ESPECIALISTA APONTA QUE CORTES NA CAPES E CNPQ CRIARÃO EXÍLIO CIENTÍFICO DE PESQUISADORES BRASILEIROS NO EXTERIOR

O anúncio do segundo congelamento de mais de 5.613 bolsas de mestrado e doutorado feitos pela Capes, após o primeiro que bloqueou outras 6.198 bolsas este ano, devem fomentar o chamado “brain drain” – expressão em inglês que significa a saída de cientistas de um país para trabalhar em instituições estrangeiras. A tendência é que a fuga de cérebros aumente.

O cenário de insegurança orçamentária do CNPq, um dos maiores financiadores da pesquisa no Brasil, para pagar bolsas a partir de setembro deste ano, e a ausência de uma política de preservação da força científica do Brasil, devem estimular os pesquisadores que já estão no exterior a permanecer por lá. É o que acredita o mestre em Comunicação, jornalista e escritor, Rodrigo Lins, que lançou recentemente um livro sobre a internacionalização de carreiras profissionais. “Nos últimos anos aumentou, e muito, o número de profissionais brasileiros super qualificados que atuam no exterior. Os pesquisadores brasileiros integram essa força inteligente do Brasil que estuda fora para levar conhecimento de ponta de volta ao nosso país. O contingenciamento anunciado deve fazer com que estes profissionais pratiquem um ‘auto-exílio’ e permaneçam fora do país. Um prejuízo incalculável para a ciência e tecnologia brasileiras”, afirma Rodrigo Lins.

Uma lista produzida e divulgada este ano pela consultoria americana Clarivate Analytics colocou 12 pesquisadores brasileiros no rol dos cientistas mais influentes do mundo. O levantamento anual considerou o número de citações por artigos publicados em um período de dez anos. Os selecionados pertencem ao grupo de 1% de pesquisadores que mantiveram as mais altas médias de citações durante o período. “O talento científico e a competência brasileira em pesquisa e inovação não serão desperdiçados pelos países de primeiro mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, há oferta específica do ‘Green Card’ – documento de residência permanente para profissionais, pesquisadores e cientistas que queiram ficar legalmente no país. Uma chance que não será ignorada por quem não está tendo apoio algum do Brasil”, comenta Lins.

Estudo mais recente divulgado pela CAPES em 2016, mostrou os Países que mais receberam pesquisadores brasileiros até 2015. Os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar com 17.517 pesquisadores, a França em segundo com 4.265 e Alemanha em terceiro com 4.136 pesquisadores do Brasil à época. “Como pesquisador, só posso lamentar que o contingenciamento ocorra em uma área tão necessária para o nosso país. Precisamos considerar que nosso povo enfrenta muitas barreiras para estudar e para seguir o caminho da pesquisa esta situação é sem dúvida um desestímulo totalmente desnecessário provocado por nossos próprios representantes políticos. É um retrocesso enorme em relação ao que vem sendo adotado por outros países”, pondera Rodrigo Lins.

 

Foto: Mestre em Comunicação, jornalista e escritor, Rodrigo Lins.

Crédito: Divulgação.

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