CÂNCER DE PRÓSTATA – LONGE DE SER MAIS DO MESMO

ARTIGO DO ONCOLOGISTA DR. PAULO EDUARDO PIZÃO

O mês de novembro é marcado pelo movimento mundial “Novembro Azul”, que tem como principal objetivo conscientizar a população masculina sobre o câncer de próstata. Adotado em diversos países, a campanha destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre os homens, o câncer de próstata é predominante em todas as regiões do Brasil, totalizando 72 mil casos novos estimados a cada ano do próximo triênio, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.

A prevenção começa com a adoção de hábitos saudáveis. Manter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo excessivo de álcool, não fumar, praticar atividades físicas regularmente e manter o peso corporal adequado são medidas fundamentais para minimizar os riscos. Além de cuidar do corpo, a prática regular de exercícios e uma dieta balanceada têm um impacto direto na redução da probabilidade de desenvolver várias doenças, incluindo o câncer de próstata.

Quando falamos em diagnóstico precoce, pensamos imediatamente nos exames de rastreio. O exame de toque retal e o teste de PSA (Antígeno Prostático Específico) são as principais ferramentas neste processo. Homens a partir dos 50 anos devem realizar esses exames anualmente. Para aqueles com maior risco, como homens negros, com histórico familiar da doença ou que apresentam alterações genéticas, a recomendação é que iniciem essa rotina aos 40 anos. É essencial que esses testes sejam conduzidos por urologistas.

Tecnologia na medicina

Felizmente, com os avanços da medicina, os tratamentos para o câncer de próstata evoluíram consideravelmente. Dependendo do estágio da doença, o paciente pode ser submetido a procedimentos como cirurgia – com considerável ênfase à robótica –, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia ou, em casos específicos, a observação vigilante. Além disso, a evolução tecnológica trouxe equipamentos de imagem mais sofisticados, elevando as chances de um diagnóstico preciso.

Além da maior precisão no diagnóstico, a inovação está presente também nos tratamentos. A cirurgia robótica é, sem dúvida, um avanço para a saúde e qualidade de vida do paciente pós cirurgia. O método preserva enormemente a estrutura anatômica de nervos da região acessada pelo cirurgião, sendo importante proteção ao homem ao viabilizar a redução de possíveis sequelas.

A radioterapia é outra modalidade de tratamento que progrediu nos últimos anos. A radiação, agora mais dirigida ao tumor, atinge menos o redor, resultando em menos efeitos colaterais.

Um dos avanços mais significativos na luta contra o câncer de próstata é a oncologia de precisão. Este método revolucionário analisa o perfil genético do tumor para direcionar tratamentos mais eficazes e personalizados. Outro progresso promissor é a imunoterapia, que busca fortalecer o sistema imunológico do paciente para que ele próprio combata as células cancerosas. Embora a imunoterapia não seja eficaz para todos os casos de câncer de próstata, já tem demonstrado resultados significativos em alguns.

Detenho uma atenção especial ao surgimento de novos fármacos que bloqueiam a produção e a ação da testosterona, hormônio que propicia o crescimento do tumor na próstata. A nova geração de medicações tomada por via oral em formato de comprimido apresenta mais eficácia que a quimioterapia.

Survivorship

Finalmente, é vital destacar que o cuidado não termina após o tratamento. O acompanhamento pós-tratamento é crucial para monitorar a saúde do paciente, detectar precocemente qualquer sinal de recorrência e gerenciar possíveis efeitos colaterais das terapias. Neste quesito, ressalto a necessidade do Brasil em implantar o Survivorship, conceito já instalado nos países do Hemisfério Norte, que é de cuidar permanentemente do paciente que sobreviveu ao câncer para que ele volte plenamente a ter qualidade de vida nos aspectos físico, emocional, profissional e familiar.

 

 

O oncologista Dr. Paulo Eduardo Pizão é um profissional global. Por ser docente em faculdade, gestor em instituições de saúde, atuar no atendimento clínico e por ter sido pesquisador na indústria farmacêutica, tem uma visão geral do setor e conhece o mecanismo desse segmento. Pesquisador no Centro de Pesquisa Clínica São Lucas (PUC-Campinas), coordenador da disciplina de Oncologia Clínica no Curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, Campinas-SP; oncologista no Instituto do Radium.

 

 

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