo período deste ano.
Um dado preocupante é a redução quase pela metade da chamada importação benéfica, de máquinas e equipamentos que se configura como investimento do setor. O percentual de respondentes que afirmaram ter importado esse tipo de produto foi, em maio de 2011, de 19,1%, ante a 10,0% neste mês.
Em sentido complementar ao observado no mês anterior, nota-se crescimento no número de empresas que não importou: de 51,2% em 2011 para 58,3% em 2012.
O ponto a ser destacado é que as importações, além de terem apresentado relativo aumento na comparação com o ano passado, sofreram alterações relevantes em relação ao faturamento das empresas. Os dados indicam crescimento de 4,5 pontos no número de empresas cujas importações representaram mais de 51% do seu faturamento em 2012. Esta elevação foi em parte compensada pela redução de 2,7 pontos na faixa entre 26% e 50% e de 1,8 no estrato entre 1% e 25%.
No que tange a origem destas importações, a pesquisa Sondagem Industrial constatou uma redução no número de respondentes que afirmam terem importado produtos da China. O percentual que era de 36,41% em maio de 2011, caiu para 30% na pesquisa de maio passado. Além disso, percebeu-se também uma redução das importações advindas dos Estados Unidos, em 6,8 pontos percentuais. Em contrapartida, observou-se um expressivo aumento nas importações originadas da União Europeia. O percentual, que era de 27,3% em maio do ano passado, aumentou para 35% na Sondagem de maio deste ano.
Tanto a redução das importações chinesas quanto o aumento das importações europeias seguem uma tendência analisada desde o início de 2012, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A Sondagem Industrial apresentou novos indicadores relacionados aos estoques industriais. Tal como ocorre com os investimentos, o indicador de estoque pode ser visto como um indicador de antecipação, isto é, permite projetar o desempenho da atividade industrial num futuro próximo. Estoques muito elevados, por exemplo, podem indicar redução na produção industrial dos próximos meses.
Em relação aos estoques, os números de maio são melhores do que os verificados em abril. Houve queda de 15,8 pontos no número de respondentes que assinalou aumento dos estoques passando de 45% em abril, para 29,2% em maio. De igual maneira, houve queda de 5 pontos percentuais no número empresas cujos estoques diminuíram.
Em maio, somente 22,9% das empresas consultadas operavam com estoques acima do planejado, ante 45% verificado em abril (queda de 22 pontos). Como consequência deste processo, cerca de 20% das empresas trabalhou em maio com estoques abaixo do esperado, o que sinaliza provável aumento da produção para essas empresas nos próximos meses.
Com relação à capacidade instalada de produção a sondagem identificou que em maio a indústria operou em ritmo inferior em relação ao mesmo período dos últimos três anos. O número de respondentes que utilizou entre 80,1% e 100% da capacidade instalada de sua empresa teve redução de 15,4 pontos percentuais entre 2011 e 2012. No entanto, a pesquisa mostra que um número maior de respondentes operou utilizando entre 50 e 80% da capacidade instalada de produção.
Com relação aos investimentos planejados pelas empresas da RMC os empresários estão cautelosos. Ao comparar o mês de maio de 2012 com maio de 2011, houve elevação de 10 pontos percentuais no número de empresários que não investirão ou diminuirão os investimentos planejados. Trata-se do maior número desde maio de 2009.
O montante dos empresários que irão aumentar os investimentos previstos caiu de 11,6% dos respondentes para 2,1%, ou seja, queda de 9,5 pontos percentuais.
A piora dos indicadores de investimento pode estar relacionada com a percepção de queda da atividade econômica, por parte dos empresários, devido a crise mundial.
A boa notícia é que em maio, mais da metade dos empresários consultados assinalou que irá manter os investimentos planejados. No mês de abril esta porcentagem era 45%. 
Para a maior parte das empresas, a inadimplência se manteve estável (64,6%). Quase um terço dos respondentes (29,2%) assinalou elevação da inadimplência, a maior proporção desde 2009.
A estabilidade neste índice é importante para o planejamento industrial. Com a estabilização do câmbio, que aliviou a guinada de valorização do dólar iniciada desde o ano passado, as empresas, especialmente aquelas que possuem obrigações em dólar, passarão a fruir de um horizonte de projeção mais amplo, o que permite a formulação de provisões de caixa para a redução de inadimplência em períodos consecutivos.
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